China consolidou o controle sobre os minerais críticos
A muito tempo, a China considera as terras raras um “recurso estratégico”. O país consolidou o domínio global na mineração e no refino desses minerais essenciais.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em outubro de 2025, a alta concentração de mercado deixa setores estratégicos — como energia, defesa e tecnologia — mais vulneráveis a rupturas.
Atualmente, o país asiático controla 70% da extração mundial e 90% do processamento global. Esse poder resulta de duas décadas de investimentos contínuos e políticas industriais agressivas.
Além disso, a liderança chinesa interfere diretamente no equilíbrio econômico mundial, impactando desde a fabricação de veículos elétricos até a produção de turbinas eólicas.
Exportações sob controle e novas restrições chinesas
A partir de 1º de dezembro de 2025, o governo chinês passará a exigir licenças obrigatórias para empresas que exportem produtos com terras raras de origem chinesa.
Essa norma também atingirá bens produzidos com tecnologia desenvolvida na China, o que amplia o alcance das restrições e intensifica a tensão global.
Os Estados Unidos responderam ampliando as sanções comerciais contra companhias chinesas de semicondutores, provocando uma nova escalada nas disputas bilaterais.
Como consequência, as exportações de ímãs de terras raras caíram 6,1% em setembro, segundo a Reuters. Essa queda sinaliza os primeiros efeitos da política restritiva.
Autoridades em Washington e Bruxelas classificaram a medida como “agressiva e desproporcional”, reforçando a percepção de que a China usa os minerais como arma geopolítica.
Importância estratégica dos minerais críticos
As terras raras sustentam a base tecnológica moderna. Elas impulsionam turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e satélites, garantindo eficiência e alto desempenho a esses sistemas.
Esses minerais possuem propriedades magnéticas e químicas exclusivas, essenciais para a produção de ímãs permanentes de alto rendimento.
Apesar de não serem geologicamente raras, a extração econômica exige processos complexos, pois os minérios aparecem em concentrações muito baixas.
O método de separação, conhecido como extração por solvente, demanda alta precisão e grande volume de água e energia, o que torna o refino caro e demorado.
Segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS), a China mantém vantagem tecnológica incomparável devido à experiência acumulada e ao ecossistema industrial consolidado.
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O desafio ocidental no refino e processamento
Os Estados Unidos e aliados buscam reduzir a dependência chinesa, embora enfrentem grandes gargalos no processamento e refino.
O especialista Karl Friedhoff, do Chicago Council on Global Affairs, explica que o desafio está no “midstream”, ou seja, na etapa intermediária entre mineração e produto final.
“Temos os minerais brutos, mas ainda enviamos à China para refino”, ressalta o analista, indicando a necessidade urgente de autonomia produtiva.
No entanto, construir refinarias fora da China exige altos investimentos, cumprimento ambiental rigoroso e aceitação social, já que o processo gasta muita energia e água.
Além disso, gera resíduos radioativos, o que aumenta a resistência das comunidades locais.
Por isso, o avanço ocidental ocorre lentamente, mesmo com incentivos econômicos e políticas públicas.
Caminhos para autonomia e futuro do setor
Para enfraquecer o domínio chinês, países ocidentais precisam abrir novas minas, instalar plantas de processamento e formar mão de obra qualificada.
Também é essencial oferecer energia barata, infraestrutura moderna e incentivos fiscais, criando um ambiente competitivo.
De acordo com o relatório Global Critical Minerals Outlook 2025 da AIE, a China continuará controlando 80% do refino mundial até 2035.
Sem ação coordenada e imediata, o Ocidente pode perder a chance de equilibrar o setor, consolidando a dependência estrutural de Pequim.
Hoje, as terras raras deixaram de ser apenas recursos minerais e se tornaram armas estratégicas na nova geopolítica global.
Diante disso, a dúvida persiste: o Ocidente conseguirá reagir antes que o tempo acabe?
