Ao firmar em 9 de dezembro, em Londres, parceria estratégica entre Conitec e NICE, o Brasil passa a compartilhar métodos, inteligência artificial e modelos de negociação de preços para incorporar tecnologias em saúde com mais segurança, transparência e proteção ao orçamento público e aos pacientes do SUS em todo país.
Nesta terça-feira, dia 9, em Londres, o Brasil formalizou um acordo estratégico com o Reino Unido que conecta a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ao National Institute for Health and Care Excellence (NICE) para qualificar decisões sobre novas tecnologias em saúde. O documento pretende reduzir riscos para pacientes e para os cofres públicos ao apoiar decisões mais criteriosas sobre tratamentos caros e complexos.
O acordo decorre de uma carta de intenções assinada entre os dois países em outubro de 2025, que reconhece Brasil e Reino Unido como parceiros estratégicos em saúde pública. A partir desse marco, a cooperação se expande para avaliação de tecnologias em saúde, negociação de preços de tratamentos inovadores, uso de inteligência artificial e fortalecimento das capacidades técnicas do Sistema Único de Saúde.
Parceria mira decisões mais seguras e sustentáveis no SUS
A cooperação entre Conitec e NICE busca criar diretrizes e fluxos para um programa nacional de avaliação de tecnologias em saúde, conhecido como ATS.
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O objetivo é qualificar de forma sistemática as decisões sobre quais medicamentos, equipamentos e procedimentos serão incorporados ao SUS, sempre com base em evidências científicas e no impacto econômico para o sistema público.
O acordo reforça o compromisso do governo federal com a incorporação responsável de tecnologias e com o fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais do Brasil para enfrentar desafios futuros em saúde pública.
Em um cenário de tecnologias cada vez mais complexas e caras, a avaliação de tecnologias em saúde se torna central para orientar o Estado sobre o que realmente traz benefício clínico e vale o investimento.
Negociação de preços e proteção do orçamento público
Inspirado na experiência britânica, o Brasil pretende aprimorar modelos de acesso a tratamentos inovadores, com foco em medicamentos de alto custo.
A parceria abre caminho para negociar preços com base em resultados, evidências e critérios econômicos mais rígidos, reduzindo a possibilidade de pagar caro por tecnologias com eficácia incerta.
Segundo o Ministério da Saúde, aprender com as estratégias do Reino Unido deve ajudar a blindar pacientes e cofres públicos contra tratamentos ineficazes e superfaturados.
A ideia é que o SUS tenha mais poder de barganha diante da indústria, garantindo acesso à inovação, mas com custos sustentáveis para o orçamento da saúde.
Inteligência artificial na avaliação de remédios caros
Um dos pontos centrais do acordo é a integração de ferramentas de inteligência artificial nos processos de avaliação de tecnologias em saúde.
Estão previstas ações de aprendizado técnico, missões e oficinas para ensinar equipes brasileiras a incorporar sistemas de inteligência artificial no dia a dia da análise de evidências científicas e de estudos sobre medicamentos caros e novas terapias.
Com o apoio do NICE, o Brasil quer acelerar e tornar mais eficiente a etapa de triagem e interpretação de dados usados pela Conitec.
A expectativa é que a inteligência artificial ajude a organizar melhor as informações disponíveis, identificar lacunas de evidência e apoiar recomendações mais rápidas e consistentes sobre o que deve ou não ser incorporado ao SUS.
Transparência, conflitos de interesse e confiança social
A parceria também prevê medidas para aprimorar a transparência e a gestão de conflitos de interesse na avaliação de tecnologias em saúde.
A intenção é refinar regras, procedimentos e instâncias de governança, de modo que especialistas, representantes da sociedade e gestores participem com mais clareza sobre vínculos com a indústria ou outras instituições.
Ao adotar padrões internacionais e fortalecer mecanismos de controle, o Brasil busca aumentar a confiança pública nas decisões sobre incorporação de tecnologias no SUS.
Quanto mais claros forem os critérios utilizados, menor o espaço para dúvidas sobre influência indevida de interesses econômicos e maior a legitimidade das decisões perante pacientes, profissionais e gestores.
Ciência, inovação e aproximação do ecossistema britânico
No campo da ciência, tecnologia, inovação e saúde digital, o acordo abre as portas para que o Brasil conheça melhor o ecossistema britânico, incluindo a relação entre pesquisa, regulação e avaliação de tecnologias.
A cooperação pretende usar a produção científica como aliada para encurtar o caminho entre estudos, aprovação e acesso da população a novos tratamentos.
Além das missões técnicas e da participação em comitês, a parceria incentiva o debate sobre como organizar projetos de pesquisa orientados às necessidades do SUS.
E você, acredita que essa parceria entre Brasil e Reino Unido pode realmente ajudar o SUS a oferecer tratamentos mais inovadores sem aumentar o risco de desperdício de dinheiro público?
