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Telescópio James Webb revela buraco negro “adormecido” com massa equivalente a 6 bilhões de sóis, que está a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra e pode ajudar a explicar a evolução das primeiras galáxias do Universo

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 06/06/2026 às 15:06
Atualizado em 06/06/2026 às 16:08
Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias.
Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias. Fonte: Navid Marvi/Carnegie Science.
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Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e pode ajudar a explicar a evolução das galáxias.

Uma equipe internacional de astrônomos anunciou a identificação do buraco negro adormecido mais distante já registrado. Localizado na galáxia MRG-M0138, a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra, o objeto foi detectado com auxílio do telescópio espacial James Webb. Os resultados, publicados na revista Science na quinta-feira (04 de junho de 2026), oferecem novas pistas sobre a formação e a transformação das galáxias nos primeiros bilhões de anos de existência do Universo, atualmente estimado em 13,8 bilhões de anos.

A descoberta chama a atenção não apenas pela distância recorde. Segundo os pesquisadores, o objeto estudado encontra-se inativo, o que torna sua observação extremamente difícil. Mesmo assim, técnicas avançadas de análise permitiram estimar sua massa e reconstruir parte da história da região onde ele está localizado.

Como o buraco negro foi encontrado?

Conforme divulgado pelo Olhar Digital, como o objeto não emitia sinais visíveis, os pesquisadores recorreram a uma técnica indireta. Utilizando o efeito de lente gravitacional — que ampliou a imagem da galáxia observada — a equipe conseguiu acompanhar a velocidade e a trajetória das estrelas próximas ao centro galáctico.

A análise desses movimentos revelou a forte influência gravitacional de um buraco negro supermassivo, permitindo estimar sua massa em aproximadamente 6 bilhões de vezes a massa do Sol. Um dos fatores decisivos para o sucesso da pesquisa foi um fenômeno conhecido como lente gravitacional.

Nesse caso, uma galáxia situada entre a Terra e a MRG-M0138 atuou como uma espécie de amplificador natural. A força gravitacional desse objeto intermediário distorceu e ampliou a imagem da galáxia de fundo.

Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias.
Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias. Fonte: Navid Marvi/Carnegie Science.

De acordo com os dados do estudo, esse efeito aumentou a visualização em aproximadamente 30 vezes, permitindo que os pesquisadores acompanhassem com maior precisão a velocidade e as trajetórias estelares próximas ao buraco negro.

Principais elementos que permitiram a observação:

  • Uso do telescópio espacial James Webb;
  • Aplicação de técnica baseada no movimento das estrelas;
  • Aproveitamento do efeito de lente gravitacional;
  • Ampliação da imagem da galáxia em cerca de 30 vezes;
  • Análise detalhada da galáxia MRG-M0138.

Buraco negro possui massa equivalente a bilhões de sóis

Outro dado que impressionou os pesquisadores foi o tamanho estimado da estrutura.

Os cálculos indicam que o objeto possui massa aproximada de 6 bilhões de vezes a massa do Sol. Determinar esse valor representou um desafio adicional, já que o sistema está em estado de repouso e praticamente não interage com o material ao seu redor.

Sem consumir grandes quantidades de gás ou emitir radiação intensa, o buraco negro permanece oculto em diferentes faixas de luz, dificultando observações convencionais.

Por esse motivo, a equipe precisou adaptar métodos normalmente utilizados em galáxias muito mais próximas da Terra.

O que aconteceu com essa galáxia no passado?

Os pesquisadores acreditam que a região observada tenha passado por uma fase muito diferente da atual.

A hipótese apresentada no estudo sugere que a galáxia MRG-M0138 abrigou anteriormente um quasar, estrutura associada a um buraco negro supermassivo extremamente ativo.

Durante esse período, o objeto teria crescido rapidamente e expulsado grandes quantidades de gás da galáxia. Como consequência, a matéria-prima necessária para o nascimento de novas estrelas teria diminuído drasticamente.

Com menos combustível disponível, a formação estelar foi interrompida e a atividade da região perdeu intensidade ao longo do tempo.

As conclusões do trabalho despertaram interesse por ajudarem a responder questões importantes sobre a evolução cósmica.

Em declaração à Live Science, o pesquisador Andrew Newman, da Carnegie Science, comparou essas galáxias antigas a “brasas”. Segundo ele, estudar esses vestígios pode ajudar os cientistas a entender o que fez a atividade estelar desaparecer ao longo do tempo.

Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias.
Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias. Fonte: Navid Marvi/Carnegie Science.

Já Richard Ellis, astrofísico da University College London, destacou que a técnica empregada abre caminho para um levantamento sem precedentes de estruturas semelhantes.

Segundo o pesquisador, esse tipo de análise permite compreender melhor qual foi a influência dos buracos negros no desenvolvimento das galáxias observadas atualmente.

Por que esse buraco negro é importante para a ciência?

O objeto estudado oferece uma oportunidade rara de observar um período remoto da história cósmica.

Por ter se formado quando o Universo ainda era jovem, ele funciona como uma espécie de registro natural dos processos que moldaram as primeiras galáxias.

Os cientistas esperam utilizar descobertas semelhantes para responder perguntas relacionadas a:

  1. Formação de galáxias antigas;
  2. Crescimento de buracos negros supermassivos;
  3. Interrupção da formação de estrelas;
  4. Evolução do Universo ao longo de bilhões de anos;
  5. Processos ligados à dinâmica gravitacional em larga escala.

Além disso, estudos sobre a evolução das galáxias e os processos que moldam sua formação e transformação ao longo do tempo contribuem para ampliar o conhecimento científico acerca da origem, da estrutura e do funcionamento do universo.

Novos telescópios devem ampliar o censo de objetos raros

Embora o James Webb tenha desempenhado papel central na pesquisa, os especialistas ressaltam que futuras observações dependerão de outros instrumentos.

O estudo faz parte de um conjunto mais amplo de análises envolvendo cinco galáxias distantes afetadas por lentes gravitacionais. Para expandir esse trabalho, os cientistas contam com o apoio de missões voltadas ao mapeamento de grandes áreas do céu.

Entre os equipamentos citados estão o telescópio espacial Euclid e o futuro telescópio Nancy Grace Roman, que deverão ajudar na identificação de novos objetos raros e silenciosos espalhados pelo Universo.

Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias.
Buraco negro adormecido encontrado pelo James Webb está a mais de 10 bilhões de anos-luz e ajuda a explicar a evolução das galáxias. Fonte: Navid Marvi/Carnegie Science.

A combinação desses observatórios com imagens infravermelhas altamente sensíveis poderá revelar outros exemplos de buraco negro adormecido, ampliando significativamente o conhecimento sobre uma das estruturas mais enigmáticas já estudadas pela astronomia.

A identificação do buraco negro adormecido na galáxia MRG-M0138 estabeleceu um novo marco para a astronomia moderna. O objeto supera em 15 vezes o recorde anterior de distância para esse tipo de estrutura e fornece informações valiosas sobre um período remoto da história do Universo.

Com auxílio de lentes gravitacionais, técnicas inovadoras e observatórios espaciais de última geração, os pesquisadores conseguiram investigar um sistema praticamente invisível. A descoberta reforça o potencial das futuras missões astronômicas e amplia as possibilidades de compreender como galáxias e buracos negros evoluíram ao longo de bilhões de anos.

Fonte: Olhar Digital

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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