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China pisa no freio e muda o jogo da soja, reduz previsão de importação e coloca milho no centro da nova safra agrícola

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 15/05/2026 às 14:57
Atualizado em 15/05/2026 às 14:59
Navio cargueiro atracado em porto industrial enquanto operações de transporte de soja e commodities agrícolas movimentam o mercado internacional ligado às importações chinesas.
Movimentação portuária de commodities agrícolas reforça a importância das importações de soja da China no equilíbrio do mercado global.
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Nova projeção do Ministério da Agricultura da China aponta queda nas compras externas de soja, avanço do milho nas lavouras e recuo esperado na produção de óleo de soja

A China apresentou uma nova perspectiva para o mercado agrícola internacional e revelou mudanças relevantes nas projeções de importação de soja para os próximos ciclos produtivos.

Relatório divulgado pelo Ministério da Agricultura da China, na terça-feira, 12 de maio, indicou que o país deverá importar 95,5 milhões de toneladas métricas de soja no ano-safra 2026/27.

A estimativa representa uma queda de 7,6% em comparação ao ciclo anterior.

Dados oficiais apontam que a redução está diretamente ligada à demanda mais fraca por farelo de soja, movimento associado ao encolhimento do plantel de porcas no país.

Cenário diferente foi observado no ciclo 2025/26, período em que a demanda permaneceu sustentada pelas grandes criações de suínos e aves.

Importações de soja para 2025/26 sobem acima da previsão anterior

Previsão do Ministério da Agricultura da China para o ano-safra 2025/26, entre outubro e setembro, foi elevada para 103,3 milhões de toneladas.

O novo volume ficou 7,5 milhões de toneladas acima da projeção anterior divulgada pelo governo chinês.

Grandes produtores de suínos e aves continuaram impulsionando o consumo de farelo de soja no país.

Demanda mais aquecida manteve as compras externas em patamar elevado durante o período analisado.

Movimentação do agronegócio chinês também revelou uma mudança importante na disputa entre milho e soja por área cultivada.

Milho avança no campo enquanto soja perde espaço entre produtores

Projeção oficial para o ciclo 2026/27 mostrou crescimento da área destinada ao cultivo de milho na China.

Área plantada deverá alcançar 45,13 milhões de hectares, volume 0,4% maior em relação ao ano anterior.

Rentabilidade mais forte do milho registrada no último ciclo aumentou o interesse dos agricultores chineses pelo cereal.

Plantio de soja, por outro lado, deverá apresentar retração no próximo período agrícola.

Estimativa do governo chinês aponta área de 10,193 milhões de hectares para a oleaginosa em 2026/27.

Número representa uma queda de 0,6% frente ao ciclo anterior.

Menor rentabilidade da soja em comparação ao milho reduziu o interesse dos produtores pelo cultivo da oleaginosa.

Produção de óleo comestível deverá sofrer mudanças nos próximos ciclos

Estimativas do Ministério da Agricultura da China também incluíram novas projeções para o setor de óleo comestível.

Produção chinesa deverá atingir 32,23 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.

Volume representa aumento de 1,19 milhão de toneladas em relação ao ano anterior.

Óleo de soja deverá crescer 790 mil toneladas, impulsionado pelo aumento das importações de soja e pelos maiores volumes de esmagamento.

Óleo de canola, entretanto, deverá registrar queda de 170 mil toneladas devido à redução das importações da oleaginosa.

Ciclo 2026/27 deverá apresentar um cenário diferente para o setor.

Produção total de óleo comestível foi estimada em 31,41 milhões de toneladas.

Projeção indica retração de 820 mil toneladas frente ao período anterior.

Produção de óleo de soja deverá cair 1,36 milhão de toneladas, principalmente por causa da redução prevista nas importações de soja.

Mercado agrícola internacional acompanha os próximos movimentos da China com atenção, já que o país segue como um dos maiores compradores globais da commodity.

Mudanças nas importações chinesas poderão alterar o equilíbrio global da soja e influenciar diretamente produtores e exportadores nos próximos anos?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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