1. Início
  2. Economia
  3. Brasil exportou toneladas de mineração de terras raras ao Canadá na última semana e mira Estados Unidos e China para vender minerais críticos usados em ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, energia nuclear e defesa
1 comentário 7 min de leitura

Brasil exportou toneladas de mineração de terras raras ao Canadá na última semana e mira Estados Unidos e China para vender minerais críticos usados em ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, energia nuclear e defesa

Foto de perfil do autor Flavia Marinho
Escrito por Flavia Marinho Publicado em 13/04/2026 às 17:39 Atualizado em 13/04/2026 às 18:11
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
10 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Exportação de toneladas de monazita ao Canadá recoloca o Brasil no mapa das terras raras e dos minerais críticos

A mineração brasileira ganhou um movimento de peso em 5 de abril: a ADL Mineração, empresa com sede em São Paulo, realizou o primeiro embarque internacional de monazita para o Canadá a partir da operação de Buena, em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense. O envio empurra o Brasil de volta para uma conversa global que mistura indústria, tecnologia, energia e geopolítica.

A carga inaugural não chama atenção só pelo destino. Ela marca o avanço da iniciativa privada em um mercado tratado como estratégico por envolver terras raras e minerais críticos usados em ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, energia nuclear e defesa. E já chega com meta definida: exportar entre 500 e 1.000 toneladas até o fim de 2026 e alcançar cerca de 3 mil toneladas embarcadas em dois anos.

Buena sai do mapa local e entra de vez na corrida por minerais críticos

O que antes parecia uma operação regional agora passa a ocupar um espaço muito maior. A unidade de Buena, ligada historicamente à INB, virou ponto de partida de uma exportação que mexe com uma das cadeias mais sensíveis da economia mundial. Não é exagero: quando a monazita embarca, ela leva junto o peso estratégico das terras raras.

A mudança também ajuda a explicar por que esse envio repercute além do setor mineral. O Brasil aparece, ao mesmo tempo, como origem de matéria-prima, novo elo privado de uma cadeia estratégica e fornecedor potencial para mercados como Canadá, Estados Unidos e China.

Data que marcou o setor
5 de abril
Primeiro embarque internacional de monazita da ADL com destino ao Canadá.
Origem da operação
Buena, RJ
A produção ligada à unidade de São Francisco de Itabapoana recoloca a região no radar mineral.
Meta de exportação
500 a 1.000 t
Volume previsto até o fim de 2026, com objetivo de chegar a 3 mil toneladas em dois anos.
Informações rápidas
EmpresaADL Mineração, com sede em São Paulo e operação em Buena, no Rio de Janeiro
Mineral exportadoMonazita, principal fonte comercial de elementos de terras raras
Primeiro destinoCanadá
Mercados citados pela empresaCanadá, Estados Unidos e China
Projeção até 2026Entre 500 e 1.000 toneladas exportadas
Meta em dois anosCerca de 3 mil toneladas embarcadas

O que aconteceu com a exportação de monazita para o Canadá

A operação marca o primeiro embarque internacional de monazita feito pela ADL Mineração e ganha peso por abrir uma nova fase para o setor. A leitura mais forte do mercado é simples: o Brasil volta a aparecer com exportação concreta em uma cadeia que passou anos concentrada em poucos atores e sob forte vigilância regulatória.

A carga saiu da estrutura de Buena, em São Francisco de Itabapoana, área que já tinha histórico mineral e agora volta ao centro da conversa industrial. O projeto também ajuda a consolidar a presença da ADL em uma atividade que mistura extração, beneficiamento e comercialização de minerais estratégicos.

Por que a monazita virou peça central na disputa por terras raras e minerais críticos

A monazita entrou de vez no radar porque ela é uma das fontes mais importantes de terras raras, grupo de elementos que alimenta cadeias industriais de alta complexidade. Sem esse insumo, fica muito mais difícil sustentar a produção de componentes que hoje são tratados como estratégicos por governos e grandes empresas.

É por isso que o mineral aparece ligado a ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, energia nuclear e defesa. A análise mais recente da Agência Internacional de Energia reforça esse peso ao mostrar que os ímãs permanentes concentram a aplicação mais estratégica dessa cadeia por valor e que a produção global continua fortemente concentrada.

No estudo publicado em abril de 2026, a IEA aponta que a China respondeu em 2024 por cerca de 60% da mineração global de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes. Quando um embarque brasileiro de monazita acontece, ele não entra em um mercado qualquer. Ele entra justamente em uma cadeia onde diversificar a oferta virou assunto de segurança industrial.

Onde a monazita pesaPor que isso importa
Ímãs permanentesSão decisivos para motores de alto desempenho e equipamentos de precisão
Veículos elétricosEntram na cadeia de motores, eficiência energética e eletrificação industrial
Turbinas eólicasAjudam a sustentar a expansão de energia limpa e a demanda por minerais críticos
Eletrônicos e componentesA cadeia depende de materiais com desempenho elevado e difícil substituição
Energia nuclear e defesaSão áreas sensíveis, de alto valor e com forte peso geopolítico

O que muda para o Brasil com essa exportação de terras raras

A exportação tem um efeito direto na imagem do país dentro da mineração de terras raras: o Brasil deixa de aparecer só como promessa geológica e volta a aparecer com embarque real. Isso é especialmente relevante porque o governo federal já trata os minerais críticos como eixo estratégico para a indústria, a transição energética e o avanço tecnológico.

O Ministério de Minas e Energia afirma que o Brasil pode entrar no grupo dos maiores produtores globais de terras raras nos próximos anos. A leitura do ministério ajuda a dar dimensão ao que Buena representa: não se trata apenas de uma venda externa, mas de um sinal de que a cadeia mineral brasileira tenta ganhar musculatura em um setor tratado como estratégico.

A base de Buena e o novo papel da ADL Mineração

A história dessa exportação passa pela estrutura de Buena. Em página oficial, a INB informa que assinou em 2024 um contrato de cessão onerosa de direito de uso por 30 anos com a ADL Mineração para a unidade de Buena. O modelo permite o uso da planta e das instalações para processamento de minerais ligados aos direitos minerários da empresa cessionária.

A unidade passa a operar com uma nova administradora, enquanto a estatal recebe parcela fixa mensal e royalties sobre a produção. Historicamente, Buena atuava na separação e comercialização de ilmenita, zirconita, rutilo e monazita, o que ajuda a entender por que a região voltou a ganhar relevância nesse

O movimento externo não nasceu agora. Em julho de 2025, a própria INB divulgou uma nota sobre contrato da ADL com uma empresa chinesa para venda de pré-concentrado de minerais pesados produzido em Buena. O registro mostra que a frente internacional da operação já vinha sendo construída antes do embarque atual para o Canadá.

Canadá, China e Estados Unidos entram na rota da nova fase da mineração brasileira

O primeiro destino da carga foi o Canadá, mas o plano anunciado pela companhia é mais amplo. A projeção inclui Estados Unidos e China como mercados atendidos até o fim de 2026. Isso mostra que a ADL não está olhando para uma operação pontual, e sim para uma presença comercial mais estável em uma cadeia que vale cada vez mais.

Esse detalhe muda o tamanho da notícia. Canadá e Estados Unidos aparecem hoje entre os países que buscam reduzir dependência externa de minerais críticos, enquanto a China segue como o grande centro de gravidade dessa cadeia. Quando o Brasil passa a embarcar monazita com mais regularidade, ele se aproxima de uma disputa internacional que envolve fornecimento, tecnologia, refino e poder industrial.

Ainda assim, o recado mais importante não está só no volume inicial. Está no fato de que a exportação recoloca o país no jogo num momento em que quase todo o mundo quer reduzir vulnerabilidades em terras raras, mas poucos conseguem entregar produção com regularidade.

Data ou horizonteO que aconteceu
2024INB assina cessão onerosa de direito de uso por 30 anos da unidade de Buena para a ADL Mineração
Julho de 2025INB comunica contrato de venda de pré-concentrado de minerais pesados de Buena para empresa chinesa
5 de abril de 2026Primeiro embarque internacional de monazita da ADL com destino ao Canadá
Até o fim de 2026Meta de exportar entre 500 e 1.000 toneladas
Próximos dois anosObjetivo de chegar a cerca de 3 mil toneladas embarcadas

Para conferir a informação original e entender o contexto completo, vale acessar a página oficial da ADL Mineração, ver os endereços da companhia, consultar a página oficial da INB sobre Buena, ler a nota da INB sobre a venda para a China, conferir a análise do Ministério de Minas e Energia e acompanhar o estudo da Agência Internacional de Energia sobre a disputa global por terras raras.

E você: essa exportação mostra que o Brasil finalmente pode ganhar espaço real no mercado de terras raras ou o país ainda está longe de subir de nível nessa cadeia? Comente e compartilhe com quem acompanha mineração, indústria e minerais críticos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tainan
Tainan
14/04/2026 23:26

O problema não é apenas econômico, mas também geopolítico: ao priorizar a exportação bruta, o país se coloca em posição de dependência, enquanto outras nações transformam esses **** em produtos de alto valor e poder estratégico. Além disso, a ausência de um plano claro de segurança e fiscalização aumenta riscos de exploração ilegal, contrabando e impactos ambientais.

No fim, a sensação é de curto-prazismo: ganhar agora e perder no futuro. O Brasil deveria investir em tecnologia, **** produtiva interna e proteção desses recursos não simplesmente entregá-los sem garantir retorno real para o país.

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x