Rompimento simultâneo de túneis no Himalaia acelerou uma das obras hidrelétricas mais ambiciosas da Índia e ampliou a atenção sobre um projeto que combina grande geração elétrica, controle de cheias, engenharia subterrânea e construção em área remota de relevo complexo.
A construção do Dibang Multipurpose Project avançou em uma etapa decisiva no estado de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, depois que a Larsen & Toubro registrou o rompimento simultâneo dos túneis de desvio DT-4 e DT-5 em 28 de abril de 2026.
No vale de Lower Dibang, o marco reforçou o andamento de uma hidrelétrica de 2.880 MW, projetada pela NHPC com barragem de concreto-gravidade de 278 metros e papel estratégico na expansão da infraestrutura energética indiana.
Túneis de desvio aceleram obra no vale do Dibang
Estruturas temporárias, os túneis de desvio permitem conduzir o rio por galerias escavadas enquanto as equipes atuam em áreas críticas do leito e das fundações, uma etapa indispensável em hidrelétricas de grande porte.
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No caso de Dibang, a conclusão dos dois rompimentos no mesmo dia reduziu uma das barreiras técnicas mais relevantes antes da consolidação da barragem principal e abriu espaço para novas frentes de execução.
Somando esse avanço ao DT-3, finalizado em fevereiro de 2026, três dos cinco túneis de desvio previstos para o projeto já tiveram rompimento concluído, o que indica progresso em uma fase subterrânea essencial para a obra.
Essa frente faz parte do chamado Lote 02, composto por 37 quilômetros de acessos, duas pontes permanentes e cinco túneis de desvio, que juntos somam 6,4 quilômetros de extensão no canteiro.
Em uma região montanhosa e de difícil execução, a escavação subterrânea exige controle geológico, ventilação, drenagem e monitoramento contínuo, porque qualquer instabilidade pode afetar a segurança das equipes e o ritmo das intervenções.

Segundo a Equipment India, a Larsen & Toubro atribuiu o avanço à coordenação de duas detonações de abertura no mesmo dia, realizadas sob condições geológicas e ambientais consideradas complexas no Lower Dibang Valley.
Hidrelétrica de 2.880 MW terá função além da geração
Pelos dados da NHPC, o Dibang Multipurpose Project está localizado no rio Dibang, no distrito de Lower Dibang Valley, perto da vila de Munli e a cerca de 43 quilômetros de Roing.
A estatal indiana classifica o empreendimento como uma estrutura de geração hidrelétrica associada ao controle de cheias, com barragem posicionada aproximadamente 1,5 quilômetro acima da confluência dos rios Ashu Pani e Dibang.
Projetada para 2.880 MW, a usina terá 12 unidades geradoras de 240 MW cada, instaladas em uma casa de força subterrânea, configuração que reforça a dimensão técnica do empreendimento no Himalaia oriental.
A energia de projeto informada pela NHPC é de 11.223 milhões de unidades por ano, enquanto o custo estimado consta em 31.876,39 crore de rúpias, com base em preços de maio de 2021.
Além da geração elétrica, a usina foi concebida para moderar cheias a jusante da barragem durante todo o período de monções, até o limite de 3.000 cumecs, conforme a página oficial da NHPC.
Esse desenho amplia o papel da obra, porque a estrutura deixa de ser apenas um ativo de fornecimento energético e passa a integrar a gestão hídrica em uma bacia estratégica do nordeste indiano.
Barragem de 278 metros amplia escala do projeto

No desenho técnico divulgado pela NHPC, a barragem principal terá 278 metros de altura e será do tipo concreto-gravidade, característica que coloca o empreendimento entre as obras hidrelétricas mais ambiciosas em construção no país.
Em uma hidrelétrica, esse desnível ajuda a criar a carga hidráulica usada para movimentar as turbinas, especialmente quando aparece combinado a grande vazão, múltiplas unidades geradoras e estruturas de condução dimensionadas para alto volume de água.
Para levar a água até a casa de força, o sistema previsto pela estatal inclui seis túneis de adução, cada um com 9 metros de diâmetro e extensão entre 300 e 600 metros.
A configuração mostra a dimensão subterrânea da obra, que depende não apenas da barragem visível, mas também de galerias, acessos e estruturas internas capazes de conduzir volumes elevados de água com segurança.
Também pesa no projeto a localização do canteiro, já que a NHPC indica que o acesso ferroviário mais próximo fica em Tinsukia, a 153 quilômetros, e o aeroporto mais próximo está em Dibrugarh, a 198 quilômetros.
Essa distância evidencia a importância da logística para transportar equipamentos, concreto, aço e equipes técnicas até uma área de relevo acidentado, onde o avanço das obras depende da integração entre acessos, túneis e frentes civis.
Cronograma da hidrelétrica depende de novas etapas
A construção tem prazo oficial de nove anos a partir da aprovação do Comitê de Assuntos Econômicos do Gabinete do governo indiano, registrada pela NHPC em 27 de fevereiro de 2023.
Em obras desse porte, o ciclo de execução costuma ser longo porque envolve fundações profundas, escavações subterrâneas, grandes volumes de concreto, montagem eletromecânica e adaptação permanente às condições geológicas do terreno.
Antes de qualquer geração comercial, ainda será necessário avançar em acessos, sistemas de condução, concretagem da barragem, montagem das unidades geradoras e integração da casa de força subterrânea ao conjunto operacional.
Por essa razão, o rompimento dos túneis DT-4 e DT-5 não representa a conclusão da obra, mas sinaliza que uma etapa preparatória indispensável ganhou tração ao longo de 2026.
O interesse em torno de Dibang vem da combinação entre escala, localização e finalidade, já que a Índia ergue, em um vale distante dos grandes centros industriais, uma obra de grande capacidade energética e forte componente de engenharia pesada.
Entre relevo acidentado, logística longa e clima desafiador, a continuidade do projeto dependerá da capacidade de manter as frentes civis em operação e sustentar o avanço das estruturas que ainda precisam ser concluídas.
Com três túneis de desvio já rompidos e a barragem de 278 metros prevista no desenho oficial, Dibang segue como uma das principais apostas indianas em infraestrutura hidrelétrica de grande porte.

