Em vídeo com mais de 236 mil visualizações, Peter Jordan colocou a planilha lado a lado e calculou que um carro elétrico em 2026 no Brasil pode custar 80% menos por quilômetro rodado que o equivalente a combustão.
Peter Jordan, apresentador do canal Nerds de Negócios e dono do Ei Nerd, publicou em 12 de abril de 2026 uma análise financeira do custo real de rodar com carro elétrico no Brasil. Usou como base o BYD Dolphin Mini e o Volkswagen Polo, comparando combustível, manutenção, IPVA e depreciação ao longo de 5 anos. O custo por quilômetro do elétrico ficou em torno de R$ 0,10, contra R$ 0,50 a R$ 0,60 da gasolina.
Ao somar todos os custos operacionais com a média brasileira de 12.775 km rodados por ano, a economia do Dolphin Mini sobre o Polo chega a R$ 19.000 em 5 anos. Quem roda 20.000 km por ano, perfil de motorista de aplicativo, a diferença passa de R$ 40.000.
Por que o custo por quilômetro do Dolphin Mini fica em 10 centavos?

O Dolphin Mini consome cerca de 9,6 kWh a cada 100 km. Com a tarifa residencial na faixa de R$ 0,80 por kWh, rodar um quilômetro sai entre 8 e 10 centavos.
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Mil quilômetros por mês consomem entre R$ 80 e R$ 100. Um carro popular a gasolina, com consumo médio de 10 a 12 km por litro e combustível a R$ 6, gasta de R$ 400 a R$ 500 no mesmo percurso.
Recarregar em casa durante a madrugada, quando várias distribuidoras praticam tarifa branca mais baixa, amplia a economia. Um tanque de 55 litros no posto custa cerca de R$ 340 hoje. Carregar a bateria do Dolphin Mini em casa sai entre R$ 30 e R$ 80.
A manutenção anual do carro elétrico fica próxima de R$ 0,03 por km, contra R$ 0,07 a R$ 0,08 no motor a combustão, segundo estudos de custo total de propriedade citados no vídeo. São R$ 3.000 a menos em 5 anos só nesse item.
O que a planilha não diz sobre o ‘IPVA zero’ do elétrico?
Aqui vale um ajuste importante. O vídeo afirma que São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal têm isenção total de IPVA para elétricos.
A informação não está exatamente correta. Apenas o Distrito Federal oferece isenção total para 100% elétricos, e mesmo assim só para veículos adquiridos em concessionárias do próprio DF.
São Paulo não isenta elétricos. O estado aplica isenção apenas para híbridos flex fabricados no Brasil até R$ 261.154,45, regra que na prática beneficia Toyota Corolla e Corolla Cross, e o benefício expira em 2026. Rio de Janeiro reduziu a alíquota para 0,5% nos elétricos e 1,5% nos híbridos, sem zerar.
Ao todo, 16 estados mais o DF oferecem algum benefício fiscal. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Bahia dão isenção total para 100% elétricos, com teto de valor em alguns casos.
A fábrica da BYD em Camaçari muda o jogo para o consumidor brasileiro?
A BYD emplacou 37.637 veículos no primeiro trimestre de 2026 no Brasil, crescimento de 73,67% sobre 2025. Só em março foram 16.406 unidades, recorde mensal da marca no país.
O Dolphin Mini acumulou 12.111 unidades no trimestre e liderou o varejo mensal em fevereiro e março, ficando em segundo no acumulado do trimestre, atrás do Hyundai Creta por 193 unidades.
A fábrica de Camaçari, na Bahia, onde antes operava a Ford, iniciou produção em julho de 2025 com investimento de R$ 5,5 bilhões em 4,6 milhões de m². A primeira fase entrega 150 mil veículos por ano.
A segunda etapa vai a 300 mil, e o plano anunciado pelo fundador Wang Chuanfu ao presidente Lula aponta para 600 mil unidades anuais. A marca já opera 211 concessionárias no país, segundo Tyler Li, presidente da BYD Brasil. A produção local reduz imposto de importação e acelera a queda de preço dos elétricos no Brasil.
A conta do Peter Jordan fecha para quem roda mais de 10 mil km por ano, tem tomada 220V em casa e fica em cidade grande. Quem rodar pouco e depender de carregador público fora das capitais ainda encontra barreiras reais.
E você, já fez a conta do teu carro atual contra um elétrico ou ainda acha cedo pra migrar? Comenta aí se a maior trava é o preço de compra, a autonomia ou a falta de eletroposto na tua região.

