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“Não permitam que o BRICS vire um clube anti-G7”: Macron alerta para fragmentação mundial e exige fim da divisão entre blocos globais

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 09/01/2026 às 13:17
Atualizado em 09/01/2026 às 13:18
Macron critica EUA e alerta: G7 não pode ser clube anti-China nem BRICS virar grupo anti-G7 em nova ordem mundial.
Macron critica EUA e alerta: G7 não pode ser clube anti-China nem BRICS virar grupo anti-G7 em nova ordem mundial.
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Em um cenário de crescente tensão geopolítica, o presidente francês alerta contra a transformação do G7 e do BRICS em blocos rivais, critica o isolacionismo americano e aponta os riscos de um novo imperialismo que ameaça a governança global e a soberania das nações

Na quinta-feira, no Palácio do Eliseu em Paris, o presidente Emmanuel Macron discursou aos embaixadores franceses criticando os EUA por abandonarem aliados e regras, enquanto delineava a agenda diplomática de 2026 focada na soberania europeia e na prevenção da fragmentação global.

Críticas centrais aos Estados Unidos e à ordem global

Em seu discurso anual aos embaixadores, o presidente francês delineou as prioridades da política externa da França com críticas diretas a Washington. Segundo um comunicado de imprensa emitido pelo Palácio do Eliseu, Macron afirmou que os Estados Unidos estão gradualmente se afastando de alguns de seus aliados.

O presidente destacou que, embora seja uma potência estabelecida, a nação americana está se libertando das regras internacionais que promovia até recentemente. Ele rejeitou o que descreveu como um “novo colonialismo e novo imperialismo” em um cenário mundial dominado por grandes potências.

Macron alertou que vivemos em um mundo com uma tentação real de divisão. Ele reconheceu explicitamente que as instituições multilaterais estão funcionando de maneira cada vez menos eficaz no atual contexto geopolítico.

O líder francês insistiu que a “governança global” é fundamental neste momento. Ele ilustrou a gravidade da situação mencionando que as pessoas comuns se perguntam se a Groenlândia será invadida ou se o Canadá enfrentará a ameaça de se tornar o 51º estado.

Segundo o presidente, este é o momento certo para reinvestir totalmente nas Nações Unidas. Ele observou, no entanto, que o maior acionista da organização já não acredita nela, referindo-se implicitamente à postura americana recente.

Um relatório do Politico EU observou que Macron usou o discurso para pintar um quadro de potências globais predatórias. Essas potências estariam buscando dividir o mundo em esferas de influência, com os EUA dominando o Hemisfério Ocidental sob a chamada Doutrina Monroe.

Contexto geopolítico e reações às ações de Washington

Um relatório da AFP observou que as observações de Macron na quinta-feira representam algumas de suas críticas mais fortes às políticas de Washington sob Donald Trump. O discurso ocorreu em um momento crítico para as potências europeias.

As nações da Europa estavam lutando para apresentar uma resposta coordenada à aprensão forçada do líder venezuelano Nicolas Maduro. Além disso, havia a preocupação com os desígnios do presidente dos EUA sobre o território da Groenlândia.

O relatório do Politico EU notou que o presidente francês não mencionou especificamente a Venezuela em seu discurso. No entanto, as situações em Caracas e na Groenlândia são as principais preocupações de Paris atualmente.

A França está ajudando a elaborar uma resposta europeia às ameaças de Trump contra o território dinamarquês autônomo. Cui Hongjian, professor da Academia de Governança Regional e Global da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, analisou a situação para o Global Times na sexta-feira.

Cui observou que as críticas de Macron parecem ser direcionadas principalmente aos EUA após uma série de ações de Washington. Ele afirmou que a retórica recente dos EUA sobre a Groenlândia destruiu a crença remanescente da Europa de que Washington trataria seus aliados de forma diferente.

Para a França e a Europa, a política dos EUA está adotando cada vez mais uma ordem hierárquica centrada nos americanos. Cui acrescentou que essa postura contradiz o princípio da igualdade soberana entre as nações.

Anteriormente, a classe política da França havia condenado amplamente a apreensão forçada de Maduro pelas forças armadas dos EUA. No entanto, Macron não denunciou nem o método nem a intervenção em si na ocasião.

Em uma postagem no X em 4 de janeiro, o presidente disse que o povo venezuelano deveria se “regozijar”. Partidos de esquerda da França criticaram seus comentários, classificando-os como uma “vergonha”, segundo um relatório da RFI.

As reuniões anuais de enviados da França tornaram-se um palco fundamental para Macron articular sua visão de mundo. O discurso reflete lições extraídas de uma série de choques recentes, da Venezuela à Groenlândia.

Posicionamento estratégico sobre Rússia, China e G7

No discurso de quinta-feira, o presidente francês também criticou a Rússia, classificando-a como uma “potência desestabilizadora”. Ele citou ações em relação à Ucrânia e outras regiões, além de interferência de informações e outras atividades.

Macron também fez reclamações sobre a China, especificamente em relação ao comércio. Um especialista chinês observou que, embora o tom sobre a China diferisse de sua visita a Pequim, as alegações ecoavam a retórica econômica familiar da UE.

O presidente francês abordou a gestão dos desequilíbrios globais tratados pelo G7. Ele enfatizou que é essencial fazer todo o possível para evitar a fragmentação do mundo em blocos antagônicos.

Ele alertou especificamente contra transformar o G7 em um clube anti-China ou um clube de divisão global. Da mesma forma, defendeu não torner o G7 um clube anti-BRICS e não permitir que o BRICS se torne um clube anti-G7.

Agenda diplomática futura e análise de especialistas

Macron presidiu três sessões de trabalho temáticas durante a Conferência de Embaixadores. Essas sessões ajudarão a moldar a agenda diplomática da França para o ano de 2026.

Os temas focaram na soberania europeia e na presidência francesa do G7. A África também foi um foco central, antecedendo a Cúpula África-França que será realizada em Nairóbi.

Cui Hongjian apontou que o discurso de Macron ressaltou o dilema estratégico da Europa presa entre grandes potências. O discurso reflete a frustração mais ampla da Europa e as restrições que enfrenta no cenário atual.

O especialista destacou que a capacidade da França e da UE de moldar assuntos globais continua a sofrer erosão. O bloco está sobrecarregado por divisões internas e restrições institucionais, possuindo alavancagem limitada no exterior.

A UE luta para acompanhar o ritmo da China ou dos EUA em meio à competição acelerada. Cui afirmou que a Europa enfrenta uma crescente sensação de insegurança estratégica, incapaz de competir efetivamente ou de recuar.

Os avisos da Europa sobre uma nova era de rivalidade entre grandes potências refletem essa vulnerabilidade. Isso ocorre enquanto EUA, Rússia e China aceleram a competição em áreas de suas respectivas forças.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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