Song Pro GL para PcD sai por R$ 148.990, R$ 41 mil abaixo da tabela. É o 2º híbrido mais vendido do Brasil com 2.230 unidades em janeiro e custa R$ 62 mil menos que o Corolla Cross XRX Hybrid.
O SUV híbrido plug-in da BYD ficou mais acessível para compradores com direito à isenção de impostos. A versão de entrada GL do Song Pro está sendo oferecida por R$ 148.990 na modalidade de venda direta para Pessoas com Deficiência, um desconto de R$ 41 mil sobre o preço de tabela. A versão topo de linha GS mantém o valor de R$ 199.990 para o público geral e pode ser adquirida por R$ 181.990 na condição PcD.
Com esse posicionamento, o Song Pro GL para PcD custa R$ 62 mil a menos do que o Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, que é comercializado a R$ 210.990, conforme o CanalTech. São dois SUVs híbridos disputando o mesmo segmento, mas com uma diferença de preço que compra um carro popular inteiro.
Qual é a estratégia por trás dessa redução?

A BYD aplicou um reajuste pontual de R$ 1 mil na versão GL para PcD em relação ao valor praticado anteriormente, que era de R$ 147.990. É um aumento pequeno, mas indica que a marca está calibrando margens sem abandonar a agressividade comercial.
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A estratégia não é nova. Desde o segundo semestre de 2025, a BYD vem utilizando o canal de vendas diretas como ferramenta para acelerar volume. Taxistas chegaram a comprar o Song Pro GL por R$ 132.990, empresas por R$ 161.492 e produtores rurais tiveram condições específicas. O público PcD, por ter direito à isenção de IPI e ICMS, consegue o veículo a preços que tornam a comparação com concorrentes tradicionais quase desleal.
A fabricação local em Camaçari, na Bahia, é o que viabiliza essa política de preços. Veículos montados no Brasil têm acesso a incentivos fiscais que modelos importados não alcançam. A BYD inaugurou a operação baiana com regime SKD (montagem de kits) e está ampliando gradualmente o nível de nacionalização, o que tende a reduzir custos ainda mais nos próximos meses.
O que o Song Pro entrega por esse preço?

O trem de força é híbrido plug-in com tecnologia DM-i. A versão GL combina um motor 1.5 a gasolina com um propulsor elétrico, totalizando 223 cavalos de potência combinada. A bateria Blade de 12,9 kWh permite rodar até 39 km no modo exclusivamente elétrico, segundo medição do Inmetro. Com tanque cheio e bateria carregada, a autonomia combinada declarada pela fabricante chega a 1.100 km.
A versão GS sobe para 235 cavalos e traz uma bateria maior, de 18,3 kWh, com autonomia elétrica de até 62 km. Nessa configuração, o pacote ADAS nível 2 inclui piloto automático adaptativo com função para e anda, assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência e alerta de ponto cego.
Ambas as versões oferecem tela multimídia giratória de 12,8 polegadas, painel digital de 8,8 polegadas, câmeras em 360 graus, porta-malas de 520 litros e abertura elétrica da tampa traseira. A bateria Blade tem garantia de oito anos e o sistema híbrido de seis anos, prazos que excedem a cobertura oferecida pela maioria dos concorrentes diretos.
Como o Song Pro se posiciona no mercado brasileiro?
Em janeiro de 2026, o Song Pro foi o segundo híbrido mais vendido do Brasil, com 2.230 unidades emplacadas. Ficou atrás apenas do GWM Haval H6, que registrou 2.389 vendas, e à frente do Toyota Corolla Cross, que vendeu 2.115 unidades. Os três disputam o mesmo comprador: alguém que quer um SUV médio com motorização eletrificada e preço abaixo dos R$ 200 mil.
A BYD fechou 2025 com 112.811 veículos emplacados no Brasil, um crescimento de 522% em relação a 2023. A marca entrou no top 5 das montadoras mais vendidas do país e projeta alcançar 250 mil unidades em 2026. O Song Pro é peça central nessa estratégia porque ocupa o segmento de SUVs médios, que é o mais disputado e volumoso do mercado brasileiro.
A rede de concessionárias da BYD já soma mais de 210 pontos em todos os estados. O avanço da marca deixou de ser uma tendência de nicho para se tornar um fato estrutural do mercado automotivo nacional.
Quais são os pontos que merecem atenção antes de comprar?
O preço PcD de R$ 148.990 é exclusivo para compradores que se enquadram nos critérios legais de isenção. É necessário verificar junto às concessionárias autorizadas quais documentos são exigidos, quais versões têm estoque disponível e se o prazo de entrega atende à necessidade do comprador.
A autonomia elétrica de 39 km na versão GL é suficiente para deslocamentos urbanos curtos, como ir e voltar do trabalho em uma distância de até 20 km. Mas quem roda mais do que isso em trajetos diários vai operar predominantemente no modo híbrido, o que reduz a vantagem de consumo em relação a um modelo apenas a combustão.
O carregamento suporta até 6,6 kW de potência, o que significa que uma recarga completa da bateria menor leva cerca de duas horas em um wallbox doméstico. Em uma tomada residencial comum, o tempo sobe para aproximadamente seis horas. Não há suporte para carregamento rápido em corrente contínua, algo que modelos elétricos puros já oferecem nessa faixa de preço.
O processador Unisoc do sistema multimídia e o acabamento interno em materiais plásticos são compatíveis com a faixa de preço, mas ficam abaixo do que o Toyota Corolla Cross oferece em termos de refinamento de cabine. Quem prioriza acabamento premium pode considerar a versão GS, que melhora alguns pontos, mas custa R$ 51 mil a mais na versão PcD.
O que esse preço significa para o mercado de SUVs híbridos no Brasil?
O Song Pro a R$ 148.990 para PcD estabelece uma referência difícil de ignorar. É um SUV médio híbrido plug-in com mais de 220 cavalos, autonomia combinada de 1.100 km e pacote tecnológico completo custando menos do que muitos hatches e sedãs compactos equipados.
Essa agressividade empurra a Toyota, a GWM e a Jeep a reavaliarem suas estratégias de preço e condições comerciais. O Corolla Cross XRX Hybrid, que é o híbrido mais vendido da Toyota no Brasil, custa R$ 62 mil a mais do que o Song Pro GL para PcD e não oferece a opção de rodar exclusivamente no modo elétrico, já que opera com sistema híbrido convencional sem plug-in.
A pressão da BYD está forçando uma reorganização do mercado que beneficia diretamente o consumidor. Quando um SUV híbrido plug-in fabricado na Bahia custa menos do que um hatch 1.0 turbo equipado, a pergunta deixa de ser se vale a pena considerar um eletrificado e passa a ser por que alguém ainda compraria um carro movido exclusivamente a combustão na mesma faixa de preço. O que você acha sobre o carro da BYD?


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