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China exige que México abandone tarifas protecionistas de ao menos 35% sobre 1,4 mil produtos, alerta para impacto no comércio global e eleva tensão na disputa comercial com os EUA

Publicado em 11/12/2025 às 10:08
China exige que México reverta tarifas que afetam exportação e ameaçam o comércio global, ampliando tensão geopolítica no mercado internacional.
China exige que México reverta tarifas que afetam exportação e ameaçam o comércio global, ampliando tensão geopolítica no mercado internacional.
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China pressiona México após Congresso aprovar, em 10 de dezembro, tarifas de ao menos 35% sobre 1,4 mil produtos de 12 países, incluindo Brasil, promete investigação e retaliação e acende alerta sobre novos choques no comércio global a partir de 1º de janeiro, caso o pacote tarifário não seja revisto.

Em Pequim, China elevou o tom e acusou o México de adotar tarifas “unilaterais e protecionistas”, ao reagir nesta quinta-feira, 11, à decisão do Congresso mexicano, tomada na quarta-feira, 10, de elevar impostos de importação sobre uma ampla lista de produtos vindos de países que não têm acordo de livre-comércio com o país latino-americano.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, o aumento de pelo menos 35% nas tarifas sobre 1,4 mil itens de 12 países, entre eles o Brasil, atinge sobretudo as exportações chinesas, deve entrar em vigor em 1º de janeiro e pode reconfigurar rotas de comércio em plena disputa entre Estados Unidos, México e China.

Tarifas de pelo menos 35% miram 1,4 mil produtos de 12 países

Pelo pacote aprovado na quarta-feira, 10, o Congresso mexicano autorizou elevar em no mínimo 35% as tarifas de importação de 1,4 mil produtos provenientes de 12 países, grupo que inclui Brasil, China e outros importantes parceiros comerciais. Na prática, o alvo são economias sem acordo de livre-comércio com o México.

A expectativa é de que as novas tarifas passem a valer já em 1º de janeiro. Embora o texto final tenha ficado menos duro que o anúncio inicial do governo, a China afirma que as mudanças ainda “ferem os interesses nacionais” do país, sobretudo por recair com mais força sobre suas exportações e sobre cadeias em que empresas chinesas vinham usando o território mexicano como plataforma de manufatura e reexportação.

Proposta inicial buscava fortalecer indústria mexicana e reduzir dependência da Ásia

A reação da China ocorre em meio a uma investigação aberta por Pequim, em setembro, sobre possíveis barreiras comerciais e de investimento impostas pelo México.

Essa apuração foi lançada depois que o governo mexicano sinalizou que elevaria tarifas para países sem acordo de livre-comércio, mirando diretamente economias asiáticas.

De acordo com o Ministério da Economia mexicano, a proposta inicial voltada a fortalecer indústrias locais e substituir importações da Ásia poderia afetar cerca de 52 bilhões de dólares em compras.

Na época, o ministro da Economia, Marcelo Ebrard, afirmou que muitos desses produtos já pagavam imposto de importação e que a estratégia seria levá-lo ao teto permitido pela Organização Mundial do Comércio, dentro das margens regulatórias existentes.

Para a China, porém, a combinação entre tarifas mais altas, investigação em curso e foco em países asiáticos configura um endurecimento estrutural do México, que ultrapassa medidas pontuais de proteção setorial e ameaça a previsibilidade para investidores estrangeiros.

Investimentos da China no México crescem, mas geram tensão com os EUA

Nos últimos anos, investimentos chineses no México aumentaram e ampliaram o comércio bilateral, com empresas do país asiático instalando operações industriais em território mexicano para aproveitar a proximidade com o mercado americano e o acesso proporcionado pelo acordo entre Estados Unidos, México e Canadá.

Ao mesmo tempo, a enxurrada de exportações da China é vista, no próprio México, como um risco à tentativa de converter o país em polo de manufatura de alto valor agregado.

O avanço de produtos chineses pressiona setores que tentam subir na cadeia produtiva, em áreas como automotivo, eletrônico e de equipamentos industriais, alimentando a percepção de concorrência desleal entre empresários mexicanos.

Esse movimento também se cruza com a política de Washington. Segundo o texto do ministério chinês, a pressão da administração de Donald Trump por uma postura mais dura do México em relação à China pesa sobre as decisões mexicanas, em um cenário em que a rivalidade comercial entre os dois gigantes molda regras e acordos regionais.

Pequim já havia advertido o México a reconsiderar os aumentos e chegou a ameaçar retaliações antes mesmo da aprovação final do pacote tarifário.

USMCA, alerta global e apelo final de Pequim ao México

Na avaliação do Ministério do Comércio da China, os ajustes tarifários podem até ser usados pelo México para a próxima revisão do acordo Estados Unidos México Canadá (USMCA), prevista para depois da renegociação marcada para 2026.

Ainda assim, o órgão sustenta que nenhum pacto regional deveria ser construído às custas do comércio global ou em prejuízo dos “interesses legítimos” de um parceiro específico, como a própria China.

Nesta semana, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reforçou que o USMCA poderá ganhar uma nova configuração após a renegociação de 2026, o que aumenta a percepção de que México e China estão, de fato, no centro de uma disputa mais ampla por espaço nas cadeias globais de valor.

Nesse contexto, decisões tarifárias contra exportadores asiáticos ganham leitura geopolítica, e não apenas econômica.

O Ministério do Comércio chinês afirma valorizar os laços com o México e diz esperar que o país trabalhe com Pequim para resolver divergências e aprofundar a cooperação.

A nota oficial faz um apelo para que o México “leve essas preocupações a sério e proceda com cautela”, sinalizando que a porta para o diálogo segue aberta, mas sob forte vigilância.

O México mantém acordos de livre-comércio com mais de 50 países, incluindo o Japão.

Entre os parceiros sem tratado, a China desponta como um dos maiores exportadores para o mercado mexicano, ao lado de Coreia do Sul e Índia, o que torna o efeito do pacote tarifário ainda mais sensível para Pequim.

Ao insistir que o México abandone o que chama de práticas protecionistas, a China busca proteger suas exportações, preservar investimentos já feitos e evitar que a decisão mexicana abra precedente para novas barreiras em outras regiões.

Diante desse choque entre proteção da indústria mexicana e reação firme da China, na sua opinião o México deve manter as tarifas para defender sua economia ou recuar diante da pressão chinesa e do risco de novas tensões no comércio global?

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Taperão Itaverá
Taperão Itaverá
12/12/2025 16:05

México deve se manter firme sim!!!

José
José
11/12/2025 21:22

Na minha opinião não deve. E na minha cabeça é como se o México fosse um **** dos Estados Unidos por estar fazendo algo que me coloca uma dúvida sobre a soberania dela.
Mas penso que talvez isso fosse, de certa maneira, como um catalisador para o Brasil, já que isso pode fazer com que a China procure parceiros mais confiáveis na América.

César
César
Em resposta a  José
12/12/2025 11:59

O Ocidente deixa claro que quer fazer Cartel para proteger empresários de preços altos na indústria , são gananciosos por altos lucros .
Porque porquê não fazem como a China ? Diminui lucros e aumento na produção com todo mundo ganhando menos , mas com mais trabalho para todos com equiparação salarial .
O problema é que a ganância do Capitalismo escravagista não suporta ver um empregado ter um padrão de vida nivelado com os seus senhores, isso já vem do século 19 kkkk

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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