O mercado brasileiro de cervejas sem álcool avançou rapidamente nos últimos anos e consolidou uma mudança nacional marcada por consumo consciente, equilíbrio e crescimento contínuo.
O consumo de cervejas sem álcool no Brasil evoluiu de forma intensa entre 2019 e 2025, conforme dados nominais do Euromonitor divulgados ao longo desse período.
Em 2019, o país registrou 140 milhões de litros vendidos, enquanto em 2024 atingiu 702 milhões de litros, ficando atrás apenas da Alemanha no ranking global.
Além disso, a projeção para 2025, segundo o próprio Euromonitor, indica 786 milhões de litros, o que reforça um movimento sólido e contínuo.
Esse salto também está diretamente ligado ao comportamento da Geração Z, conforme estudo nominal da MindMiners divulgado em 2024, apontando que apenas 45% dos jovens nascidos entre 1997 e 2012 consomem bebidas alcoólicas.
Esse índice é até 20 pontos percentuais inferior ao observado em gerações anteriores, o que impulsiona bebidas funcionais e com menor teor calórico.
Desempenho das grandes cervejarias e expansão das estratégias comerciais
A evolução também ganhou força pelas iniciativas das maiores cervejarias do país.
A Ambev informou que as vendas de cervejas sem álcool cresceram 20% no terceiro trimestre de 2025, conforme declaração do diretor Gustavo Castro.
Segundo ele, o avanço foi possível porque as linhas Corona Zero, Brahma Zero e Budweiser Zero passaram por processos tecnológicos que aproximaram o sabor das versões tradicionais.
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Um ciclo vicioso que pode afetar, tanto a produção, quanto a demanda. Este é o cenário que está sendo construído pela política monetária empreendida pelo Banco Central (BC), que se obriga a manter um aperto monetário (vide Selic hoje no patamar de 14,25% ao ano), para conter uma inflação resiliente (projetada em 5,33% para 2026 pelo boletim Focus), como reflexo do desajuste fiscal (despesas superam receitas) patrocinado pelo governo federal, ‘de olho’ no pleito de outubro próximo.
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O Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio do Anuário da Cerveja 2024, destacou que a produção nacional de cervejas sem álcool sextuplicou entre 2023 e 2024, seguindo a tendência de consumo mais equilibrado e funcional.
Liderança da Heineken e impacto no comportamento dos consumidores
A Heineken 0.0, lançada em 2020, tornou-se a cerveja sem álcool mais vendida do país, conforme estudo nominal da Nielsen IQ divulgado em 2024.
Segundo Bruna Rosato, gerente de marketing da marca, a aceitação ocorre porque o processo de fabricação é equivalente ao da versão tradicional, com retirada do álcool apenas no final.
O grupo reforça que o Brasil representa um mercado estratégico de longo prazo, devido ao avanço da moderação no consumo e ao interesse por bebidas premium.
Crescimento das artesanais e diversificação dos estilos
O movimento também alcançou as cervejarias artesanais.
A startup paulista Etapp prevê atingir 1 milhão de latas produzidas em 2025, segundo seu cofundador Eduardo Andrade, e projeta crescimento de três dígitos pelos próximos três anos.
Atualmente, o portfólio da marca inclui estilos como Session IPA Zero e Stout Zero, ampliando a variedade e fortalecendo a oferta de bebidas sem álcool no mercado nacional.
Paralelamente, o Grupo Petrópolis informou que a Itaipava Zero registrou aumento de 27% nas vendas desde 2022, apesar de a categoria representar cerca de 1% da produção total da empresa.
Desempenho econômico e perspectivas de longo prazo para o setor
Mesmo com a redução de 7,9% no volume total de bebidas vendidas pela Ambev no terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou alta de 6% na receita por hectolitro.
Esse resultado foi impulsionado pelos segmentos zero álcool, premium e super premium, que apresentam margens maiores e posicionamento estratégico.
Conforme análise nominal de Caroline Sanchez, da Levante Inside Corp, o segmento sem álcool está longe da saturação e oferece diferenciação de marca, crescimento consistente e alto potencial futuro.
Dados da Nielsen reforçam essa tendência ao mostrar que, enquanto o mercado tradicional cresce cerca de 1% ao ano, o mercado de cervejas sem álcool avança aproximadamente 13%.
Assim, o Brasil se posiciona como uma potência emergente no consumo consciente, investindo em equilíbrio, inovação e novos hábitos. Com esse avanço acelerado, será que a categoria zero álcool assumirá de vez o protagonismo no mercado cervejeiro nacional?
