Embarcação Spiridon II, com 2.901 vacas prenhes embarcadas no Uruguai rumo à Turquia, está há semanas vagando entre Europa e África. ONGs falam em “viagem de morte”, pressionam governos europeus e reacendem discussão sobre exportação de animais vivos, tema sensível também para o Brasil.
Quase 3 mil vacas uruguaias estão presas há mais de dois meses no navio cargueiro Spiridon II, que cruza o Mediterrâneo em direção à América do Sul. A embarcação foi impedida de descarregar a carga na Turquia por problemas de documentação e agora é descrita por ativistas como um “navio da morte”.
O navio, de bandeira de Togo e construído em 1973, saiu de Montevidéu em 19/20 de setembro com 2.901 novilhas prenhes destinadas à engorda e reprodução em Bandirma, na Turquia. Após chegar ao destino em 22 de outubro, a carga foi rejeitada devido a irregularidades em brincos e registros sanitários obrigatórios.
Desde então, o Spiridon II ficou semanas ancorado ao largo da costa turca, em quarentena, com relatos de superlotação, calor extremo, falta de ventilação e carcaças acumuladas a bordo. Sob pressão da opinião pública e de entidades como a Animal Welfare Foundation (AWF), as autoridades permitiram apenas uma parada rápida para reabastecimento antes de ordenar o retorno ao Uruguai.
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ONGs alertam que, com a nova travessia de cerca de um mês, os animais podem chegar a 87 dias no mar, muitos já debilitados, doentes ou mortos. Para ativistas, a crise expõe uma falha sistêmica do comércio internacional de gado vivo e serve de alerta para países exportadores como Brasil e Uruguai.
Como o navio Spiridon II ficou preso entre Uruguai e Turquia
O Spiridon II partiu do porto de Montevidéu com destino a Bandirma levando novilhas prenhes uruguaias, em uma rota hoje comum no comércio de gado vivo entre a América do Sul e o Mediterrâneo. A viagem de ida levou pouco mais de um mês, dentro do previsto para esse tipo de transporte.
Ao chegar à Turquia, o carregamento foi barrado após fiscais identificarem centenas de animais sem a documentação correta de identificação por brincos ou chips eletrônicos, exigidos para rastrear origem e sanidade. Sem consenso entre autoridades turcas e uruguaias, o navio ficou semanas parado em mar aberto, sem autorização para descarregar as vacas.
Relatórios de inspeções anteriores mostram que o navio, com 52 anos, já acumulava mais de 80 deficiências registradas e oferece cerca de 4 mil m² para os animais, espaço considerado insuficiente em situações de atraso prolongado. Mesmo assim, a embarcação foi habilitada para transportar quase 3 mil bovinos em uma única viagem.
Mortes, abortos e fome: o que dizem relatórios de bem-estar animal
Entidades como a Animal Welfare Foundation e a Tierschutzbund Zürich, que acompanham o caso, afirmam que pelo menos 58 vacas já morreram desde a saída do Uruguai. Relatórios também indicam cerca de 140 nascimentos a bordo e a existência de 90 bezerros “não rastreáveis”, o que levanta suspeita de mortes ou descarte de corpos no mar.
As organizações descrevem um cenário de superlotação, piso coberto de fezes, forte odor de amônia e presença de moscas, com animais exaustos tentando se manter em pé em um espaço reduzido. Imagens divulgadas por ativistas mostram sacos com carcaças no convés e relatos de membros dos tripulantes sobre a gravidade das condições.
Veterinários especializados em transporte de gado vivo alertam que as novilhas, muitas em final de gestação, sofrem com o estresse térmico, a falta de espaço e a ventilação deficiente, fatores que aumentam muito o risco de aborto e morte de bezerros. Segundo comunicado da AWF, esses animais já estavam debilitados ao fim da viagem de ida, e cada dia extra no mar amplia o sofrimento.
Outro ponto crítico é a disponibilidade de ração e água. Especialistas em navegação ouvidos por veículos marítimos afirmam que navios desse porte costumam carregar apenas o necessário para a rota planejada, com pouca margem para atrasos. Um relatório técnico alerta que, sem novo reabastecimento completo, o risco de fome a bordo é “muito real”.
Também há preocupação com a tripulação, que enfrenta jornadas prolongadas em ambiente insalubre e sem treinamento adequado para lidar com animais doentes e partos de emergência. ONGs temem que a falta de estrutura leve ao descarte de corpos no mar e a possíveis impactos ambientais, com decomposição de grandes quantidades de matéria orgânica em rota movimentada do Mediterrâneo.
Exportação de gado vivo: por que o caso preocupa o Brasil
Embora o episódio envolva gado uruguaio, o caso Spiridon II repercute diretamente no Brasil, um dos maiores exportadores de animais vivos do mundo. Dados de organizações internacionais mostram que o país já figurou entre os primeiros colocados na exportação de gado vivo por via marítima, principalmente para o Oriente Médio e o Norte da África.
Em 2023, uma decisão de primeira instância da Justiça Federal chegou a proibir a exportação de animais vivos em todos os portos brasileiros, com base em argumentos de bem-estar animal. A medida foi comemorada por entidades de proteção, mas o caso segue em disputa judicial, e o comércio continuou funcionando após recursos.
Reportagens recentes indicam que o Brasil deve bater recorde de exportação de gado vivo em 2025, reforçando o peso do agronegócio nesse mercado e acirrando o embate entre defensores do bem-estar animal e representantes do setor pecuário. Para parte dos especialistas, o drama do Spiridon II pode ser usado como exemplo extremo do que pode ocorrer em viagens de longa duração saindo também de portos brasileiros.
O histórico brasileiro inclui episódios de forte repercussão, como protestos no porto de Santos contra embarques de dezenas de milhares de bois em condições insalubres e acidentes em que animais caíram ao mar durante o carregamento em navios de gado. Esses casos já levaram a decisões judiciais pontuais e a ações civis públicas, mas não resultaram em um banimento definitivo da atividade.
Pressão internacional e caminhos possíveis para evitar novas tragédias
A crise do Spiridon II levou organizações como a Compassion in World Farming e a própria AWF a pressionar organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), a União Europeia e o governo uruguaio, para uma intervenção imediata. As entidades defendem inspeções urgentes, transbordo dos animais ainda vivos para instalações em terra e, no médio prazo, o fim da exportação de animais vivos por via marítima.
Países como a Nova Zelândia já aprovaram leis para banir de forma gradual esse tipo de transporte, apostando na exportação de carne refrigerada como alternativa econômica com menor risco de tragédias como a do navio Gulf Livestock 1, que afundou com milhares de bois.
Especialistas em direito animal lembram que o Brasil poderia seguir caminho semelhante, combinando restrições progressivas, incentivo à indústria frigorífica e regras mais rígidas de bem-estar em navios, enquanto o Congresso discute projetos que tentam limitar ou extinguir a exportação de gado vivo.
Nos comentários, você concorda com a proposta de proibir a exportação de animais vivos por navio, mesmo que isso traga impacto econômico para pecuaristas e portos brasileiros? Ou acredita que bastaria reforçar as regras e a fiscalização, sem acabar com o transporte? Deixe sua opinião.


This is what nightmares are made of.Only one route to go.BAN live **** export.
A rather important correction – nearly three thousand, not nearly 3 cows.
At LEAST 58 cows had died by 14 November; that number would be much higher now.
Half of the 2,901 heifers loaded were pregnant and at LEAST 150 birthed or miscarried before 14 November.
They have not restocked feed since 9 November.
The ship sailed to the western edge of Sicily in the Mediterranean Sea and then headed BACK to the port of Benghazi in Libya – a full two days sailing. One hopes that there are quarantine facilities there for the purpose of offloading the remaining cows and calves, most likely for destruction, and the dead bodies for disposal.
It would make little sense to add another four days to a 30-day voyage back to Montevideo to restock or refuel.
She has now been docked in Benghazi port for over 32 hours, so that is a good sign.
Live **** export is EVIL & needs to STOP asap.