Com a consolidação do acordo Mercosul–União Europeia, o Brasil passa a atrair formalmente o interesse de Japão, Reino Unido, Canadá, Emirados Árabes Unidos e países asiáticos, segundo apuração da CNN com fontes do governo, abrindo uma nova frente de negociações comerciais em nível ministerial e técnico
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia já começa a produzir efeitos além da relação bilateral e despertou o interesse de outros países em negociar com o bloco sul-americano. As informações são da CNN Brasil, com base em apuração da correspondente Priscila Yazbek junto a fontes do governo brasileiro.
Segundo a reportagem, Japão, Reino Unido e Canadá – países que integram o G7 – já procuraram o Mercosul para discutir a abertura de negociações comerciais. As mesmas fontes relataram à CNN que Emirados Árabes Unidos e países asiáticos também manifestaram interesse em avançar em conversas com o bloco.
As fontes ouvidas afirmaram que o acordo com a União Europeia acelera um processo de diversificação de mercados que já vinha em curso.
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A avaliação interna é de que a formalização do pacto amplia a atratividade do Mercosul no comércio internacional e cria novas oportunidades em um cenário de reorganização das cadeias globais.
Conversas já ocorrem em níveis ministerial e técnico
De acordo com a apuração da CNN Brasil, as tratativas com os países interessados já estão acontecendo tanto no nível ministerial, entre ministros das Relações Exteriores, quanto no nível técnico, envolvendo negociadores comerciais e diplomatas. Esses diálogos teriam começado antes mesmo da consolidação do acordo com a União Europeia, mas devem se intensificar a partir de agora.
Fontes do governo brasileiro também destacaram que 2026 deve ser um ano de forte carga de trabalho diplomático, justamente pela multiplicidade de frentes de negociação abertas após o acordo com o bloco europeu.
Acordos recentes funcionam como selo de credibilidade
A reportagem lembra ainda que o Mercosul firmou um acordo com a EFTA em 2025 – bloco que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein – e um acordo comercial com Singapura em 2023. Segundo as fontes ouvidas, esses acordos, somados ao entendimento com a União Europeia, funcionam como um selo de qualidade e confiança para novas negociações.
A decisão do maior bloco comercial do mundo de formalizar uma parceria com o Mercosul amplia a credibilidade internacional do bloco sul-americano, especialmente em um contexto de políticas mais protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, o que tem levado outros países a buscar mercados alternativos.
Integrantes da Comissão Europeia teriam adiado o recesso do início do ano para costurar internamente o acordo, diante do risco de perda da janela política.
Segundo fontes do governo brasileiro, havia receio de que resistências internas, especialmente em países mais protecionistas como a França, inviabilizassem a consolidação caso o acordo não avançasse antes da cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu, em dezembro.
Todas as informações relatadas são da CNN Brasil, com base em fontes do governo brasileiro e especialistas ouvidos pela emissora.
