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Brasil se une a China e Rússia para criticar EUA: condenação histórica na ONU expõe disputa por petróleo, acusações de sequestro de Maduro

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/01/2026 às 20:25
Brasil se alinha a China e Rússia na ONU ao criticar ação dos EUA na Venezuela, citando soberania, petróleo, Maduro e riscos ao direito internacional.
Brasil se alinha a China e Rússia na ONU ao criticar ação dos EUA na Venezuela, citando soberania, petróleo, Maduro e riscos ao direito internacional.
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Reunião do Conselho de Segurança da ONU expõe divergências entre potências, críticas à ação dos Estados Unidos na Venezuela, acusações de violação da soberania, menções a interesses energéticos e alertas sobre impactos no direito internacional e na estabilidade diplomática global.

O Brasil se alinhou a China e Rússia nesta segunda-feira (05), em Nova York, ao condenar no Conselho de Segurança da ONU a operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores.

Durante a reunião extraordinária, Washington sustentou que a ação não configura um conflito armado, mas uma operação de caráter policial, enquanto diversos países alertaram para os impactos do episódio sobre o direito internacional e a estabilidade global.

A sessão ocorreu em meio a forte tensão diplomática e expôs divergências profundas entre membros permanentes do Conselho, todos com poder de veto.

Representantes de países críticos afirmaram que a operação viola a soberania venezuelana e pode abrir precedentes com efeitos além da América Latina.

Já a delegação americana rejeitou essa interpretação e afirmou que a iniciativa teve objetivos específicos e limitados.

Brasil no Conselho de Segurança defende regras internacionais

Sem mencionar autoridades diretamente, o embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil no Conselho de Segurança, afirmou que o episódio ultrapassa as fronteiras da Venezuela e tem implicações para toda a comunidade internacional.

Segundo o diplomata, ações desse tipo tendem a criar precedentes que podem fragilizar o sistema internacional baseado em regras.

Ao se manifestar, Danese disse que o Brasil não aceita a lógica de que objetivos políticos ou de segurança possam justificar meios contrários ao direito internacional.

Ele também declarou que o uso da força não deve se sobrepor às normas jurídicas e defendeu que o futuro político da Venezuela seja definido pelo próprio povo do país, por meio do diálogo e do respeito às leis internacionais.

Embora o Brasil não tenha direito a voto no Conselho de Segurança neste momento, a participação brasileira no debate foi apresentada como parte do esforço diplomático para reforçar princípios multilaterais e evitar a escalada de conflitos na região.

China critica uso da força e cobra garantias de segurança

A China adotou posição semelhante ao afirmar que o uso da força, sem respaldo multilateral, tende a ampliar crises e enfraquecer o sistema internacional.

O embaixador Fu Cong declarou que a ação americana desrespeitou a soberania venezuelana e contrariou princípios do multilateralismo.

Durante o debate, o representante chinês pediu que os Estados Unidos garantam a segurança física de Maduro e de sua esposa enquanto estiverem sob custódia.

Fu Cong afirmou que Pequim ficou “profundamente chocada” com o ocorrido e classificou a operação como ilegal, reforçando que disputas internacionais devem ser tratadas por meios diplomáticos.

Rússia eleva tom e menciona interesses no petróleo venezuelano

A Rússia elevou o tom das críticas e exigiu a libertação imediata de Maduro.

O embaixador Vasily Nebenzya afirmou que não cabe a um país agir de forma unilateral como se tivesse autoridade para julgar e intervir em outros Estados soberanos.

Segundo o diplomata russo, não haveria justificativa jurídica para a operação, e qualquer impasse envolvendo a Venezuela deveria ser resolvido por meio do diálogo.

Nebenzya também afirmou que interesses econômicos estariam por trás da ofensiva, mencionando as reservas de petróleo venezuelanas como estratégicas no cenário global.

Estados Unidos rejeitam acusações e falam em ação policial

Ao responder às manifestações contrárias, o representante americano Mike Waltz afirmou que “não há guerra” contra a Venezuela.

De acordo com ele, a ação teve caráter policial e foi baseada em acusações antigas contra Maduro, relacionadas ao narcotráfico.

Waltz disse que a iniciativa buscou proteger cidadãos americanos e impedir que redes criminosas utilizem o território venezuelano como base de operações.

Em sua fala, o representante também declarou que os Estados Unidos não pretendem permitir que grandes reservas energéticas permaneçam sob controle de países considerados adversários.

O enviado americano afirmou ainda que Washington não reconhece Maduro como chefe de Estado legítimo, alegando que o processo político venezuelano teria sido comprometido ao longo dos últimos anos.

Limites do Conselho de Segurança e influência política

Como os Estados Unidos são um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, qualquer resolução que tente condenar formalmente a operação pode ser barrada por veto.

Ainda assim, diplomatas destacaram que o debate público no colegiado exerce influência política e diplomática, ao expor posições e ampliar a pressão internacional.

Especialistas em relações internacionais ouvidos em debates paralelos à reunião avaliam que, mesmo sem decisões vinculantes, sessões como essa ajudam a moldar a narrativa global sobre o respeito às normas internacionais.

Venezuela fala em sequestro e alerta para riscos globais

A delegação venezuelana classificou a detenção de Maduro como sequestro e afirmou que o episódio representa uma ameaça não apenas ao país, mas a outros Estados.

O embaixador Samuel Moncada declarou que, se ações desse tipo forem relativizadas, o direito internacional corre o risco de perder força como referência nas relações entre países.

Segundo Moncada, a Venezuela teria sido alvo da operação por causa de suas riquezas naturais.

Ele também afirmou que a captura de Maduro ocorreu sem base jurídica reconhecida e violaria normas internacionais que protegem chefes de Estado.

Colômbia e ONU manifestam preocupação com soberania

A Colômbia condenou a ação americana e afirmou que houve violação da Carta da ONU, ao atingir a soberania e a integridade territorial da Venezuela.

A representante colombiana, Leonor Zalabata, disse que o episódio fere princípios centrais do sistema internacional.

Em mensagem enviada ao Conselho e lida pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar profundamente preocupado com o desrespeito às normas do direito internacional e com os possíveis efeitos do episódio sobre a estabilidade regional.

Críticas a Maduro e rejeição à intervenção externa

Algumas delegações combinaram críticas ao governo venezuelano com a condenação da ação dos EUA.

França e Dinamarca mencionaram preocupações com práticas consideradas antidemocráticas por parte de Maduro, mas afirmaram que mudanças políticas devem ser conduzidas internamente, sem intervenção estrangeira.

A Argentina também criticou o governo venezuelano e citou o processo eleitoral de 2024, ao sustentar que Edmundo González teria vencido o pleito.

Ainda assim, o país reforçou a posição de que disputas políticas não justificam ações militares externas.

Com o Conselho de Segurança dividido e limitado pelo poder de veto, que instrumentos diplomáticos ainda restam à comunidade internacional para lidar com operações unilaterais apresentadas como ações policiais?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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