1. Início
  2. / Geopolítica
  3. / Caminhoneiros, frete e multas de 2022 entram no centro da política: Câmara aprova MP com anistia, rastreamento obrigatório por CIOT, punições milionárias e novo piso salarial para quem passa mais de 24 horas na estrada
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Caminhoneiros, frete e multas de 2022 entram no centro da política: Câmara aprova MP com anistia, rastreamento obrigatório por CIOT, punições milionárias e novo piso salarial para quem passa mais de 24 horas na estrada

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 18/06/2026 às 09:35
Atualizado em 18/06/2026 às 09:37
Caminhoneiros e manifestantes reunidos em rodovia durante bloqueio, com bandeiras do Brasil, caminhões e máquinas ao fundo
Multidão se reúne em rodovia durante manifestação com caminhoneiros, em cena que remete aos bloqueios de estradas citados na MP do Frete aprovada pela Câmara.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Texto aprovado pela Câmara dos Deputados altera regras do transporte rodoviário de cargas, reforça o piso mínimo do frete e segue agora para análise do Senado.

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira, 17 de junho de 2026, a chamada MP do Frete, com mudanças relevantes para caminhoneiros, transportadores e empresas do setor logístico.

A proposta combina três pontos centrais: anistia a multas aplicadas após bloqueios de rodovias em 2022, obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e reforço na fiscalização do piso mínimo do frete.

O texto seguirá para o Senado Federal. Caso os senadores mantenham a versão aprovada pelos deputados, a medida ainda dependerá de sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Relatório amplia o alcance da medida provisória

A medida provisória original, apresentada pelo governo federal em março de 2026, tratava do aperfeiçoamento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

O foco inicial estava no controle das operações de transporte, na geração obrigatória do CIOT e na criação de medidas administrativas contra o descumprimento do frete mínimo.

O relator da proposta na Câmara, deputado Zé Trovão (PL-SC), apresentou alterações no texto durante a tramitação.

A versão aprovada passou a incluir temas adicionais, como a subcontratação de transportador autônomo de cargas (TAC) e a redução do prazo de adaptação de 90 para 60 dias.

Anistia alcança multas aplicadas após bloqueios de 2022

O ponto mais sensível do texto envolve o perdão de multas aplicadas a caminhoneiros, motoristas e transportadores por manifestações registradas após as eleições presidenciais de 2022.

A anistia alcança pessoas físicas e jurídicas. Também inclui penalidades já inscritas em dívida ativa e cobranças que ainda estejam em andamento.

Segundo o relator, parte dos profissionais foi punida mesmo sem aderir voluntariamente aos bloqueios. Muitos motoristas, de acordo com a justificativa apresentada, ficaram parados porque não conseguiam seguir viagem pelas estradas interditadas.

A versão final, porém, não manteve a suspensão de processos judiciais, ponto que chegou a ser discutido durante a análise da proposta.

CIOT obrigatório aumenta o controle sobre o transporte

O texto aprovado torna obrigatório o registro de toda operação de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte.

O cadastro deverá reunir informações sobre contratante, transportador, valor do frete, forma de pagamento e prazo de quitação.

Na prática, o CIOT fortalece a rastreabilidade das transações no setor. A medida também amplia o controle sobre cargas, valores, empresas contratantes e condições comerciais.

Caminhão de carga com carreta longa trafegando em rodovia durante o dia, representando transporte rodoviário de cargas e frete de longa distância.
Caminhão de carga percorre rodovia durante viagem de longa distância, em cenário que representa o transporte rodoviário citado na MP do Frete.

Piso mínimo do frete ganha sanções mais duras

A proposta reforça o cumprimento do piso mínimo do frete, que deverá refletir os custos reais da operação.

O descumprimento do valor mínimo poderá gerar punições mais severas. O relatório prevê multa que pode chegar a R$ 1 milhão, suspensão do registro do transportador e cancelamento em casos de reincidência grave.

Plataformas digitais e intermediadores de frete também entram no alcance das novas regras. Serviços ofertados abaixo do piso legal poderão sofrer sanções.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) continuará responsável por atualizar os valores periodicamente, especialmente diante de variações relevantes no preço dos combustíveis.

Piso salarial de R$ 5 mil mira longas distâncias

O relatório também estabelece um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que atuam em viagens de longa distância.

A regra vale para situações em que o motorista permanece fora da sede da empresa ou da própria residência por mais de 24 horas.

O texto aprovado reúne, portanto, mudanças administrativas, trabalhistas e regulatórias em uma mesma proposta.

A próxima etapa será decisiva no Senado, onde os parlamentares poderão manter o texto da Câmara ou promover novas alterações antes do envio à sanção presidencial.

Você acha que a MP do Frete traz mais equilíbrio para os caminhoneiros e transportadores ou pode aumentar a pressão sobre empresas, plataformas digitais e o setor logístico?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x