O presidente do conselho do Grupo Guararapes, Flávio Rocha, controlador da Riachuelo, afirmou nesta sexta-feira (17) que chamar de “taxa das blusinhas” o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 é um erro. Para o empresário, o nome correto seria “incentivo chinês”, já que revogar a cobrança beneficiaria diretamente plataformas como Shein e Shopee em detrimento da indústria e do varejo brasileiros.
A declaração foi dada em entrevista à coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, e acontece no momento em que o governo federal discute abertamente a possibilidade de revogar ou reduzir o tributo antes das eleições de outubro. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, tem defendido que o impacto fiscal da reversão seria “administrável”. O ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, também apoia a medida como forma de melhorar a percepção de renda da população.
A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, como parte do programa Remessa Conforme. Conforme a Folha de S. Paulo, as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas, passaram a pagar 20% de imposto de importação. Para valores entre US$ 50 e US$ 3 mil, a alíquota chega a 60%, com desconto fixo de US$ 20, além do ICMS estadual de 17% a 20%. Em 2025, o governo arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões com esse tributo. Em 2024, foram R$ 2,88 bilhões.
Por que a Riachuelo é contra a revogação?
Pesquisa do BTG Pactual mostra que, mesmo com a taxa em vigor, a Shein ainda é 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Renner e 13% mais em conta que a C&A numa cesta comparável de oito produtos.
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Sem a taxa, essa diferença voltaria aos patamares de 2023, quando a concorrência das plataformas asiáticas derrubou vendas e fechou lojas no varejo brasileiro.
Os números do segundo trimestre de 2025, primeiro período completo após a taxação, mostram o impacto positivo da medida para o varejo nacional:
A Riachuelo teve lucro de R$ 143 milhões (alta de 151%), a C&A lucrou R$ 200 milhões (alta de 139%) e a Renner registrou R$ 404,5 milhões (alta de 28%).
Revogar a taxa colocaria esses resultados em risco.
Do outro lado, pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostra que 62% dos brasileiros consideram a taxa das blusinhas um erro do governo, contra 30% que a aprovam.
Dados da Plano CDE indicam que o consumo de importados pelas classes C, D e E caiu 35% entre junho de 2024 e abril de 2025, período que coincide com a entrada em vigor da cobrança. Para famílias de baixa renda, a taxa encareceu produtos que antes eram acessíveis.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad já havia dito que a decisão de taxar foi dos governadores, não do presidente Lula, e que teve aprovação unânime no Congresso.
Com a saída de Haddad do ministério, a ala política do governo ganhou espaço para propor a revogação.
Há dois projetos de lei tramitando na Câmara para acabar com a taxa, um de Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e outro de Kim Kataguiri (União-SP).
Com eleições em outubro e popularidade em queda, o governo enfrenta um dilema: manter a taxa protege a indústria e o emprego brasileiro, mas irrita 62% dos eleitores.
Revogar agrada o consumidor, mas pode devastar o varejo nacional. Comenta aí: você é a favor ou contra a taxa das blusinhas?

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