Plataforma chinesa instalada em águas profundas une criação de pescado, automação e processamento industrial no mar, enquanto a primeira captura da Zhanjiang Bay 1 mostra como a aquicultura oceânica começa a testar novos caminhos para ampliar a oferta de proteína em escala comercial.
Concluída no último dia 18 de junho, a primeira captura de peixes criados na Zhanjiang Bay 1 marcou o início operacional de uma plataforma marítima chinesa voltada à aquicultura em águas afastadas da costa.
Em janeiro, o sistema havia recebido cerca de 380 mil jin de filhotes, medida chinesa equivalente a aproximadamente 190 toneladas, segundo publicação da CCTV News reproduzida pela Tencent News.
A operação representou o primeiro resultado produtivo do equipamento após sua entrada em uso, com a retirada inicial de peixes da espécie identificada nas fontes chinesas como chizui mian.
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Nas reportagens locais, o pescado é descrito como uma espécie marinha de alto valor, criada em ambiente de águas profundas e associada ao avanço dos chamados “ranchos marinhos” modernos.
Fazenda de peixes no oceano em Guangdong
Entregue oficialmente em 19 de novembro de 2025, a Zhanjiang Bay 1 fica vinculada à cidade costeira de Zhanjiang, na província de Guangdong, no sul da China.
O projeto foi apresentado pelo China Daily como a primeira embarcação-plataforma de aquicultura do mundo com gaiolas flutuantes e posicionamento dinâmico, solução que permite manter a estrutura em operação em alto-mar sem depender apenas de sistemas fixos tradicionais.

Com 154 metros de comprimento e 44 metros de largura, a plataforma dispõe de 80 mil metros cúbicos de volume de criação, distribuídos em uma estrutura industrial projetada para operar em ambiente marítimo.
Ao todo, são 12 áreas independentes de cultivo, planejadas para receber diferentes espécies ao mesmo tempo, com capacidade anual estimada entre 2 mil e 5 mil toneladas de pescado.
Em vez de tanques em terra ou gaiolas próximas ao litoral, o modelo utiliza uma embarcação capaz de funcionar como fazenda industrial no oceano, em áreas marítimas mais profundas.
Segundo o China Daily, a estrutura foi planejada para operar a cerca de 30 milhas náuticas da ilha de Naozhou, ao largo de Zhanjiang, dentro da estratégia chinesa de expandir a aquicultura para regiões de mar aberto.
Tecnologia para criação de pescado em mar aberto
Na prática, a proposta chinesa combina criação de pescado, monitoramento tecnológico e automação em uma mesma estrutura, com equipamentos voltados ao controle contínuo das condições de cultivo.
Entre os sistemas embarcados estão alimentação inteligente, limpeza de redes, acompanhamento da plataforma, monitoramento do ambiente de criação e transmissão sem fio, além de autopropulsão, posicionamento dinâmico, energia verde e resposta emergencial a tufões.
Durante a primeira captura, os peixes foram descritos pelas fontes chinesas como saudáveis, com bom crescimento, corpo cheio, nado estável e reação rápida no momento da retirada.

Esses sinais foram usados pelos responsáveis pelo projeto para indicar que o cultivo em águas abertas e profundas havia alcançado um resultado inicial considerado consistente.
A produção, porém, não deve se limitar à venda do peixe inteiro, já que parte do pescado passou a abastecer uma cadeia de processamento voltada a itens com maior valor comercial.
De acordo com a Sina Finance, a empresa Zhanjiang Longwangwan Marine Ranch Technology, ligada à operação, iniciou a transformação do pescado em gelatina de peixe, cortes, porções, peixe seco e escamas secas.
Esse aproveitamento industrial amplia o alcance econômico da criação em alto-mar, porque permite que um mesmo lote de pescado abasteça diferentes cadeias de consumo e comercialização.
Além da distribuição direta aos consumidores, os produtos processados devem reforçar a construção de marca e a venda em canais digitais associados ao projeto.
Aquicultura oceânica e economia do mar
Desenvolvida pelo Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong, a Zhanjiang Bay 1 integra a estratégia local de modernização da produção marítima.
Segundo o China Daily, a instituição descreveu a estrutura como a maior plataforma aquícola de Guangdong em volume de água e uma das principais apostas da província em operações inteligentes no mar.
Por operar longe da costa, esse tipo de equipamento ajuda a explicar o interesse despertado pela experiência chinesa além do setor pesqueiro tradicional.
A aquicultura em águas profundas busca deslocar parte da produção para áreas com maior renovação de água, enquanto reduz a dependência de zonas costeiras pressionadas por pesca, ocupação urbana, portos e outras atividades econômicas.
Apesar do resultado inicial, os dados disponíveis indicam que o projeto ainda está em fase de validação industrial, e não em plena operação com impacto global consolidado.
A primeira captura representa uma etapa usada para testar equipamento, manejo, saúde dos peixes, desempenho da criação e capacidade de transformar o pescado em produtos comercializáveis.
O China Daily informou que a plataforma pode cultivar espécies variadas e que novas introduções, como o pompano-dourado, estavam previstas para o primeiro semestre de 2026.
Com vendas organizadas em lotes conforme desempenho da criação e condições de mercado, a estratégia aponta para uma expansão gradual, dependente de resultados técnicos e aceitação comercial.
Para a China, a iniciativa faz parte da tentativa de modernizar a chamada “economia do mar” e ampliar a produção de proteína por meio de sistemas mais tecnológicos.
A expressão “blue pastures”, usada em fontes chinesas para descrever esse segmento, resume a aposta em fazendas marinhas capazes de integrar engenharia naval, automação e criação intensiva de pescado.
Assim, a primeira colheita da Zhanjiang Bay 1 não confirma sozinha uma mudança imediata na oferta global de alimentos, mas demonstra uma etapa concreta de um modelo que a China tenta tornar replicável.
Seu impacto dependerá da regularidade das próximas capturas, da escala alcançada, dos custos de operação e da capacidade de manter qualidade, produtividade e segurança alimentar em mar aberto.

