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Após quase 40 anos, cabo que ajudou a construir a internet moderna começa a ser retirado do oceano

Escrito por Keila Andrade
Publicado em 18/06/2026 às 14:12
Atualizado em 18/06/2026 às 14:18
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Uma das estruturas mais importantes da história das telecomunicações está deixando o fundo do Oceano Atlântico. Em junho de 2026, a empresa Subsea Environmental Services iniciou a operação de retirada do TAT-8, primeiro sistema transatlântico de fibra óptica do mundo. A remoção acontece quase 38 anos após a entrada em operação do cabo, que começou a funcionar em 14 de dezembro de 1988 e ajudou a inaugurar uma nova era das comunicações globais.

O TAT-8 entrou em operação em 14 de dezembro de 1988 e conectou os Estados Unidos à Europa por meio de tecnologia de fibra óptica. O projeto foi desenvolvido pelas operadoras AT&T, British Telecom e France Telecom, que buscavam ampliar significativamente a capacidade das comunicações transatlânticas.

Além disso, o sistema representou uma revolução tecnológica. Antes dele, as transmissões entre continentes dependiam principalmente de cabos coaxiais de cobre e satélites, que ofereciam menor capacidade e velocidades mais limitadas.

O cabo que antecipou a era da internet

Quando o TAT-8 foi inaugurado, a internet ainda estava longe de fazer parte do cotidiano da população. Mesmo assim, a infraestrutura ajudou a criar as bases da conectividade global que se desenvolveria nos anos seguintes.

O sistema possuía capacidade para aproximadamente 40 mil chamadas telefônicas simultâneas, um número impressionante para a época. As informações viajavam por fibras de vidro extremamente finas, utilizando pulsos de luz para transmitir voz e dados entre continentes.

Entretanto, o crescimento acelerado das comunicações fez com que sua capacidade fosse rapidamente superada. Segundo registros históricos citados pela revista Wired e reproduzidos por diversos veículos especializados, o sistema atingiu seu limite operacional em cerca de 18 meses.

A remoção de cabos desativados pode liberar espaço em rotas submarinas importantes e permitir reaproveitamento de materiais.
A remoção de cabos desativados pode liberar espaço em rotas submarinas importantes e permitir reaproveitamento de materiais.

Falha encerrou operação em 2002

O TAT-8 permaneceu ativo por pouco mais de uma década. Porém, em 2002, o sistema sofreu uma falha técnica importante.

Naquele momento, já existiam cabos mais modernos, com capacidade muito superior. Por isso, as operadoras decidiram não realizar os reparos necessários. O custo da manutenção não compensava o investimento, e o cabo acabou sendo desativado.

Desde sua desativação em 2002, a estrutura permaneceu abandonada no fundo do Atlântico por mais de duas décadas. Em junho de 2026, a empresa Subsea Environmental Services iniciou a retirada dos primeiros trechos do cabo, marcando o início da operação de reciclagem da infraestrutura histórica.

Operação iniciada em junho de 2026 utiliza navio especializado

A retirada está sendo conduzida pela empresa Subsea Environmental Services, uma das poucas companhias do mundo especializadas na recuperação e reciclagem de cabos submarinos desativados. O trabalho é realizado com o navio MV Maasvliet, equipado para operações em grandes profundidades.

O processo não é simples. As equipes utilizam um grande gancho metálico para localizar e capturar o cabo no leito oceânico. Em seguida, o material é içado lentamente até a embarcação. Dependendo das condições do fundo do mar, a operação pode levar horas ou até dias para cada trecho recuperado.

Além disso, parte do cabo está localizada a milhares de metros de profundidade, o que exige equipamentos altamente especializados e monitoramento constante.

Reciclagem tem valor econômico e ambiental

A remoção não acontece apenas por razões históricas. O TAT-8 contém materiais valiosos que podem ser reaproveitados pela indústria.

Entre eles estão cobre de alta pureza, aço e polietileno. Após a recuperação, esses componentes seguem para reciclagem e retornam ao mercado em novas aplicações industriais.

Segundo informações divulgadas pela Agência Internacional de Energia (IEA) e citadas pela reportagem da Wired, a demanda crescente por cobre pode gerar desafios de abastecimento nos próximos anos. Dessa forma, a recuperação de materiais presentes em estruturas antigas ganha importância econômica adicional.

Fundo do mar abriga centenas de cabos

Embora muitas pessoas associem a internet aos satélites, a maior parte da comunicação global depende de cabos submarinos.

Atualmente, cerca de 600 cabos submarinos ativos transportam dados entre continentes. Eles sustentam serviços como streaming, redes sociais, videoconferências, operações bancárias e computação em nuvem.

Por isso, a retirada do TAT-8 também ajuda a liberar espaço para novas estruturas, mais rápidas e eficientes, que continuam expandindo a capacidade da rede mundial.

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Fim de um capítulo da história digital

A remoção do TAT-8 representa mais do que o encerramento de um projeto de telecomunicações. O cabo simboliza uma das tecnologias que permitiram a evolução da internet moderna e das comunicações globais.

Além disso, sua retirada evidencia como a infraestrutura digital está em constante renovação. Enquanto novos cabos são instalados para atender à crescente demanda mundial por dados, estruturas pioneiras começam a deixar o oceano após décadas de serviço.

Por fim, o resgate do TAT-8 encerra um capítulo importante da história das telecomunicações e relembra que grande parte da internet continua passando, silenciosamente, pelo fundo dos oceanos.

Keila Andrade

Jornalista há 20 anos, especialista em produção e planejamento de conteúdos online e offline para estruturas do marketing digital. Jornalista, especialista em SEO para estruturas do marketing digital (sites, blogs, redes sociais, infoprodutos, email-marketing, funil inbound marketing, landing pages).

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