O valor não cobre só a obra dos quatro navios: o pacote de oito contratos inclui também o afretamento e os serviços ao longo de toda a vida útil das embarcações. Cada uma carregará robôs capazes de mergulhar a 4 mil metros, e a meta é que até 80% da construção seja feita com mão de obra e peças nacionais.
Cerca de 7 mil empregos devem surgir em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, com uma nova encomenda bilionária da Petrobras. A estatal fechou um pacote de contratos que soma R$ 11 bilhões para construir, no estaleiro catarinense Navship, quatro embarcações de propulsão híbrida equipadas com robôs submarinos, voltadas ao apoio das operações em águas profundas e ultraprofundas, como as do pré-sal.
O acordo foi assinado em 14 de maio de 2026, em evento com a empresa DOF Subsea Serviços, braço brasileiro da norueguesa DOF, e integra o Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota da Petrobras, dentro do Plano Estratégico 2026-2030 da companhia. Segundo a estatal, a expectativa é gerar aproximadamente 1,5 mil empregos diretos e 5,6 mil indiretos ao longo das fases de construção e operação dos navios.
O que os R$ 11 bilhões realmente cobrem
Vale um esclarecimento importante para entender corretamente o tamanho do investimento. Os R$ 11 bilhões não se referem apenas ao custo de construir os quatro navios. Trata-se de um pacote de oito contratos que abrange a construção das embarcações, o afretamento e a prestação de serviços de apoio submarino que esses navios vão realizar ao longo de toda a sua vida operacional, que costuma durar muitos anos.
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Ou seja, é um compromisso de longo prazo entre a Petrobras e a DOF, e não um cheque único para a obra. Essa distinção é relevante porque mostra que o valor se dilui em décadas de operação, embora o impacto imediato na economia de Navegantes, com a construção dos navios, já seja significativo. A contratação está alinhada à estratégia da estatal de ampliar sua capacidade operacional e fortalecer a cadeia de fornecedores nacionais.
Os navios com robôs que mergulham a 4 mil metros
As quatro embarcações serão do tipo RSV, sigla em inglês para ROV Support Vessel, ou navio de apoio a veículos operados remotamente. Elas são especializadas em atividades de inspeção, manutenção e reparo submarino, tarefas consideradas estratégicas para a continuidade das operações da Petrobras no mar. O grande destaque são os robôs submarinos, os ROVs, capazes de atuar em profundidades de até 4 mil metros.
Esses robôs são equipados com braços mecânicos, luzes e câmeras de alta precisão, que permitem manusear e montar equipamentos no fundo do mar, além de inspecionar e reparar tubulações, válvulas e conexões de poços de petróleo localizados a milhares de metros de profundidade. São justamente esses equipamentos que viabilizam a exploração em campos como os do pré-sal, onde as operações ocorrem em condições extremas, longe da costa e sob enorme pressão da água.
Propulsão híbrida e foco na redução de emissões
Outro diferencial dos navios é a tecnologia de propulsão híbrida, que combina baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental. Segundo a Petrobras, essa configuração permite maior eficiência energética, redução no consumo de combustível e menor emissão de gases de efeito estufa, em linha com as metas de descarbonização que a companhia vem perseguindo em suas operações.
A aposta em embarcações mais limpas reflete uma tendência do setor de petróleo e gás, pressionado a reduzir sua pegada de carbono mesmo nas atividades de apoio. Para o CEO da DOF, Mario Fuzetti, o projeto une investimento em tecnologia, redução de emissões e geração de empregos no Brasil, ao construir os barcos em território nacional em vez de importá-los prontos, o que mantém a riqueza e a qualificação da mão de obra no país.
O peso do conteúdo nacional
Um dos pontos mais valorizados pela Petrobras nesse contrato é o índice de conteúdo local. A meta é alcançar até 80% de conteúdo nacional na fase de construção das embarcações e cerca de 90% durante a operação dos navios. Na prática, isso significa que a maior parte das peças, dos materiais e dos serviços virá de empresas brasileiras, aquecendo toda uma cadeia produtiva ligada à indústria naval.
Segundo o gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha, a atual gestão da companhia ampliou o número de fornecedores por meio da simplificação de especificações técnicas, o que aumentou a competitividade e aqueceu o mercado naval, atraindo mais propostas qualificadas. Para a estatal, construir os navios no Brasil reduz a dependência do mercado internacional e fortalece a soberania produtiva do setor.
Navegantes consolidada como polo naval
Para Navegantes e toda a região do Vale do Itajaí, a geração de cerca de 7 mil empregos associados a um único contrato representa um impulso econômico que vai muito além dos portões do estaleiro. Os empregos diretos incluem soldadores, caldeireiros, eletricistas, engenheiros navais e técnicos especializados, enquanto os indiretos se espalham por toda a cadeia de fornecedores de componentes, materiais e serviços.
Esse não é um caso isolado na região. Navegantes vinha de outro anúncio recente da Petrobras, com a construção de seis navios e a abertura de cerca de 1,2 mil vagas no início do ano. Somados, esses projetos consolidam o litoral catarinense, ao lado de Itajaí, como um dos principais polos navais do país, atraindo investimentos bilionários e qualificando a mão de obra local para a indústria de alto valor agregado.
A nova encomenda da Petrobras a Navegantes é um exemplo de como os investimentos no setor de petróleo e gás podem irrigar a economia regional e fortalecer a indústria nacional, gerando milhares de empregos qualificados. Mais do que quatro navios com robôs submarinos, o contrato representa tecnologia de ponta, foco na redução de emissões e a consolidação de Santa Catarina como referência na construção naval brasileira, num momento de expansão das operações em águas profundas.
Você acha que investimentos como esse da Petrobras são o caminho para fortalecer a indústria naval e gerar empregos qualificados no Brasil? Mora na região de Navegantes e sente os efeitos desse boom no estaleiro? Deixe seu comentário, conte o que pensa sobre o futuro do setor naval catarinense e compartilhe a matéria com quem se interessa por petróleo, tecnologia e economia.

Moro aqui a pouco tempo e o que visto é uma gama muito grande de empresas naval…com esses anúncios até me interessei em trabalhar nessa área..vou pesquisa como se faz pra se qualificar..