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Enquanto o vinho perde força no mundo, Brasil enche a taça, quebra recorde histórico e amplia vinhedos em movimento que surpreende especialistas

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 13/05/2026 às 11:59
Atualizado em 13/05/2026 às 12:01
Garrafa de vinho tinto sendo servida em decanter durante degustação, representando o crescimento do consumo de vinho no Brasil em 2025.
Mercado brasileiro de vinhos cresce em 2025, amplia vinhedos e contraria queda global no consumo da bebida.
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Consumo brasileiro sobe 41,9% em 2025, atinge o maior volume da série e coloca o país entre os poucos destaques positivos do mercado mundial de vinhos

O mercado brasileiro de vinhos registrou, em 2025, um avanço raro no cenário internacional. O país alcançou o maior consumo de sua história, segundo estimativas divulgadas pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) na terça-feira, 12 de maio de 2026.

O Brasil consumiu 4,4 milhões de hectolitros de vinho em 2025. O volume representa alta de 41,9% sobre 2024, ano marcado por um desempenho excepcionalmente baixo. Cada hectolitro equivale a 100 litros.

O resultado chamou atenção porque surgiu na contramão do mercado global. O consumo mundial somou 208 milhões de hectolitros em 2025, com queda de 2,7% no ano e retração acumulada de 14% desde 2018.

Brasil cresce enquanto grandes mercados reduzem consumo

A retração global atingiu alguns dos principais mercados consumidores. A Argentina registrou queda pelo quinto ano consecutivo, com 7,5 milhões de hectolitros consumidos em 2025, recuo de 2,6% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos, que durante muitos anos lideraram o mercado mundial de vinhos, reduziram o consumo em 4,3%, para 31,9 milhões de hectolitros.

A França, principal mercado da União Europeia, também manteve sua trajetória de queda. O consumo francês recuou 3,2% em 2025, chegando a 22 milhões de hectolitros.

A Itália apresentou retração ainda mais forte. O país consumiu 20,2 milhões de hectolitros, volume 9,4% menor que o registrado em 2024.

Mudança de hábitos pressiona o vinho no mundo

A OIV relaciona a queda internacional a mudanças no comportamento dos consumidores. A entidade também aponta efeitos acumulados desde a pandemia de covid-19, como perda de poder de compra das famílias, aumento de custos e preços mais altos.

Três mercados tiveram peso importante nesse movimento: Estados Unidos, França e China. O caso chinês chama atenção pela perda de posição no ranking mundial.

A China ocupa atualmente a 11ª colocação entre os maiores consumidores de vinho. Em 2020, o país estava na sexta posição, mas reduziu suas compras de forma contínua desde 2018.

Portugal e Japão apareceram entre os poucos mercados com avanço no período. Portugal foi o único país entre os dez maiores consumidores do mundo com crescimento em 2025, impulsionado pela demanda interna.

Vinhedos brasileiros avançam pelo quinto ano seguido

O destaque brasileiro também apareceu no cultivo. O país ampliou a área dedicada às uvas para vinho pelo quinto ano consecutivo e alcançou 91 mil hectares de vinhedos em 2025.

O crescimento foi de 9,6% em relação a 2024, resultado que reforça o contraste com grandes produtores internacionais.

A Espanha, dona da maior área de vinhedos do mundo, encerrou 2025 com 919 mil hectares, queda de 1,3% no ano.

A Argentina manteve a trajetória de retração iniciada em 2015. O país chegou a 196 mil hectares em 2025, redução de 1,9% sobre o ano anterior.

O Chile também reduziu sua área cultivada. Os vinhedos chilenos somaram 154 mil hectares em 2025, queda de 3,7% no ano e retração acumulada de 27% desde 2019.

Brasil vira ponto fora da curva no mercado global

O desempenho brasileiro colocou o país em posição de destaque dentro de um setor pressionado por queda no consumo, mudança de hábitos e encarecimento dos produtos.

O avanço simultâneo no consumo e na área de vinhedos tornou o Brasil um dos poucos exemplos de crescimento no mercado mundial de vinhos em 2025.

Grandes consumidores reduziram compras, produtores tradicionais encolheram áreas cultivadas e a demanda global perdeu força. O Brasil, por outro lado, bateu recorde, expandiu vinhedos e ganhou relevância no cenário internacional.

Será que esse avanço pode transformar o Brasil em um dos mercados de vinho mais estratégicos do mundo nos próximos anos?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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