Presidente da Gerdau alerta sobre impactos da concorrência chinesa no mercado brasileiro de aço e cobra medidas urgentes do governo para proteger empregos, produção local e garantir condições iguais de competição.
O diretor-presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a indústria brasileira do aço enfrenta uma “concorrência desleal da China” e cobrou do governo federal medidas de defesa comercial para restabelecer condições iguais de competição.
A declaração foi feita em entrevista nesta sexta-feira (8) ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Segundo ele, a entrada de produtos subsidiados tem pressionado preços, ameaçado empregos e reduzido investimentos no país.
-
Herdeiro trabalhou aos treze anos em fábrica de sorvete sem revelar ser filho do dono; hoje, aos vinte e cinco, lidera a marca de sorvete para consumo doméstico mais vendida do Nordeste, fatura quase R$ 300 milhões, tem 145 lojas e enfrenta multinacionais com sabores regionais
-
Fabricante gaúcha de fechaduras investe R$ 150 milhões para superar R$ 1 bilhão em faturamento, criar 200 empregos e dobrar armazenagem, enquanto escolhe Santa Catarina para instalar novo centro logístico e acelerar entregas no Sul do Brasil
-
Neymar muda o patamar do Nordeste com megaprojeto bilionário de 28 empreendimentos de luxo, 100 km de praias azul-turquesa, 10 residenciais já em obras, mansões milionárias à beira-mar, arena esportiva exclusiva e previsão de movimentar impressionantes R$ 7,5 bilhões em Pernambuco e Alagoas
-
Primo de Luciano Hang deixou a Havan após quase uma década, apostou em imóveis e hoje gere R$ 6 bilhões em lançamentos; empresário que só recebe quando vende diz ter esgotado prédio inteiro em Santa Catarina em apenas 45 minutos
“A gente não precisa de nenhum tipo de proteção, de benesse do governo. O que a gente tem pedido é que o governo coloque condições isonômicas para a gente poder competir”, disse Werneck.
Para o executivo, o cenário exige resposta urgente das autoridades brasileiras.
Por que a Gerdau fala em concorrência desleal da China
O executivo sustenta que a concorrência desleal da China deriva de subsídios e de um excedente global de capacidade produtiva.
Ele citou o caso do vergalhão, insumo usado na construção civil.
De acordo com Werneck, a demanda brasileira é de cerca de 4 milhões de toneladas, enquanto a China teria capacidade instalada de aproximadamente 400 milhões de toneladas.
“Apenas 1% da capacidade instalada da China seria suficiente para suprir toda a demanda brasileira”, afirmou.
Em sua visão, essa assimetria distorce preços internos e fragiliza a indústria local.

A discussão não é nova, mas ganha intensidade quando importações de aço da China aumentam a participação no mercado, pressionando margens e a utilização das usinas nacionais.
Como esse movimento afeta o emprego e o investimento produtivo?
Werneck argumenta que fábricas são obrigadas a reduzir turnos, adiar projetos e reavaliar estratégias.
Impacto no mercado brasileiro de aço
A concorrência desleal da China tem efeitos em cadeia, segundo o CEO.
Construtoras e distribuidores negociam com base em preços de referência global, enquanto a indústria local arca com custos de energia, tributos e logística do Brasil.
Nesse contexto, importações de aço da China chegariam com valores que empresas nacionais consideram incompatíveis com condições normais de mercado.
Para o consumidor final, a queda momentânea de preços pode parecer positiva.
Mas o que ocorre quando a concorrência doméstica encolhe?
Werneck alerta que, sem equilíbrios mínimos, o país tende a perder capacidade produtiva, tecnologia e empregos qualificados.
O que são os mecanismos de defesa comercial
O executivo pediu aplicação de “mecanismos legais de defesa comercial, aprovados pela OMC”.
Essas ferramentas incluem medidas antidumping (quando há venda abaixo do valor justo), direitos compensatórios (contra subsídios considerados indevidos) e salvaguardas (quando há aumento súbito de importações que causa ou ameaça causar prejuízo grave à indústria doméstica).
São instrumentos previstos nas regras multilaterais para corrigir distorções, mediante investigação técnica e prazos definidos.
Werneck declarou que, “do nosso ponto de vista, falta uma tomada de decisão. Todos os elementos estão na mesa”.
A avaliação dele é que importações de aço da China precisam ser analisadas com rigor para que, se confirmadas as distorções, as medidas adequadas sejam adotadas.
Quais providências cabem às empresas e quais cabem ao Estado?
Pelos procedimentos da OMC, cabe ao governo abrir investigações e decidir sobre eventual aplicação das medidas, após ouvir todos os lados.
Operações nos Estados Unidos e a leitura da desglobalização
Além do efeito das importações de aço da China no Brasil, Werneck abordou o ambiente internacional.
Ele afirmou que a Gerdau opera há quase 40 anos nos Estados Unidos como empresa local e que “mais de 60% do resultado da Gerdau vem de lá”.
Segundo o executivo, a companhia decidiu diversificar geografias e “não acredita mais na facilidade de exportar”, à luz do que chamou de desglobalização e de políticas industriais adotadas em grandes economias.
“A gente opera como empresa americana”, disse.
Para ele, a reindustrialização dos Estados Unidos tem favorecido operações situadas no próprio território, o que reduz incertezas comuns a fluxos de comércio internacional.
Essa estratégia, argumenta, atenua choques domésticos enquanto o Brasil debate concorrência desleal da China e respostas do poder público.
Emprego, cortes e ambiente de negócios
Werneck também comentou o corte de 1.500 empregos anunciado recentemente.
A medida, segundo ele, não se relaciona a tarifas internacionais, mas ao ambiente de negócios no Brasil.
Ele disse que a companhia mantém o compromisso com o país, ainda que com “muita cautela” diante de custos e incertezas.
“De forma alguma a gente vai deixar de investir no Brasil, mas o ambiente de negócios vem se deteriorando ao longo do tempo”, afirmou.
Essa leitura coloca a concorrência desleal da China como parte de um quadro mais amplo, que envolve custos estruturais, segurança regulatória e credibilidade das regras.
Sem previsibilidade, planos industriais sofrem revisões e cronogramas são postergados.
A consequência prática é conhecida: menos máquinas ligadas, menos encomendas e pressão adicional sobre empregos.

Relações com EUA e BRICS
Questionado sobre geopolítica e comércio, o CEO defendeu uma postura equilibrada do governo brasileiro nas relações com os Estados Unidos e com o bloco dos BRICS — acrônimo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
“A gente não acredita que convicções políticas deveriam ser impeditivo para relações comerciais. Não dá para não ter uma relação comercial intensa com os Estados Unidos”, disse.
A fala busca separar alinhamentos políticos de decisões econômicas e realça a necessidade de previsibilidade nas regras de comércio.
Nesse tabuleiro, importações de aço da China e exigências de conteúdo local em mercados desenvolvidos compõem variáveis que a indústria brasileira precisa acompanhar de perto.
Como calibrar incentivos domésticos sem ferir compromissos internacionais?
O debate passa por produtividade, infraestrutura, energia, financiamento e, novamente, pela aplicação de mecanismos de defesa comercial quando houver base técnica.
Vínculo histórico com Pernambuco
Ao final, Werneck lembrou a presença da Gerdau em Pernambuco, onde a companhia investiu cerca de R$ 250 milhões nos últimos anos.
Segundo ele, a compra, em 1969, de um empreendimento do grupo Brennand marcou a expansão para além do Rio Grande do Sul.
“Em 1973, a gente começou a produzir pregos aqui na cidade do Recife”, recordou.
O histórico foi citado para ilustrar a visão de longo prazo da empresa no país, apesar das turbulências atuais e do choque oriundo da concorrência desleal da China.
Na sua opinião, o Brasil deve priorizar medidas de defesa comercial imediatas contra importações de aço da China ou investir primeiro em reformas para reduzir custos internos da indústria?

-
1 pessoa reagiu a isso.