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China faz primeiro transplante simultâneo de dois rins e um fígado de porco em uma mesma pessoa

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 07/06/2026 às 13:17
Atualizado em 07/06/2026 às 13:20
China faz primeiro transplante simultâneo de dois rins e um fígado de porco em uma mesma pessoa
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Procedimento inédito foi feito em um paciente com morte cerebral e mostrou funcionamento inicial dos órgãos, incluindo produção de bile pelo fígado. O caso abre caminho para os xenotransplantes, mas ainda precisa de novos estudos.

Pesquisadores chineses realizaram pela primeira vez o transplante simultâneo de dois rins e um fígado de porco em uma mesma pessoa. O procedimento foi feito em um homem de 53 anos com morte cerebral, em um experimento que amplia os limites dos xenotransplantes e pode mudar a forma como a medicina encara a falta de órgãos para doação.

O caso chama atenção não só pelo ineditismo, mas também pelos primeiros sinais de funcionamento dos órgãos após a cirurgia. Segundo super.abril.com.br, o fígado de porco chegou a produzir bile e os rins passaram a apresentar melhora nos marcadores ligados à função renal nas primeiras horas.

Ainda assim, o próprio estudo reforça que o avanço está longe de significar uso imediato em pacientes vivos. O experimento durou cinco dias e mostrou tanto sinais promissores quanto indícios de rejeição, em um passo científico importante, mas ainda cercado de cautela.

O que foi feito no procedimento inédito

A equipe da Guangxi Medical University transplantou, em uma única cirurgia, dois rins e um fígado de porco geneticamente modificado em um mesmo paciente. Esse tipo de combinação nunca havia sido registrado em xenotransplantes, que até aqui costumavam envolver apenas um órgão por vez.

O caso também entra para a história por outro motivo: um fígado completo de porco nunca havia sido transplantado antes. O material foi publicado em maio na revista Med e descreve um cenário em que os órgãos suínos foram mantidos sob acompanhamento contínuo para avaliar como o corpo humano reagiria.

Paciente tinha morte cerebral e família autorizou o teste

O homem tinha doença renal crônica grave e sofreu uma hemorragia cerebral. Depois da declaração de morte, o fígado humano, que ainda funcionava bem, foi doado para outro paciente. Com autorização da família, os médicos mantiveram artificialmente o funcionamento do corpo para realizar o teste com os órgãos de porco.

Essa etapa é central para estudos desse tipo, porque permite observar, em condições controladas, como os tecidos reagem sem expor um paciente vivo ao risco imediato. Mesmo assim, trata-se de um procedimento delicado, voltado exclusivamente à pesquisa.

Os sinais iniciais foram bons, mas a rejeição apareceu depois

De acordo com os pesquisadores, 19 horas após a cirurgia o fígado transplantado já estava funcionando e produzia bile. Os níveis de creatinina e ureia, alterados por causa da doença renal, voltaram ao normal, o que indicava que os rins transplantados também respondiam bem.

Nas primeiras 24 horas, não foram observados sinais de rejeição. Depois de 36 horas, porém, surgiram indícios do problema, incluindo áreas de necrose e alterações na coagulação sanguínea do fígado. Mesmo com esses sinais, os órgãos continuaram funcionando até o encerramento do experimento, cinco dias depois, a pedido da família.

Modificações genéticas tentam reduzir o risco de rejeição

O porco usado no transplante passou por seis alterações genéticas: três genes suínos foram removidos e três genes humanos foram incluídos. A estratégia foi adotada para diminuir a chance de rejeição e outras complicações que costumam limitar esse tipo de procedimento.

As análises também mostraram uma alta concentração de células imunológicas S100A12+, associadas à inflamação. Para os autores do estudo, esse achado pode abrir espaço para terapias mais direcionadas no futuro, com potencial para reduzir a rejeição em novos xenotransplantes.

Por enquanto, o recado dos pesquisadores é de avanço, mas também de prudência. O experimento mostrou que a combinação de órgãos de porco pode funcionar ao menos por um período curto, mas ainda serão necessários muitos estudos antes que algo assim possa ser levado a pacientes vivos. Se você acompanha os avanços da medicina, vale seguir de perto essa corrida científica.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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