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China arma escudo de painéis solares contra o avanço do deserto: projeto de 1 GW em Ningxia cria sombra para arbustos e goji, e plano oficial prevê 253 GW até 2030 para recuperar 7.000 km²

Escrito por Carla Teles
Publicado em 05/04/2026 às 21:34
Atualizado em 05/04/2026 às 21:37
China arma escudo de painéis solares contra o avanço do deserto projeto de 1 GW em Ningxia cria sombra para arbustos e goji, e plano oficial prevê 253 GW até 2030 para recuperar 7.000 km²
Avanço do deserto em Ningxia: painéis solares e energia solar criam sombra e ajudam a combater desertificação até 2030.
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O avanço do deserto virou alvo de um plano que usa painéis solares como sombra para arbustos e goji, preserva terra agrícola e promete recuperar 7.000 km².

O avanço do deserto no norte da China está ganhando um aliado improvável: milhares de painéis solares instalados sobre áreas áridas, formando uma espécie de cobertura que reduz a evaporação da umidade e cria um microambiente para plantas resistentes se fixarem.

Na região noroeste de Ningxia, uma instalação agro-solar de 1 gigawatt combina geração de energia com combate ao avanço do deserto, ao colocar arbustos e culturas como goji sob a sombra dos módulos, enquanto barreiras ao redor reduzem o vento e o deslocamento de areia.

Painéis solares como “mini guarda-chuvas” contra o avanço do deserto

Nos arredores de Yinchuan, trabalhadores podam arbustos de goji que se estendem sob a sombra de milhares de painéis solares. A lógica, segundo o vice-presidente da Ningxia Baofeng, Liu Yuanguan, é direta: os painéis funcionam como mini guarda-chuvas, projetando sombra sobre plantas e solo e reduzindo a evaporação da umidade.

Essa abordagem faz parte de uma rede que se expande pelo norte e oeste da China com o objetivo de deter e reverter o avanço do deserto usando o volume e a sombra das estruturas solares.

O projeto de 1 GW em Ningxia e a expansão para 30 GW

A instalação de 1 GW em Ningxia é operada pela Ningxia Baofeng, empresa descrita como um participante importante da indústria química do carvão. A companhia planeja construir 30 GW de geração solar, e parte desse total será usada para combater a desertificação, segundo Liu.

Ele também cita um projeto semelhante de 1 GW já em operação na cidade vizinha de Majiatan, reforçando que a estratégia não é um piloto isolado, mas um modelo que tende a se repetir.

Como o modelo funciona na prática: sombra, barreiras e tempo de resposta

A abordagem padrão descrita envolve três camadas. A primeira é a sombra dos painéis, que protege sementes e arbustos resistentes ao deserto instalados embaixo deles.

A segunda é o uso de barreiras ao redor dos locais, que reduzem a velocidade do vento e ajudam a impedir a movimentação da areia. A terceira é a paciência: segundo o governo de Ningxia, pode levar até cinco anos para que os resultados apareçam de forma clara.

O objetivo é pragmático: minimizar danos e estabilizar áreas vulneráveis, não eliminar desertos por completo.

Por que o avanço do deserto é um tema enorme na China

Aproximadamente um quarto da China é classificado como “desertificado”, e as campanhas para conter e recuperar as areias remontam à década de 1970. A energia solar entra como medida mais recente dentro desse conjunto.

Ela foi incluída em uma revisão de setembro do programa “Três Nortes”, iniciativa emblemática de combate à desertificação iniciada em 1978 e prevista para se estender até 2050, embora o conceito já apareça em documentos de planejamento desde 2021.

253 GW até 2030 e a meta de recuperar 7.000 km²

Apesar de projetos como o de Ningxia ainda serem uma parcela pequena do total de energia solar que a China instala todos os anos, Pequim anunciou planos para acelerar esse tipo de iniciativa.

Entre 2025 e 2030, o plano oficial prevê instalar 253 GW de energia solar para revitalizar cerca de 7.000 km², de acordo com a mídia estatal citando planos da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) e de outras duas agências.

Energia solar no deserto também preserva terra agrícola

Um componente importante da estratégia é onde colocar os painéis. Em 2023, a China promulgou normas que proíbem a instalação de painéis solares em terras aráveis, e a mídia estatal criticou projetos em áreas agrícolas de alta qualidade.

Ao deslocar esses empreendimentos para regiões desérticas e ressecadas, o país tenta atacar dois problemas ao mesmo tempo: gerar energia e enfrentar o avanço do deserto, sem competir com o uso agrícola do solo.

O progresso existe, mas é lento e exige trabalho contínuo

Os resultados em escala nacional mostram melhora pequena, porém consistente. As terras desertificadas representavam 26,8% da China no ano passado, uma redução em relação aos 27,2% de uma década antes, mesmo com programas massivos de plantio de árvores.

Em Baijitan, uma reserva natural a algumas horas de distância do local da Baofeng, décadas de trabalho recuperaram cerca de 800 km², um exemplo de que o avanço do deserto pode ser contido, mas raramente com velocidade.

A diretora do local, Wang Xiaoling, resume a ideia com realismo: controlar o deserto é uma guerra prolongada, e a expectativa é reduzir danos, não erradicar o problema por completo.

Você acha que usar painéis solares para frear o avanço do deserto é uma solução inteligente ou um paliativo que pode trazer novos problemas depois?

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Carla Teles

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