Sirius terá nova etapa de expansão com investimento federal e novas linhas de pesquisa para ampliar análises sobre matéria, saúde, energia, agricultura e materiais em escala microscópica.
O Brasil destinou R$ 800 milhões à segunda fase do Sirius, fonte de luz síncrotron instalada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, em Campinas, no interior de São Paulo.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o investimento faz parte do Novo PAC e deve ampliar a estrutura de pesquisa do equipamento até 2026.
A previsão também aparece em relatório publicado em 24 de novembro de 2025 pela International Trade Administration, órgão ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que cita o aporte de R$ 800 milhões até 2026 para expandir as capacidades da fase 2 do Sirius.
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A máquina, descrita pelo CNPEM como a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país, usa aceleradores de elétrons para produzir luz síncrotron.
Esse tipo de radiação permite investigar a composição e a estrutura da matéria em diferentes escalas, com aplicações em áreas como saúde, agricultura, energia, meio ambiente e ciência dos materiais.
A nova etapa prevê a expansão das estações de pesquisa, conhecidas como linhas de luz, que são os pontos onde os experimentos são realizados.
De acordo com o MCTI, a fase 2 inclui o projeto e a construção de dez novas estações, o que deve ampliar a capacidade de uso do Sirius por pesquisadores de universidades, institutos científicos e empresas.
Na prática, o equipamento permite estudar amostras de medicamentos, fertilizantes, rochas, alimentos, materiais industriais, vírus, bactérias e outros sistemas físicos, químicos e biológicos.
As análises feitas no Sirius ajudam a observar estruturas que não podem ser examinadas com o mesmo nível de detalhe por métodos convencionais de laboratório.

Como a luz síncrotron revela detalhes da matéria
A luz síncrotron é produzida quando elétrons acelerados a velocidades próximas à da luz têm sua trajetória desviada por campos magnéticos.
Esse processo gera feixes de radiação eletromagnética com alto brilho, que podem incluir infravermelho, luz visível, ultravioleta e raios X.
Com esses feixes, pesquisadores conseguem analisar características internas das amostras, como composição química, organização espacial, estrutura molecular e alterações que ocorrem durante reações físicas, químicas ou biológicas.
O CNPEM informa que a tecnologia permite investigar materiais em escala de nanômetros, unidade equivalente a um bilionésimo de metro.
Esse tipo de análise pode ser aplicado a perguntas de diferentes áreas.
Em saúde, por exemplo, a luz síncrotron pode auxiliar estudos sobre moléculas relacionadas a medicamentos.
Na agricultura, pode contribuir para pesquisas sobre fertilizantes, solos e plantas.
Em energia, pode ser usada em investigações sobre baterias, biocombustíveis e materiais empregados em tecnologias renováveis.
Por funcionar como uma infraestrutura multiusuária, o Sirius recebe propostas de experimentos submetidas por grupos de pesquisa.
As solicitações passam por avaliação técnica e científica antes do uso das linhas de luz, modelo adotado também em outras grandes instalações científicas internacionais.
Fase 2 do Sirius amplia linhas de luz
A segunda fase do Sirius tem como foco ampliar o número de linhas de luz em operação.
Cada estação funciona como um laboratório especializado, com instrumentos definidos de acordo com o tipo de experimento que será realizado.
Algumas linhas permitem obter imagens tridimensionais de amostras; outras medem reações químicas, estruturas cristalinas ou propriedades de materiais.
O Sirius foi projetado para receber até 38 linhas de luz, conforme informações divulgadas pelo MCTI.
A expansão prevista no Novo PAC deve acrescentar dez novas estações de pesquisa, aumentando a quantidade de experimentos possíveis e a variedade de técnicas disponíveis aos usuários.
A ampliação também pode aumentar o uso do equipamento em pesquisas industriais.
Empresas podem recorrer às linhas de luz para estudar falhas em materiais, avaliar componentes, desenvolver produtos ou acompanhar processos de fabricação com dados obtidos em escala microscópica.
Nesse modelo, o acelerador não opera como um laboratório isolado.
Ele fornece feixes de luz para diferentes estações experimentais, e cada linha é preparada para responder a um conjunto específico de questões científicas ou tecnológicas.
Estrutura do Sirius exige controle de vibração e temperatura
O prédio que abriga o Sirius faz parte das condições necessárias para o funcionamento da máquina.
A estrutura foi planejada para reduzir vibrações, controlar variações de temperatura e manter a estabilidade dos componentes usados nos aceleradores e nas linhas de luz.
Pequenas alterações no piso, no ambiente ou no alinhamento dos equipamentos podem afetar a trajetória dos elétrons e a qualidade dos feixes enviados às estações de pesquisa.
Por isso, a construção reúne soluções de engenharia civil, controle ambiental, instrumentação científica, computação e física de aceleradores.

O CNPEM afirma que as instalações do Sirius exigiram cuidados específicos com estabilidade térmica, isolamento de vibrações internas e externas e controle de deformações no piso.
Esses fatores são tratados como parte do desempenho da fonte de luz síncrotron, não apenas como características prediais.
A operação depende da integração entre a máquina principal, os sistemas magnéticos, os dispositivos de controle, a infraestrutura elétrica, os ambientes técnicos e as estações experimentais.
Essa combinação explica por que a obra é apresentada pelo CNPEM como uma infraestrutura científica de grande porte.
Do LNLS ao Sirius
A trajetória brasileira nessa área começou antes da construção do Sirius.
Em 1987, foi iniciado o projeto do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o LNLS, planejado para funcionar como uma instalação aberta à comunidade científica.
Entre 1987 e 1997, o laboratório desenvolveu o UVX, a primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul, segundo o CNPEM.
O UVX permitiu formar equipes técnicas, desenvolver componentes e consolidar o uso compartilhado de uma grande infraestrutura científica no país.
Depois dessa etapa, o Sirius foi projetado para operar com características de fonte de luz síncrotron de quarta geração, padrão associado a feixes mais brilhantes e estáveis.
O desenvolvimento do projeto também envolveu empresas brasileiras.
Segundo o CNPEM, cerca de 85% dos recursos investidos no Sirius foram aplicados no país, por meio da contratação de serviços, componentes, matérias-primas e sistemas produzidos ou desenvolvidos em território nacional.
Essa participação industrial aparece em áreas como mecânica de precisão, sistemas de controle, engenharia, construção civil, tecnologia da informação e fabricação de componentes usados nos aceleradores e nas estações experimentais.
Novo PAC inclui outros projetos de ciência e tecnologia
O Sirius integra uma carteira mais ampla de investimentos do MCTI no Novo PAC.
O ministério informou que o conjunto de projetos de ciência, tecnologia e inovação soma aproximadamente R$ 12,1 bilhões, com recursos destinados a empreendimentos estruturantes e ações em diferentes regiões do país.
Entre os projetos citados pelo governo estão o Orion, laboratório de máxima contenção biológica em construção no CNPEM; um novo supercomputador voltado à inteligência artificial; a modernização do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden; e o Reator Multipropósito Brasileiro.
No caso do supercomputador, a proposta é ampliar a capacidade nacional de processamento de dados para aplicações em inteligência artificial, modelagem climática, saúde e energia.
Já a modernização do Cemaden está relacionada à atualização de equipamentos e sistemas usados no acompanhamento de eventos climáticos e geológicos.
A carteira do MCTI reúne projetos com finalidades distintas, mas ligados à ampliação de infraestrutura científica, tecnológica e de monitoramento.
No caso do Sirius, o foco está no aumento da capacidade experimental de uma fonte de luz síncrotron já em operação.
Como pesquisadores usam o Sirius
O Sirius funciona como instalação aberta à comunidade científica nacional e internacional.
Pesquisadores interessados em utilizar as linhas de luz submetem propostas de experimentos, que são analisadas antes do agendamento de uso.
Esse formato concentra equipamentos de alto custo em um centro nacional compartilhado, em vez de distribuir estruturas semelhantes por diferentes instituições.
Universidades, institutos de pesquisa e empresas podem acessar a infraestrutura conforme critérios técnicos e científicos definidos pelo laboratório.
Com a fase 2, a tendência é que mais projetos possam ser atendidos, conforme a entrada em operação das novas estações.
A ampliação também diversifica as técnicas disponíveis para análise de materiais, imagens, reações e estruturas químicas.


Ótima matéria, orgulho nacional esse projeto. Só tem mais dois aceleradores no mundo da mesma geração que esse. 85% de nacionalização, mostrando que podemos construir e superar desafios científicos com empresas e pessoas daqui. A WEG desenvolveu os eletroímãs, por exemplo. O piso, dizem, foi a obra de engenharia mais complexa do país depois da Itaipu.
O Brasil finalmente se tornando um país desenvolvido.
Gostei da piada, a gente sabe para onde foi 90% dessa grana.