A China implanta fibras de basalto previamente testadas em missão lunar para conter o avanço do deserto em 1 milhão de hectares no programa de combate à desertificação até 2030.
Conforme reportagem do Interesting Engineering, a tecnologia foi desenvolvida pela Chinese Academy of Sciences em parceria com a missão lunar Chang’e.
Por isso, o programa transforma material lunar reciclado em barreira terrestre contra avanço da desertificação no deserto de Gobi.
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O deserto de Gobi avança 2.500 km² por ano em direção a Pequim, Tianjin e outras cidades do norte chinês.
Conforme dados do Ministério de Recursos Naturais da China, 27% do território nacional já é classificado como desertificado em 2025.
O programa de fibras de basalto tem orçamento total de US$ 8,2 bilhões e cobre 5 anos de implantação.
Cientista Zhang Wei do CAS coordena o programa lunar terrestre
O cientista Zhang Wei, do Instituto de Geologia e Geofísica da Chinese Academy of Sciences, coordena o programa de fibras de basalto.
Conforme o CAS, Zhang trabalhou anteriormente no programa Chang’e 4 que pousou no lado oculto da Lua em 2019.
Por isso, o pesquisador adaptou tecnologia de processamento de basalto lunar para uso terrestre em larga escala.
O programa envolve 1.840 cientistas chineses em 12 institutos de pesquisa do CAS.
Além disso, a equipe testou 38 variações de composição de basalto antes de definir a formulação final usada no programa.
Como as fibras de basalto criam barreira contra areia do Gobi
As fibras de basalto são extraídas de rochas vulcânicas processadas a 1.500 °C em fornos especializados.
Conforme o CAS, o material é 30% mais resistente que aço carbono e dispensa galvanização.
Por isso, as fibras criam grades de 5 metros de altura que retêm partículas de areia em movimento durante tempestades de Gobi.
Cada hectare recebe 4.200 kg de fibras de basalto em estrutura modular fixada com hastes de aço.

Conforme testes do CAS, as fibras retêm 78% da areia em movimento durante tempestades de até 90 km/h.
Além disso, o material tem vida útil de 50 anos e dispensa manutenção significativa após a instalação.
O laboratório Chang’e que validou a fórmula em condições lunares
A missão Chang’e 5 trouxe 1.731 gramas de regolito lunar em dezembro de 2020.
Conforme o CAS, o material foi processado nos laboratórios de Pequim e Hong Kong para extrair fibras de basalto purificadas.
Por isso, a fórmula final aplicada no programa terrestre tem 23% das características do basalto lunar original.
O lado oculto da Lua, explorado pela Chang’e 4 em 2019, é especialmente rico em basalto vulcânico antigo.
O programa chinês de exploração lunar tem orçamento total de US$ 12,8 bilhões entre 2020 e 2030, segundo a China National Space Administration (CNSA).
1 milhão de hectares em 5 anos: as cidades protegidas
O programa cobre 1 milhão de hectares em 4 províncias do norte chinês: Mongólia Interior, Gansu, Xinjiang e Ningxia.
Conforme o Ministério de Recursos Naturais, as fibras vão proteger 87 cidades chinesas do avanço da desertificação.
Por isso, 47 milhões de habitantes do norte da China terão respiradoras mais limpas e qualidade de ar melhorada.
- Mongólia Interior: 380.000 ha de fibras, protege Hohhot e Baotou
- Gansu: 280.000 ha, protege Lanzhou e Dunhuang
- Xinjiang: 220.000 ha, protege Ürümqi e Kashgar
- Ningxia: 120.000 ha, protege Yinchuan e Shizuishan
- Total: 1 milhão de ha, 47 milhões de habitantes protegidos
Conforme o Centro Nacional de Meteorologia da China, tempestades de areia de Gobi atingem Pequim 18 vezes por ano em média.
Para outras inovações chinesas em escala, ver o parque solar Tengeh em Cingapura e data centers orbitais.
Programa Great Green Wall: 380 milhões de árvores até 2050
O programa chinês Great Green Wall (Grande Muralha Verde) existe desde 1978 e tem meta de plantar 380 milhões de árvores até 2050.
Conforme dados do governo chinês, foram plantadas 66 bilhões de mudas em 47 anos do programa.
Por isso, a China reduziu a taxa de desertificação anual em 50% entre 1998 e 2024.
As fibras de basalto integram o programa Great Green Wall como complemento à arborização tradicional.

A integração de fibras de basalto lunar com o programa Great Green Wall mostra capacidade chinesa de inovação multissetorial.
Porém, conforme o World Resources Institute, a eficácia das fibras a longo prazo precisa de monitoramento sob condições extremas do Gobi.
No entanto, segundo o CAS, testes preliminares em 2025 mostraram que as fibras de basalto sobreviveram a 4 tempestades severas sem degradação visível na China.
