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Espanha coloca 9 bisões em área cercada de 400 hectares para testar uma nova barreira contra o fogo, mas cientistas alertam que, ainda que controlem o mato, não há provas de que os animais consigam reduzir grandes incêndios

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 10/07/2026 às 16:24 Atualizado em 10/07/2026 às 16:28
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Nove bisões são monitorados em área de 400 hectares na Espanha para avaliar efeitos sobre a vegetação, a biodiversidade e o risco de incêndios florestais
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Cinco fêmeas e quatro machos vivem desde janeiro em uma área cercada no interior da Espanha, onde pesquisadores acompanham dieta, deslocamentos e mudanças na vegetação. A proposta é descobrir se o maior mamífero terrestre da Europa pode ajudar a recuperar áreas abandonadas e reduzir o combustível disponível para incêndios florestais.

Nove bisões-europeus passaram a ocupar, em janeiro de 2026, uma área de mata pública no município de El Recuenco, na província de Guadalajara, Espanha. Os animais fazem parte de um experimento que pretende medir seus efeitos sobre a vegetação, a biodiversidade e o risco de propagação de incêndios.

A manada não foi solta pelas ruas nem circula livremente fora da área do projeto. Os cinco machos e quatro fêmeas vivem em semiliberdade dentro de 400 hectares cercados, são acompanhados por GPS e permanecem sob observação de profissionais em campo. A pesquisa é conduzida pela Rewilding Spain com universidades do País Basco, Manchester e Aarhus.

El Recuenco possui cerca de 80 moradores registrados, mas a população permanente cai para aproximadamente 20 pessoas durante o inverno. Com o desaparecimento da pecuária extensiva na região, arbustos, gramíneas secas e outras plantas passaram a se acumular em áreas que antes eram utilizadas por rebanhos.

A aposta é fazer com que os bisões assumam parte dessa função. Eles comem, quebram e pisoteiam a vegetação, abrindo espaços no terreno e alterando a quantidade de biomassa disponível. Isso pode dificultar a continuidade do fogo, mas os responsáveis evitam apresentar a experiência como uma solução pronta.

A manada chegou aclimatada, mas seu comportamento será comparado ao de bisões de várias partes da Europa

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Os animais levados para El Recuenco vieram de uma propriedade em El Espinar, na província de Segóvia. Os adultos haviam chegado anteriormente da Polônia e dos Países Baixos, enquanto os exemplares mais jovens nasceram em território espanhol.

Depois de um período inicial em um recinto menor, a manada começou a percorrer a área experimental. Os pesquisadores recolhem fezes para analisar hormônios, imunoglobulinas e fragmentos de DNA das plantas consumidas, método que permite reconstruir a dieta sem capturar continuamente os animais.

O trabalho também compara trechos de mata sem intervenção com áreas que passaram por desbaste antes da chegada dos bisões. Dessa forma, será possível verificar se o pastoreio mantém os espaços abertos e impede que os arbustos recuperem rapidamente o volume anterior.

O consumo de vegetação lenhosa explica por que os bisões entraram no plano contra o fogo

O princípio utilizado em El Recuenco já é conhecido em programas de prevenção com cabras, ovelhas e bovinos. Ao consumir vegetação em locais estratégicos, os rebanhos ajudam a conservar faixas com menor carga de combustível, usadas para reduzir a velocidade e a intensidade das chamas.

Uma pesquisa realizada em La Rioja, também na Espanha, analisou um programa que combinava retirada de arbustos e pecuária extensiva. O estudo encontrou redução da biomassa combustível, do número de incêndios e da área queimada, embora os resultados tenham vindo de um conjunto de medidas e não apenas da presença de animais.

Os bisões chamam atenção porque sua alimentação não se limita às gramíneas. Um estudo publicado em 2024 na revista Biodiversity and Conservation, realizado com animais na Serra de Andújar, encontrou componentes lenhosos em 52% dos fragmentos vegetais identificados nas fezes dos bisões.

Naquele levantamento, os animais consumiram mais plantas lenhosas durante o outono e o inverno e aumentaram a ingestão de gramíneas no verão. Os pesquisadores também registraram o consumo de aroeira, espécie arbustiva inflamável presente em ambientes mediterrâneos, mas reconheceram que o manejo da propriedade incluía suplementação alimentar durante parte do ano.

Isso impede que os dados de Andújar sejam simplesmente transferidos para El Recuenco. Cada área possui clima, relevo, disponibilidade de água, composição vegetal e densidade de animais diferentes, fatores que alteram diretamente o resultado do pastoreio.

Os primeiros meses indicam adaptação, mas ainda não mostram redução dos incêndios

Em 4 de julho de 2026, o biólogo Diego Rodríguez, responsável pelo monitoramento da região, informou que os nove animais haviam percorrido repetidamente os 400 hectares e ganhado peso desde a chegada. O aumento corporal foi interpretado como sinal inicial de que encontraram alimento suficiente e se adaptaram ao ambiente.

Nenhuma dessas observações comprova que o projeto já reduziu o risco de fogo. As conclusões dependerão da comparação de dados sobre cobertura vegetal, estrutura dos arbustos, espécies presentes e quantidade de material combustível ao longo de diferentes estações. O experimento também servirá de base para duas teses de doutorado ligadas às universidades de Manchester e do País Basco.

O tamanho da área ajuda a entender a limitação. Nove animais distribuídos por 400 hectares representam, em média, um bisonte para pouco mais de 44 hectares, embora a manada não utilize o terreno de maneira uniforme.

Zonas próximas à água, trechos com alimento abundante e locais usados para descanso podem receber mais pressão. Outras partes da propriedade podem permanecer quase intactas, razão pela qual o rastreamento por GPS será cruzado com as alterações observadas no solo e na vegetação.

A discussão científica começa antes mesmo de aparecerem os resultados

A presença do bisonte-europeu na Península Ibérica provoca uma disputa que ultrapassa o projeto de Guadalajara. Uma das questões é histórica, pois fósseis confirmam a existência de outras espécies de bisões na região, mas não há consenso sobre a ocorrência passada do atual Bison bonasus.

Em 2024, cerca de 40 pesquisadores ligados a 25 universidades publicaram um artigo contrário à introdução do animal na Espanha como espécie silvestre. O grupo argumentou que o bisonte-europeu não teria vantagem comprovada sobre herbívoros nativos ou domésticos na limpeza do terreno e poderia depender de água, alimentação complementar e atendimento veterinário para enfrentar verões quentes e secos.

Os defensores respondem que o objetivo não precisa ser reconstruir exatamente a fauna do passado. Para eles, a questão prática é descobrir se um grande herbívoro pode desempenhar funções ecológicas perdidas após o abandono da pecuária e contribuir para manter paisagens mais abertas.

Também existem indícios de efeitos positivos sobre a diversidade vegetal fora da Espanha. Um estudo de oito anos realizado em florestas europeias encontrou aumento na riqueza de plantas vasculares em áreas ocupadas por bisões, sobretudo em bosques de carvalho com vegetação rasteira abundante. O mesmo efeito não apareceu em florestas fechadas de faia, mostrando que o resultado depende do tipo de ambiente.

Essa diferença ajuda a explicar por que os dados de El Recuenco serão relevantes. O projeto poderá confirmar benefícios locais, revelar impactos indesejados ou mostrar que a quantidade de animais é insuficiente para modificar a paisagem em escala capaz de influenciar o comportamento do fogo.

Bisões podem ajudar no manejo, mas não substituem aceiros, vigilância e equipes de combate

Mesmo que a manada reduza arbustos e gramíneas, nove animais não impedem a ignição de um incêndio. Raios, queimadas irregulares, falhas elétricas, máquinas e ações humanas continuam capazes de iniciar o fogo, principalmente durante períodos de calor, vento forte e baixa umidade.

O pastoreio também precisa ser controlado. Uma pressão excessiva pode compactar o solo, eliminar plantas desejáveis e favorecer erosão; uma pressão muito baixa pode produzir alterações pequenas demais para reduzir a continuidade da vegetação combustível.

Por isso, a experiência espanhola deve ser entendida como uma peça dentro do manejo florestal. Limpeza mecânica, faixas de proteção, monitoramento meteorológico, acesso para brigadas, fiscalização e planejamento territorial continuam necessários, mesmo em áreas ocupadas por grandes herbívoros.

O resultado mais relevante pode não ser descobrir se os bisões “apagam incêndios”, mas medir quanto mato eles retiram, quais plantas consomem, onde concentram seus movimentos e quanto custa manter a operação. Somente esses números permitirão decidir se o modelo pode ser ampliado ou se cabras, bovinos e outras formas de manejo entregariam resultados melhores.

Você considera razoável usar grandes animais para controlar a vegetação em áreas abandonadas ou acredita que os riscos superam os possíveis benefícios? Deixe sua opinião nos comentários e conte se uma iniciativa semelhante poderia funcionar em regiões brasileiras atingidas por incêndios florestais.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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