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Cientistas abrem caverna perdida na Noruega e se deparam com um mundo ártico esquecido com 46 espécies que existiu há 75.000 anos

Publicado em 20/06/2026 às 18:10
Atualizado em 20/06/2026 às 18:12
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Imagem: Ilustração artística
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Descoberta na caverna Arne Qvamgrotta reúne ossos e DNA antigo de animais marinhos, terrestres, aves e peixes, revelando como era o Ártico durante a Era do Gelo

Uma caverna na Noruega revelou restos mortais de 46 espécies que viveram há cerca de 75.000 anos no Ártico, incluindo ursos polares, morsas, baleias-da-groenlândia, aves e peixes. O estudo, publicado na PNAS, mostra um raro registro de um ecossistema costeiro antigo preservado na caverna Arne Qvamgrotta.

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Achado preserva um raro retrato do Ártico antigo

A descoberta ocorreu na caverna Arne Qvamgrotta, no norte da Noruega, e é considerada importante porque registros de ambientes árticos com mais de 10.000 anos são muito difíceis de encontrar.

Segundo os pesquisadores, o sítio preserva um dos registros mais antigos conhecidos de um ecossistema ártico desse período.

A coleção mostra uma paisagem em que animais marinhos, terrestres, aves e peixes compartilhavam a mesma região.

A caverna foi descoberta por acaso na década de 1990, quando trabalhos de mineração levaram à construção de um túnel através de uma montanha próxima.

Mesmo conhecida há décadas, ela permaneceu praticamente inexplorada até grandes escavações realizadas em 2021 e 2022.

Caverna na Noruega revela mundo ártigo antigo esquecido
Sítio arqueológico da caverna Arne Qvamgrotta, na Noruega. Crédito: PNAS

Ossos de 46 espécies mostram riqueza animal

Os restos encontrados pertencem a 46 tipos diferentes de animais. Entre as espécies identificadas estão ursos polares, morsas, baleias-da-groenlândia, papagaios-do-mar, eiders-comuns, lagópodes-das-rochas e bacalhaus-do-atlântico.

Uma das descobertas que mais chamou a atenção foi o lemingue-de-colarinho. A espécie está extinta na Europa e nunca havia sido descoberta na Escandinávia, o que aumenta a relevância do material preservado na caverna.

A professora Sanne Boessenkool, da Universidade de Oslo, afirmou que a caverna revelou uma mistura diversificada de animais em um ecossistema costeiro que representa tanto o ambiente marinho quanto o terrestre.

DNA antigo aponta populações que desapareceram

Além dos ossos, os cientistas analisaram DNA antigo preservado nos restos mortais. As evidências genéticas indicam que as linhagens animais que viviam na região há 75.000 anos não sobreviveram após o retorno de condições climáticas mais frias.

O estudo aponta que essas espécies migraram para a área depois do recuo das geleiras. Depois, com a expansão do gelo sobre a paisagem, as populações representadas na caverna acabaram desaparecendo.

O autor principal, Dr. Sam Walker, da Universidade de Bournemouth e da Universidade de Oslo, descreveu a descoberta como “um raro vislumbre de um mundo ártico desaparecido”.

Os resultados genéticos têm peso especial porque há pouca informação direta sobre a vida no Ártico durante essa fase da Era do Gelo. A falta de restos bem preservados torna achados como esse mais valiosos para a pesquisa.

Caverna na Noruega revela mundo ártigo antigo esquecido
Osso antigo de urso polar encontrado no norte da Noruega. Crédito: Trond Klungseth Lødøen

Gelo, tundra, rios e mar dividiam a mesma paisagem

Os restos de animais também ajudam a entender como era o norte da Noruega há cerca de 75.000 anos. Os pesquisadores acreditam que a costa estava praticamente livre de gelo naquele período, o que criava condições para a migração de renas.

A presença de peixes de água doce indica a existência de lagos e rios espalhados pela tundra. Ao mesmo tempo, espécies como baleias-da-groenlândia e morsas apontam para a presença de gelo marinho ao largo da costa.

A descoberta de restos de toninhas-comuns acrescenta outra informação importante. Como esses animais tendem a evitar águas cobertas de gelo, os cientistas acreditam que o gelo marinho provavelmente era sazonal, e não permanente.

Mudanças climáticas ajudam a explicar o desaparecimento

A equipe afirma que as descobertas mostram como populações adaptadas ao frio reagiram quando o ambiente mudou novamente. Para Walker, o achado destaca a dificuldade dessas espécies em enfrentar grandes eventos climáticos.

Ele também relacionou o caso aos desafios atuais no Ártico, onde o aquecimento climático ocorre em ritmo acelerado. Segundo o pesquisador, os habitats atuais dessas espécies são muito mais fragmentados do que há 75.000 anos.

Boessenkool observou que a mudança ambiental registrada na caverna foi uma transição para condições mais frias.

Para ela, se espécies adaptadas ao frio tiveram dificuldades no passado, a adaptação a um clima mais quente pode ser ainda mais difícil.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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