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China abandonou 51 corpos de foguetes na órbita baixa da Terra entre 2021 e 2025, mais que o dobro do período anterior, e um relatório da LeoLabs aponta que três explosões recentes criaram lixo espacial capaz de ameaçar satélites militares e comerciais por décadas ou até séculos

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Escrito por Carla Teles Publicado em 26/06/2026 às 22:55 Atualizado em 26/06/2026 às 22:57
China abandonou 51 corpos de foguetes na órbita baixa da Terra entre 2021 e 2025, mais que o dobro do período anterior, e um relatório da LeoLabs aponta que três explosões recentes (2)
Lixo espacial de foguetes chineses na órbita baixa da Terra ameaça satélites militares e satélites comerciais.
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O lixo espacial de foguetes chineses abandonados na órbita baixa da Terra aumentou entre 2021 e 2025, segundo a LeoLabs. O relatório cita 51 corpos, três explosões e risco prolongado para satélites militares e satélites comerciais em regiões congestionadas do espaço por décadas ou séculos.

O lixo espacial deixado por corpos de foguetes chineses abandonados em órbita baixa da Terra voltou a acender alerta entre especialistas. Entre janeiro de 2021 e janeiro de 2025, a China deixou 51 corpos de foguetes usados acima de 650 quilômetros de altitude, segundo análise da LeoLabs divulgada pelo Breaking Defense em 25 de junho de 2026.

O relatório aponta que esse número mais que dobrou em relação aos cinco anos anteriores e elevou o total chinês para 96 objetos desse tipo na região analisada. O risco preocupa porque corpos de foguetes podem carregar resíduos de combustível, explodir em órbita e gerar detritos capazes de ameaçar satélites militares e satélites comerciais por décadas.

Corpos de foguetes estão entre os objetos mais perigosos em órbita

Lixo espacial de foguetes chineses na órbita baixa da Terra ameaça satélites militares e satélites comerciais.
Imagem: Divulgação.

Nem todo detrito espacial oferece o mesmo nível de risco. Fragmentos pequenos podem danificar satélites, mas corpos inteiros de foguetes usados preocupam mais porque têm massa elevada e podem permanecer sem controle por muito tempo. Quando um objeto grande se parte ou explode, ele pode criar uma nuvem de fragmentos difícil de rastrear e ainda mais difícil de remover.

No caso analisado pela LeoLabs, o problema está na concentração de corpos de foguetes deixados em órbita baixa da Terra, especialmente acima de 650 quilômetros. Essa faixa é importante porque muitos objetos ali podem permanecer no espaço por longos períodos antes de reentrar na atmosfera. Quanto mais tempo ficam abandonados, maior é a janela de risco para colisões.

China concentrou a maior parte dos corpos deixados na região

O levantamento atribui à China 86% dos corpos de foguetes abandonados globalmente na órbita baixa da Terra durante o período observado. Em comparação, os Estados Unidos teriam deixado quatro objetos desse tipo e a Rússia, um. O dado não aponta apenas um aumento numérico, mas uma concentração relevante em uma região orbital já disputada.

A análise também destaca a massa desses objetos. Segundo o relatório, a quantidade de massa abandonada pela China acima de 650 quilômetros passou de 98 mil quilos para 305 mil quilos. Esse crescimento importa porque massa maior significa potencial maior de produção de detritos caso ocorra explosão ou colisão.

Três explosões recentes aumentaram o alerta sobre lixo espacial

O alerta sobre lixo espacial ficou mais forte porque três corpos de foguetes chineses explodiram nos últimos quatro anos, de acordo com o estudo citado. O relatório menciona dois casos envolvendo o CZ-6A e um episódio recente ligado ao Zhuque-2, reforçando a preocupação com objetos que permanecem sem controle depois do lançamento.

Explosões em órbita não desaparecem do problema rapidamente. Elas espalham fragmentos em trajetórias diferentes, aumentando a complexidade para operadores de satélites. Mesmo pedaços pequenos podem causar danos sérios quando viajam em alta velocidade ao redor da Terra. Por isso, cada explosão amplia o desafio de prever encontros perigosos no espaço.

Satélites militares e comerciais entram na zona de risco

O crescimento de objetos abandonados em órbita baixa preocupa tanto operadores comerciais quanto atores militares. Satélites de comunicação, observação, monitoramento e defesa dependem de previsibilidade orbital para funcionar com segurança. Quando o ambiente fica mais congestionado, aumenta a necessidade de manobras, alertas de aproximação e planejamento para evitar colisões.

A preocupação é ainda maior porque parte desses corpos de foguetes está em altitudes próximas a regiões de interesse estratégico. Victoria Samson, da Secure World Foundation, destacou ao Breaking Defense que muitos desses objetos estão entre 800 e 820 quilômetros, enquanto a arquitetura espacial proliferada dos Estados Unidos, conhecida pela sigla PWSA, foi planejada para operar em torno de 1.000 quilômetros. A proximidade não significa colisão automática, mas aumenta a atenção sobre cruzamentos orbitais.

Órbita baixa da Terra já está mais congestionada

Lixo espacial de foguetes chineses na órbita baixa da Terra ameaça satélites militares e satélites comerciais.
Imagem: Divulgação.

A órbita baixa da Terra virou uma das regiões mais movimentadas do espaço. Ela é usada por satélites de internet, sensoriamento remoto, meteorologia, defesa, pesquisa e comunicação. Com mais lançamentos e constelações planejadas, qualquer aumento de lixo espacial torna a gestão orbital mais difícil.

O relatório cita ainda a constelação chinesa Qianfan, tratada como rival da Starlink, com satélites posicionados entre 800 e 1.160 quilômetros. Segundo a especialista citada, a constelação já chegou a 200 satélites, enquanto Pequim planeja colocar até 15 mil unidades. Esse cenário aumenta a pressão por práticas de mitigação, porque mais satélites e mais corpos abandonados tornam o espaço operacional mais complexo.

Regra dos 25 anos aparece no centro da discussão

Diretrizes internacionais de melhores práticas, adotadas por mais de 60 países, incluindo a China, recomendam medidas para reduzir riscos de explosões e detritos em órbita. Uma delas é usar combustível remanescente para posicionar estágios de foguetes em altitudes que permitam reentrada em até 25 anos, de preferência de forma controlada.

Outra prática usada por operadores em regiões mais altas da órbita baixa é liberar estágios de lançamento em órbitas inferiores, permitindo que eles caiam mais rapidamente, enquanto os satélites seguem para a altitude operacional com propulsão própria. A lógica é simples: quanto menos objetos grandes ficam abandonados em órbitas duradouras, menor é o risco acumulado para todos os operadores.

Pequim afirma seguir regras de mitigação

O tema também envolve a posição oficial chinesa. Em declaração apresentada em 11 de junho ao Subcomitê Científico e Técnico do Comitê das Nações Unidas sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior, Pequim afirmou seguir a regra de mitigação de detritos de 25 anos, conforme suas próprias leis nacionais de uso do espaço.

Essa afirmação contrasta com a leitura da LeoLabs, que sugere que o abandono de corpos de foguetes em órbitas de longa duração não estaria alinhado às melhores práticas internacionais. A divergência mostra que o debate não é apenas técnico, mas também regulatório e diplomático, já que o espaço depende de coordenação entre países, empresas e operadores militares.

Por que décadas ou séculos fazem diferença?

Quando especialistas falam que detritos podem permanecer por décadas ou séculos, o alerta está ligado ao tempo de permanência orbital. Em altitudes mais altas da órbita baixa, a atmosfera é rarefeita demais para frear rapidamente os objetos. Assim, corpos abandonados e fragmentos podem continuar circulando por períodos muito longos.

Esse tempo prolongado multiplica o risco. Um objeto que permanece em órbita por poucos meses representa uma ameaça limitada no tempo; um objeto que permanece por décadas participa de milhares de cruzamentos com outras trajetórias. No espaço, o perigo não está apenas no tamanho do detrito, mas na combinação entre velocidade, altitude, massa e permanência.

Lixo espacial virou problema de segurança e economia

O lixo espacial deixou de ser apenas um tema de curiosidade científica. Ele afeta segurança nacional, telecomunicações, internet por satélite, observação da Terra e cadeias comerciais que dependem de infraestrutura orbital. Quando um satélite precisa fazer manobra evasiva, há gasto de combustível, risco operacional e redução da vida útil do equipamento.

Para satélites militares, a preocupação envolve vigilância, comunicação e capacidade de resposta. Para satélites comerciais, o risco passa por interrupção de serviços, perda de ativos caros e necessidade de seguros mais robustos. A órbita, antes vista como espaço quase ilimitado, agora exige gestão parecida com uma infraestrutura crítica compartilhada.

O alerta cresce junto com a nova corrida orbital

A nova fase da corrida espacial não envolve apenas grandes missões científicas, mas também constelações, lançamentos frequentes e uso militar do espaço. Nesse contexto, corpos de foguetes abandonados se tornam passivos perigosos. Eles não prestam mais serviço, mas continuam ocupando trajetórias e acumulando risco para objetos ativos.

O relatório da LeoLabs coloca a China no centro dessa discussão, mas o problema é global. Qualquer país ou empresa que deixa grandes objetos sem controle em órbitas duradouras contribui para um ambiente mais arriscado. A diferença, neste caso, está na escala atribuída ao programa chinês entre 2021 e 2025.

O avanço do lixo espacial na órbita baixa da Terra mostra que cada lançamento deixa consequências que podem durar muito além da missão original. Os 51 corpos de foguetes citados no relatório, as três explosões recentes e o aumento da massa abandonada acima de 650 quilômetros reforçam a necessidade de regras mais eficientes, fiscalização e responsabilidade orbital.

Você acha que países e empresas deveriam ser obrigados a retirar ou derrubar com segurança os corpos de foguetes após cada missão, mesmo que isso encareça os lançamentos? Comente se o espaço deve ser tratado como área livre de exploração ou como infraestrutura comum que precisa de regras mais duras.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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