Plataforma eólica flutuante instalada na China reúne números incomuns, tecnologia offshore e soluções de engenharia voltadas à geração de energia em águas profundas, em um projeto que chama atenção pelo tamanho e pela operação no mar.
A China instalou no mar uma plataforma eólica flutuante de 24.100 toneladas, presa ao fundo oceânico por nove âncoras de sucção, em uma operação ligada ao avanço da geração de energia em águas profundas.
A estrutura, chamada Sanxia Linghang, ou Three Gorges Pilot, foi instalada em 2 de maio de 2026 na região de Yangjiang, na província de Guangdong, segundo informações da China Three Gorges Corporation citadas pelo portal especializado Offshore Wind.
A unidade fica a mais de 70 quilômetros da costa, em uma área com profundidade superior a 50 metros.
-
Cidade fantasma de 4 mil moradores, abandonada após o colapso de uma mina de ferro, agora vira campo de treinamento com drones para polícia, resgate e equipes de emergência
-
Câncer colorretal avança no mundo, mas maioria dos casos pode ser evitada
-
NASA olha de novo para o buraco negro M87* e encontra no jato cósmico detalhes em raios X que parecem revelar um universo muito mais inquieto do que se imaginava
-
Sonda espacial da NASA passa a apenas 4.609 km de Marte, recebe impulso de 1.600 km/h e segue rumo ao asteroide 16 Psyche, corpo avaliado em até US$ 10.000.000.000.000.000
Diferentemente de turbinas offshore fixadas diretamente no leito marinho, o equipamento foi montado sobre uma base semissubmersível, que flutua e permanece presa ao fundo por um sistema de amarração projetado para operar em ambiente marítimo.
Plataforma eólica flutuante de 16 MW
De acordo com a China Three Gorges, a plataforma tem 16 megawatts de potência e foi apresentada pela empresa como a maior plataforma eólica flutuante de unidade única já instalada.
A formulação se refere ao modelo de uma única unidade, já que outros projetos chineses têm potência total maior ou configuração diferente, como a OceanX, da Mingyang Smart Energy, com duas turbinas, e o protótipo Qihang, da CRRC.
A Sanxia Linghang reúne uma turbina de grande porte, uma fundação flutuante semissubmersível, um sistema de amarração com cabos de poliéster e um cabo submarino dinâmico de 66 kV.

Segundo a desenvolvedora, o conjunto foi projetado para permitir a operação em áreas mais distantes da costa, onde a instalação de estruturas fixas tende a ser mais complexa por causa da profundidade.
Estrutura de 24.100 toneladas e rotor de 252 metros
A escala da estrutura aparece nos números técnicos divulgados sobre o projeto.
A plataforma mede 80,82 metros de comprimento por 91 metros de largura, com deslocamento de 24.100 toneladas, enquanto o rotor da turbina tem 252 metros de diâmetro e área varrida equivalente a cerca de sete campos de futebol padrão, conforme a descrição publicada por veículos chineses.
A altura também chama atenção pelo porte do equipamento, mas o dado é técnico, não apenas visual.
A ponta das pás pode ultrapassar 270 metros, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa e por veículos especializados no setor de energia offshore.
Esse tipo de configuração permite que a turbina capture vento em uma área maior, conforme a lógica de funcionamento de aerogeradores de grande diâmetro.
Nove âncoras prendem a estrutura ao fundo do mar
O sistema de ancoragem é uma das partes centrais do projeto.
A plataforma usa nove âncoras de sucção no leito marinho, conectadas à estrutura por correntes e cabos de poliéster de alto desempenho.
Segundo a Xinhua, esse tipo de cabo de poliéster foi aplicado pela primeira vez no setor eólico offshore da China.
A escolha do material tem relação com o comportamento da plataforma no mar.
Conforme a descrição técnica publicada pela Xinhua, os cabos de poliéster podem se deformar elasticamente quando a unidade sofre impacto de ondas, absorvendo parte da energia e reduzindo a transmissão de esforços rígidos para a estrutura.
O texto também informa que cada cabo pode suportar até 1.300 toneladas de tração.
Lastro ativo e cabo submarino dinâmico
Além das amarrações, o projeto usa um sistema de lastro ativo.
Em plataformas flutuantes, o lastro ajuda a controlar a posição e a inclinação da estrutura por meio da distribuição de água em compartimentos internos.
No caso da Sanxia Linghang, o sistema ajusta automaticamente a quantidade de água em três colunas para controlar a postura da plataforma durante a operação, segundo a China Three Gorges e a imprensa estatal chinesa.
A geração de eletricidade também exige uma conexão adaptada ao movimento da estrutura.
Como a plataforma não é fixa, o cabo submarino precisa acompanhar variações provocadas por ondas, correntes e vento.
Para isso, o projeto usa um cabo dinâmico de 66 kV, com desenho em forma de onda e medidas de proteção contra curvatura excessiva, segundo informações divulgadas sobre a instalação.
Operação de reboque até Yangjiang
Antes da instalação em Yangjiang, a plataforma foi montada em Beihai, na região de Guangxi, e rebocada até a área marítima onde ficaria ancorada.
Reportagens do setor informam que a unidade chegou ao local em 20 de abril de 2026, com a conclusão do engate das amarrações em 1º de maio e a instalação final no dia seguinte.
A operação mobilizou embarcações especializadas para transporte, içamento e fixação no mar.
Informações publicadas por veículos chineses citam o uso de equipamentos nacionais e de tecnologia de instalação voltada a projetos de energia eólica em águas profundas, incluindo métodos de cravação e monitoramento das âncoras de sucção.
Projeto sucede outra plataforma flutuante da China Three Gorges
O projeto sucede a Sanxia Yinling, ou Three Gorges Leader, unidade flutuante anterior da mesma desenvolvedora.
Segundo a China Three Gorges, a nova plataforma tem capacidade quase três vezes maior que a antecessora, além de redução superior a 50% no custo por quilowatt e uso de equipamentos-chave fabricados localmente.
Como se trata de dado divulgado pela própria empresa, a informação depende de acompanhamento operacional e de registros independentes para comparação em escala comercial.
Quando entrar em operação, a previsão informada pela desenvolvedora é que a turbina gere cerca de 44,65 GWh por ano.
A estimativa equivale a aproximadamente 44,65 milhões de kWh anuais, volume que, segundo a empresa, poderia atender cerca de 24 mil famílias de três pessoas durante um ano.

Energia eólica offshore em águas profundas
A instalação ocorre em um contexto de ampliação dos projetos eólicos flutuantes na China.
Em 2024, a Mingyang Smart Energy instalou a plataforma OceanX, de 16,6 MW, no parque eólico offshore Qingzhou IV, também em Yangjiang.
No mesmo período, a CRRC instalou em Shandong o protótipo Qihang, de 20 MW, voltado a testes.
No setor de energia offshore, as plataformas flutuantes são desenvolvidas para áreas em que a profundidade dificulta o uso de fundações fixas.
Esse modelo permite instalar turbinas em locais mais afastados da costa, mas também exige soluções específicas para estabilidade, transmissão elétrica, manutenção, corrosão e resistência a condições severas de mar.
No caso da Sanxia Linghang, a empresa informa que a estrutura foi projetada para suportar ondas superiores a 20 metros e ventos de até 73 metros por segundo.
Esses parâmetros foram divulgados por veículos chineses com base em informações do projeto, mas a operação contínua da plataforma ainda será necessária para avaliar seu desempenho em condições reais ao longo do tempo.
A imagem de uma plataforma de 24.100 toneladas rebocada para alto-mar e mantida no lugar por nove âncoras resume uma etapa técnica da expansão eólica offshore chinesa.
Sem depender de uma fundação fixa no fundo do mar, a unidade passa a testar, em escala real, soluções de flutuação, amarração, lastro e transmissão elétrica para turbinas de grande porte.
A implantação da Sanxia Linghang também mostra como a geração eólica no mar deixou de se limitar às áreas costeiras mais rasas.
À medida que plataformas flutuantes avançam, projetos desse tipo podem ampliar a disputa por regiões marítimas com ventos mais constantes, desde que os custos, a manutenção e a segurança operacional sejam comprovados em ciclos longos de funcionamento.


Cada vez mais complicado a disputa por algum tipo de geração de energia…e todas de alguma forma traz algum impacto ao meio ambiente..