Giovane Turatti, morador de Araranguá, em Santa Catarina, consertou a bateria de um Tesla Model X que especialistas consideravam irreparável no Brasil, evitando um prejuízo de R$ 150 mil. O eletricista industrial com 26 anos de experiência já havia construído um carro elétrico artesanal com baterias reaproveitadas de notebooks e controle por videogame. Agora, a procura por seus serviços dispara.
O especialista que realizou um reparo inédito em um Tesla no Brasil não é engenheiro formado em uma universidade de elite nem funcionário de uma montadora multinacional. Giovane Turatti é um eletricista industrial de Araranguá, no Sul de Santa Catarina, com 26 anos de experiência prática que acumulou consertando equipamentos, estudando baterias e construindo projetos que outros considerariam impossíveis. Quando a bateria de um Tesla Model X pertencente ao empresário Alexandre Brullinger, o “Xandão”, foi danificada, as únicas soluções apresentadas foram importar uma bateria nova ou enviar o veículo ao exterior, opções que custariam cerca de R$ 150 mil. Turatti aceitou o desafio, abriu o módulo, identificou as células comprometidas e realizou a substituição individual, resolvendo o problema por uma fração do custo.
O reparo no Tesla colocou Turatti em evidência nacional, mas quem conhece sua trajetória não ficou surpreso. Antes de tocar em um Tesla, ele já tinha montado um carro elétrico a partir de um modelo Cherokee usando baterias reaproveitadas de notebooks, um veículo funcional que ganhou um detalhe que resume a personalidade do criador: podia ser controlado com um controle de videogame. “Se for um projeto normal, parece que não tem graça. Tem que ser algo desafiador”, resume Turatti, que transformou a necessidade de ocupar a mente após deixar a indústria em uma carreira de inovação automotiva que ninguém planejou.
O reparo no Tesla que ninguém no Brasil sabia fazer
O caso que tornou Turatti conhecido envolveu o conserto da bateria de um Tesla Model X, um dos veículos elétricos mais sofisticados do mercado. Quando a bateria foi danificada, oficinas e especialistas consultados no Brasil disseram que o reparo era inviável no país, e as alternativas se limitavam a importar um módulo novo ou despachar o carro para o exterior. O custo estimado de qualquer uma dessas opções girava em torno de R$ 150 mil, um prejuízo que o proprietário queria evitar.
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Turatti abordou o problema com a mentalidade de quem passou décadas resolvendo falhas em equipamentos industriais. Ele abriu o módulo de bateria do Tesla, identificou individualmente as células que estavam comprometidas e realizou a substituição uma a uma, um procedimento que exige conhecimento profundo sobre química de baterias de lítio, solda de precisão e arquitetura dos módulos de energia que alimentam veículos elétricos. O resultado foi um Tesla funcionando novamente com custo muito inferior ao da substituição completa, e um eletricista de Araranguá que provou que expertise prática pode resolver o que diplomas formais não conseguiram.
O carro elétrico com baterias de notebook e controle de videogame
Segundo informações do portal ndmais, antes de virar notícia por consertar um Tesla, Turatti já colecionava projetos que desafiam o convencional. Ele montou um carro elétrico a partir de um modelo Cherokee, utilizando baterias reaproveitadas de notebooks como fonte de energia, demonstrando que a criatividade e o conhecimento técnico podem transformar sucata em veículo funcional. O projeto não usou componentes novos de alto custo, mas sim materiais que a maioria das pessoas descartaria sem pensar.
O detalhe mais surpreendente do carro elétrico de Turatti é o sistema de controle por videogame. O veículo podia ser operado com um controle de console, uma funcionalidade que não tem aplicação prática imediata, mas que demonstra domínio sobre sistemas de controle eletrônico que são a base da operação de qualquer veículo elétrico moderno, incluindo o Tesla que ele viria a consertar anos depois. Para Turatti, cada projeto é uma escola: “Eu estudo o que preciso. Se aparece uma tecnologia nova, vou atrás e aprendo aquilo.”
A trajetória de 26 anos que preparou Turatti para consertar um Tesla

A capacidade de Turatti para abrir uma bateria de Tesla e substituir células individuais não surgiu do nada. Natural de Joinville e criado em Araranguá, ele começou a trabalhar ainda adolescente e acumulou cerca de 26 anos de experiência como eletricista industrial, com formação em eletromecânica e diversos cursos técnicos. Ao longo de mais de duas décadas na indústria, ele lidou com sistemas elétricos complexos que exigem precisão e conhecimento profundo sobre circuitos, baterias e componentes eletrônicos.
A saída da indústria foi involuntária, mas transformadora. “Eu vivia sob pressão o tempo todo. Quando parei, senti uma ansiedade grande e precisei criar algo para ocupar a cabeça”, conta Turatti. Foi nesse período de transição que ele passou a investir em projetos próprios e a se aprofundar em baterias, um campo que se tornaria sua especialidade. A experiência acumulada na indústria, combinada com a liberdade criativa de trabalhar por conta própria, criou as condições para que ele pudesse fazer o que ninguém mais no Brasil conseguiu quando o Tesla apareceu com a bateria danificada.
O que Turatti faz além de consertar o Tesla
Atualmente, Turatti atua no desenvolvimento e manutenção de equipamentos tecnológicos, com foco principal em drones e baterias para diferentes aplicações. Sua área de atuação cobre desde veículos elétricos até equipamentos agrícolas, passando por qualquer dispositivo que dependa de baterias para funcionar. “Tudo que envolve bateria é minha área. Se precisar montar uma do zero, eu faço”, afirma com a segurança de quem já provou o que diz.
Turatti também esteve ligado à incubadora tecnológica de Araranguá, onde desenvolvia projetos e utilizava o espaço como vitrine para suas criações. Após o reparo no Tesla, a procura pelos serviços aumentou significativamente, especialmente para consertos em veículos elétricos e projetos personalizados. “Passei a vida inteira fazendo manutenção e, de repente, um trabalho ganha toda essa visibilidade. É gratificante”, diz, reconhecendo que o caso do Tesla foi o catalisador que transformou décadas de experiência silenciosa em reconhecimento público.
Os planos de Turatti após o reparo que o colocou no mapa
Mesmo com a demanda crescente, Turatti mantém o foco em inovação e já pensa nos próximos passos. Entre os objetivos está desenvolver produtos próprios e ampliar soluções tecnológicas acessíveis que possam ser comercializadas em escala. “O sonho é criar algo que vá para o mercado e cresça de verdade”, projeta, demonstrando que o reparo no Tesla foi um ponto de virada, não um destino final.
A história de Turatti é a de um profissional que transformou experiência prática em capacidade de resolver problemas que especialistas com recursos muito maiores não conseguiram. Em um país onde a manutenção de veículos elétricos como o Tesla ainda depende de importação de peças e envio ao exterior, um eletricista de Araranguá com baterias de notebook e um controle de videogame provou que o conhecimento mais valioso nem sempre vem com diploma, às vezes vem com 26 anos de mão na massa e a coragem de abrir o que ninguém mais ousou abrir.
Um catarinense consertou um Tesla que ninguém no Brasil sabia reparar e já tinha construído um carro elétrico controlado por videogame. Você conhece alguém com esse tipo de talento prático? Acha que o Brasil precisa de mais profissionais assim? Conte nos comentários.

É nóis. A Tesla poderia/deveria contratar o Turatti. Vai levar uma experiência de 26 anos.