1. Início
  2. Construção
  3. Com braços robóticos guiados por software, concreto especial e o sistema BOD2 da COBOD, países da Europa e Dubai já imprimem casas habitáveis em até 48 horas, inaugurando uma nova era de construção rápida sem formas e sem desperdício
Faça um comentário 6 min de leitura

Com braços robóticos guiados por software, concreto especial e o sistema BOD2 da COBOD, países da Europa e Dubai já imprimem casas habitáveis em até 48 horas, inaugurando uma nova era de construção rápida sem formas e sem desperdício

Imagem de perfil do autor Débora Araújo
Escrito por Débora Araújo Publicado em 14/01/2026 às 12:58
Assista o vídeoCom braços robóticos guiados por software, concreto especial e o sistema BOD2 da COBOD, países da Europa e Dubai já imprimem casas habitáveis em até 48 horas, inaugurando uma nova era de construção rápida sem formas e sem desperdício
Com braços robóticos guiados por software, concreto especial e o sistema BOD2 da COBOD, países da Europa e Dubai já imprimem casas habitáveis em até 48 horas, inaugurando uma nova era de construção rápida sem formas e sem desperdício
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Robôs de impressão 3D erguem casas habitáveis em até 48 horas com concreto especial e o sistema COBOD BOD2, mudando a construção na Europa e em Dubai.

Quando se fala em “impressão 3D”, a maior parte das pessoas ainda imagina peças pequenas de plástico, próteses médicas ou componentes fabricados em laboratórios. No entanto, segundo reportagens da BBC, The Guardian e comunicados oficiais da COBOD International — empresa dinamarquesa líder global em impressão 3D para construção — essa tecnologia já está em escala de edifícios habitáveis na Europa, no Oriente Médio e na América do Norte. A transição deixou de ser um experimento e se tornou um setor reconhecido: há casas, escolas, edifícios administrativos, sede de empresas de energia e até bairros inteiros sendo planejados com esta abordagem.

Esse salto tecnológico não aconteceu em um vácuo. Ele é resultado de uma combinação rara: braços robóticos de grande porte, concreto especialmente formulado, softwares de precisão e logística de obra adaptada, tudo orquestrado pelo sistema BOD2 da COBOD, que centralizou o conceito de “impressão de estruturas” no mundo. A partir de 2018, quando os primeiros projetos habitáveis foram divulgados, começaram a surgir tempos recordes: paredes e divisões internas levantadas em até 48 horas, sem fôrmas de madeira, sem escoramentos metálicos e com desperdício próximo de zero.

Como funciona a impressão 3D de uma casa

Em vez de um trabalhador moldar paredes tijolo a tijolo, um braço robótico percorre o perímetro da obra seguindo um arquivo digital BIM/CAD. Esse robô possui um bico extrusor conectado a uma betoneira especial. O material — um tipo de concreto extrudável de alta tixotropia — sai em camadas, solidificando rapidamente e permitindo que novas camadas sejam adicionadas sem desmoronar.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Isso elimina fôrmas, pilares convencionais e etapas intermediárias. As paredes formam cavidades internas que podem ser preenchidas com isolamento térmico, reforços ou passagem de conduítes. O que antes exigia uma equipe grande, serras, andaimes, martelos, fôrmas e bastante descarte, agora exige software + logística + supervisão técnica.

O que é o BOD2 e por que virou referência mundial

O BOD2 é o sistema de impressão 3D da COBOD International, empresa sediada em Copenhague. Ele é composto por trilhos metálicos, braço extrusor, software e painéis de controle. Sua função é transformar modelos arquitetônicos digitais em paredes reais. Há três pontos que explicam por que ele virou padrão:

  1. Escala — consegue imprimir casas térreas, sobrados e edifícios administrativos;
  2. Velocidadeaté 10 toneladas de concreto impresso por hora, dependendo do projeto;
  3. Industria dupla — trabalha tanto com CO2 reduzido (concretos alternativos) quanto com composições tradicionais.

Esse sistema não ficou restrito à Dinamarca. Ele foi adquirido por construtoras na Alemanha, Bélgica, Áustria, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (Dubai), Índia e EUA. O que antes era “protótipo” virou produto exportado.

Onde isso já está funcionando na prática

Alemanha – PERI Group (2019–2024)

A PERI, uma das maiores empresas de fôrmas e engenharia da Europa, comprou participação na COBOD e começou a imprimir casas na Renânia-Palatinado e Baviera. Segundo comunicados da empresa, projetos habitáveis de dois pavimentos foram impressos com BOD2 e aprovados em conjunto com autoridades locais. A emissão de CO₂ foi reduzida, o consumo de madeira em fôrmas caiu drasticamente e o tempo de obra encurtou.

Dubai – escritórios e edifícios administrativos (2020–2023)

Dubai se tornou um vitrine global. O governo estabeleceu metas para que 25% dos novos edifícios tenham componentes impressos até 2030, incentivando empresas a usar impressão 3D. Edifícios administrativos inteiros foram impressos com BOD2, exibindo o lado logístico e urbano dessa tecnologia: reduzir resíduos, acelerar cronogramas e viabilizar geometrias antes inviáveis com moldes tradicionais.

Dinamarca – casas e demonstradores industriais (desde 2018)

Na Dinamarca, a COBOD trabalhou com universidades, construtoras e institutos de tecnologia para padronizar o uso de concretos extrudáveis e validar resistência, durabilidade e análise estrutural. Esse país foi o laboratório que gerou credibilidade internacional.

Velocidade de obra: o que são as tais “48 horas”

Quando se diz que uma casa é “impressa em 48 horas”, isso não significa obra completa, mas sim que paredes estruturais + divisórias internas podem ser executadas nesse intervalo, algo impossível de reproduzir em alvenaria tradicional com o mesmo nível de precisão. Na prática, o cronograma tende a seguir esta lógica:

  • 0h–48h: impressão de paredes externas e internas
  • Após 48h: instalação de janelas, portas, laje/telhado, hidráulica, elétrica, acabamentos e fachadas

Ou seja, o ganho está na estrutura, justamente a etapa mais lenta da obra convencional. Em termos de impacto, isso altera:

  • Consumo de madeira (quase zero fôrmas)
  • Tempo de obra (semanas condensadas em dias)
  • Resíduos de corte (não existe serra nem moldagem manual)
  • Precisão dimensional (vem do software, não do pedreiro)
  • Segurança do trabalho (menos altura, menos esforço físico)

Que tipo de concreto é usado

O concreto comum não pode ser utilizado puro, pois escorre e não mantém forma após a extrusão. Para impressão 3D, o material precisa ter tixotropia alta (mantém forma após extrusão), cura acelerada, bom bombeamento e granulometria controlada.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Várias universidades e fabricantes europeus trabalham em formulações com adições minerais, materiais cimentícios suplementares (SCMs) e aditivos redutores de água, o que resulta em um concreto que trava rápido, permitindo adicionar camadas sucessivas sem colapsar.

Também há pesquisas usando cinzas volantes, escórias siderúrgicas e calcário, reduzindo a pegada de CO₂ e tornando a construção 3D compatível com políticas climáticas europeias.

Questões regulatórias: o obstáculo invisível

Toda inovação em construção acaba esbarrando no mesmo dilema: normas técnicas + habite-se + seguros + códigos urbanos. Na Europa, o processo tem avançado porque os países já possuem:

  • Eurocodes estruturais
  • certificação de materiais
  • padronização de análise térmica
  • normas de segurança contra incêndio

Isso permitiu que projetos impressos recebessem habite-se verdadeiro, algo importante para separar “prova de conceito” de “construção real”. Dubai, por sua vez, adotou uma abordagem inversa: regulamentou primeiro para depois acelerar o mercado, dando previsibilidade às empresas.

Por que essa tecnologia cria tantos debates no setor

Há três motivos principais:

  1. Trabalho e cadeia de mão de obra: A impressão 3D reduz carpintaria, escoramentos e alvenaria, mudando a distribuição de empregos para áreas de software, operação e logística.
  2. Geometria e personalização: Uma casa impressa pode ter paredes curvas, nichos, espessuras variáveis e passagens internas, algo difícil e caro na obra tradicional.
  3. Impacto ambiental real: Se a impressão 3D utilizar concretos com SCMs, o ganho ambiental é significativo. Se utilizar concreto comum, a vantagem ambiental cai para redução de resíduos e redução de madeira, mas ainda assim é melhor que métodos convencionais em canteiros urbanos densos.

Estamos diante do início da “construção industrial”?

É cedo para dizer que casas tradicionais desaparecerão. No entanto, a lógica industrial já está montada:

  • Robôs imprimem paredes
  • Operadores instalam esquadrias
  • Técnicos fazem elétrica e hidráulica
  • Arquitetos exportam o projeto digital
  • Entregas ocorrem em semanas, não meses

É exatamente isso que atrai empresas imobiliárias e governos interessados em habitação popular, unidades temporárias, escolas modulares e galpões administrativos. Dubai tem metas públicas de adoção. A Alemanha tem obras concluídas. A Dinamarca exporta tecnologia. E os EUA já utilizam COBOD para construção em estados como Texas e Califórnia. O que parecia “exótico” em 2016 é parte de um mercado estratégico em 2026.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x