O Sindgran anunciou que caminhoneiros autônomos de Santos, Guarujá e Cubatão farão greve de 24 horas a partir das 8h de quarta-feira no Porto de Santos. A paralisação é contra a cobrança pelo uso de pátios reguladores, que custa cerca de R$ 800 por dia e é considerada abusiva pela categoria.
Cerca de 5 mil caminhoneiros autônomos de Santos, Guarujá e Cubatão vão paralisar suas atividades por 24 horas a partir das 8h de quarta-feira, 25 de março, no Porto de Santos. O anúncio foi feito pelo Sindgran, o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas a Granel das três cidades. A greve dos caminhoneiros é contra a exigência de pagamento pelo uso dos pátios reguladores como condição para ingressar nas operações portuárias. O custo para permanecer 24 horas nesses pátios é de aproximadamente R$ 800, valor considerado abusivo pela categoria.
Segundo Poder360, o presidente do sindicato, José Cavalcanti, conhecido como Salgadinho, afirmou que a manifestação terá caráter pacífico e que os caminhoneiros não pretendem bloquear vias públicas. Segundo Salgadinho, se a paralisação de 24 horas não surtir efeito, os caminhoneiros podem parar por 48 ou 72 horas na próxima semana. A categoria tenta há cerca de 20 dias realizar reuniões com os terminais responsáveis pelas cobranças para solucionar o impasse, mas sem sucesso até agora.
O que são pátios reguladores e por que os caminhoneiros estão revoltados com a cobrança

Pátios reguladores são áreas de estacionamento localizadas nas proximidades de portos, terminais de carga ou grandes centros logísticos. A principal função desses locais é regular o fluxo de veículos pesados para evitar congestionamentos nas rodovias de acesso e filas nas avenidas urbanas.
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No Porto de Santos, os caminhoneiros são obrigados a utilizar esses pátios antes de acessar os terminais portuários. Sem passar pelo pátio regulador, o caminhão não entra na operação.
O problema é que o custo dessa permanência recai inteiramente sobre os caminhoneiros. Segundo o Sindgran, o valor cobrado chega a R$ 800 por um período de 24 horas.
Para muitos caminhoneiros autônomos, esse custo consome uma parcela significativa do frete e, em alguns casos, o motorista sequer consegue pagar o combustível da viagem de volta. O sindicato defende que quem deveria arcar com a cobrança são os terminais portuários, e não os transportadores.
Como será a greve dos caminhoneiros no Porto de Santos
A paralisação dos caminhoneiros começa às 8h de quarta-feira e está prevista para durar 24 horas. A mobilização acontecerá no Pátio Regulador de Cubatão, onde os caminhoneiros vão se concentrar em protesto contra a cobrança.
O sindicato garante que a manifestação será pacífica e ordeira, sem bloqueio de vias públicas. A expectativa é de que cerca de 5 mil caminhoneiros participem do ato.
Apesar do caráter pacífico anunciado, uma paralisação de milhares de caminhoneiros no maior porto da América Latina tem potencial de causar transtornos logísticos.
O Porto de Santos movimenta mais de 170 milhões de toneladas por ano e é responsável por cerca de 27% do comércio exterior brasileiro. Qualquer interrupção no fluxo de caminhoneiros afeta diretamente a entrada e saída de mercadorias, com impacto sobre exportações de commodities como soja, açúcar e café.
A ameaça de extensão: caminhoneiros podem parar por 48 ou 72 horas
Se a greve de 24 horas não resultar em negociação, os caminhoneiros já avisaram que podem estender a paralisação. Salgadinho declarou que a categoria está preparada para parar por 48 ou 72 horas na próxima semana caso as demandas não sejam atendidas.
A escala do movimento preocupa autoridades e operadores portuários, já que uma paralisação prolongada pode gerar acúmulo de cargas nos terminais e atrasos em contratos de exportação.
A história recente do Brasil mostra que paralisações de caminhoneiros podem ter efeitos em cadeia sobre toda a economia. Em 2018, a greve nacional de caminhoneiros paralisou o país por mais de dez dias e causou desabastecimento generalizado.
Embora a mobilização atual seja regional e focada no Porto de Santos, a ameaça de extensão para 48 ou 72 horas eleva o nível de atenção. Os caminhoneiros afirmam que estão abertos ao diálogo, mas que há 20 dias tentam reuniões sem resposta dos terminais.
O impasse entre caminhoneiros e terminais portuários: quem deve pagar pelo pátio
O núcleo da disputa é simples: os caminhoneiros consideram que a cobrança pelo uso dos pátios reguladores deveria recair sobre os terminais portuários, não sobre os transportadores.
Na visão do sindicato, os pátios reguladores existem para organizar o fluxo dos terminais e, portanto, são parte da infraestrutura portuária. Transferir esse custo para os caminhoneiros autônomos, que já operam com margens apertadas, é visto pela categoria como uma transferência injusta de despesas.
Os terminais, por outro lado, argumentam que os pátios reguladores são serviços oferecidos por empresas terceirizadas e que a cobrança é uma prática de mercado. Até o momento, os terminais não responderam aos pedidos de reunião feitos pelo Sindgran nos últimos 20 dias.
A falta de diálogo é o que levou os caminhoneiros a optarem pela paralisação como último recurso. Se nenhuma negociação ocorrer até quarta-feira, a greve seguirá conforme anunciado e a possibilidade de extensão se tornará cada vez mais concreta.
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