Imagens de satélite obtidas pela Reuters nos dias 10 e 11 de abril de 2026 mostram que a China instalou uma barreira flutuante de 352 metros na entrada do Scarborough Shoal, no Mar do Sul da China, além de posicionar quatro barcos pesqueiros, navios da guarda costeira e pelo menos seis embarcações da milícia marítima chinesa dentro e ao redor do recife disputado com as Filipinas.
O porta-voz da Guarda Costeira filipina, Jay Tarriela, confirmou à Reuters que a barreira foi colocada entre os dias 10 e 11 de abril. A Marinha das Filipinas informou que dez navios da guarda costeira chinesa foram avistados no local entre 5 e 12 de abril. A China aparentemente removeu a barreira após o fim de semana, mas as Filipinas mantêm patrulhas na área. A provedora de imagens de satélite Vantor, antiga Maxar Technologies, identificou a presença provável de um navio de patrulha naval ou da guarda costeira chinesa logo na entrada do recife em 10 de abril. O Ministério da Defesa da China não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.
Não é a primeira vez que Pequim usa barreiras flutuantes na região, segundo a Reuters. A Guarda Costeira filipina já cortou barreiras semelhantes no passado, mas a instalação repetida demonstra a estratégia chinesa de criar fatos consumados no terreno, forçando Manila a reagir em vez de agir. Segundo Tarriela, os chineses intensificam a vigilância sempre que detectam grupos de pescadores filipinos se aproximando do recife.
Por que esse recife importa para o mundo?
O Scarborough Shoal é uma das áreas marítimas mais disputadas da Ásia e um ponto de pesca tradicional para chineses, filipinos e vietnamitas.
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Fica inteiramente dentro da zona econômica exclusiva das Filipinas, mas está sob controle efetivo da China desde 2012, quando Pequim tomou o recife após um confronto naval com Manila.
Em 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu que o bloqueio chinês violava o direito internacional, mas a China ignorou a decisão e nunca reconheceu a jurisdição do tribunal.
No ano passado, Pequim foi além e criou uma reserva natural no local, o que autoridades de segurança filipinas chamaram de “pretexto claro para ocupação permanente”.
Manila também acusa a China de operar navios da chamada milícia marítima disfarçados de pesqueiros no Scarborough e em outras áreas disputadas, algo que Pequim nunca admitiu publicamente.
EUA distraídos com o Irã, China avança no Pacífico
A movimentação acontece num momento em que diplomatas e analistas temem que Pequim esteja aproveitando a distração dos EUA com o conflito no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz para consolidar posições no Mar do Sul da China.
Os Estados Unidos mantêm mais de 50 mil militares no Oriente Médio e estão enviando mais 10 mil reforços para a região, incluindo o grupo do porta-aviões USS George H.W. Bush e 4.200 fuzileiros do USS Boxer.
Com a atenção de Washington voltada para o Golfo Pérsico, Pequim encontra uma janela para agir com menor risco de confronto direto.
Em resposta, milhares de tropas americanas e filipinas iniciam exercícios militares conjuntos neste mês em todo o arquipélago filipino, incluindo a província de Zambales, cuja costa fica a apenas 120 milhas náuticas do Scarborough Shoal.
Em janeiro de 2026, as Marinhas dos EUA e das Filipinas realizaram o 11º exercício conjunto no próprio recife, uma demonstração de força que a China vê como provocação.
O Mar do Sul da China é uma das rotas marítimas mais movimentadas do planeta, por onde passam trilhões de dólares em comércio anual, incluindo boa parte do petróleo e gás natural que abastece o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan.
Enquanto o mundo inteiro olha para Ormuz, a China avança silenciosamente no outro lado do mapa, criando barreiras físicas que transformam disputas diplomáticas em realidade no terreno.
Comenta aí: os EUA conseguem manter dois fronts ao mesmo tempo, ou a China está vencendo essa partida no silêncio?

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