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‘Bomba-relógio’ tectônica: novo achado na Falha de San Andreas revela fragmento oculto perdido há 30 milhões de anos que pode causar megaterremoto nos EUA

Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/01/2026 às 01:13
Assista o vídeoIlustração artística de uma falha cortando uma cidade ao meio. (Imagem: Reprodução)
Ilustração artística de uma falha cortando uma cidade ao meio. (Imagem: Reprodução)
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Um novo achado geológico lança luz sobre estruturas profundas pouco mapeadas no litoral do Pacífico, reacendendo debates científicos sobre como placas tectônicas interagem e como esses processos podem influenciar avaliações de risco sísmico nos Estados Unidos.

Cientistas nos Estados Unidos identificaram um novo elemento geológico que ajuda a explicar a complexidade da região onde a Falha de San Andreas se conecta, ao norte da Califórnia, com outros sistemas tectônicos ativos.

De acordo com um estudo recente, um fragmento de uma antiga placa tectônica permanece preso sob essa área e amplia as superfícies de contato entre placas em movimento, o que pode influenciar a forma como o risco sísmico é avaliado na costa oeste do país.

A pesquisa foi publicada na revista científica Science e descreve a existência do chamado Pioneer Fragment, um remanescente de uma placa oceânica antiga associada a processos de subducção que atuam na margem oeste da América do Norte há dezenas de milhões de anos.

Até então, modelos geológicos indicavam que essa placa teria sido completamente absorvida pelo manto terrestre.

O novo trabalho, no entanto, aponta que parte desse material não desapareceu e passou a se deslocar junto com a placa do Pacífico.

Junção tripla de Mendocino concentra diferentes movimentos tectônicos

O foco do estudo está na junção tripla de Mendocino, uma área em que diferentes limites de placas se encontram em um espaço relativamente reduzido.

Nesse ponto, a Falha de San Andreas, caracterizada pelo movimento lateral entre a placa do Pacífico e a placa da América do Norte, se conecta à zona de subducção de Cascadia, onde placas oceânicas mergulham sob o continente.

(Imagem: Reprodução)
(Imagem: Reprodução)

Segundo os pesquisadores, essa combinação de mecanismos torna o comportamento tectônico local particularmente difícil de modelar.

Embora mapas geológicos simplificados indiquem limites bem definidos, análises mais detalhadas sugerem a presença de estruturas profundas que alteram a geometria do contato entre as placas.

Enquanto a Falha de San Andreas é conhecida por produzir terremotos rasos e potencialmente destrutivos, a zona de Cascadia está associada a eventos de grande magnitude.

Redes de monitoramento sísmico e estudos históricos já apontaram que essa região é capaz de gerar terremotos acima de magnitude 9 ao longo do litoral que vai do norte da Califórnia até o Canadá.

Pioneer Fragment amplia superfícies de contato entre placas

De acordo com o estudo, o Pioneer Fragment corresponde a uma porção de litosfera oceânica que não foi totalmente subduzida.

Esse material acabou sendo incorporado ao movimento da placa do Pacífico, passando a se deslocar junto com ela.

Esse processo, segundo os autores, aumentou a área de interação entre a placa do Pacífico e o sistema de subducção localizado mais ao norte.

Em declaração incluída no artigo, o geofísico David Shelly, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, afirma que o fragmento amplia a zona de contato entre o que funciona, na prática, como a placa do Pacífico e a região de subducção.

Para os pesquisadores, essa configuração ajuda a explicar por que os riscos sísmicos na área ainda apresentam incertezas significativas.

O estudo também identifica um plano de contato quase horizontal entre o Pioneer Fragment e a placa norte-americana.

Segundo os autores, esse tipo de estrutura não costuma aparecer em modelos tradicionais de risco sísmico, que priorizam falhas mais inclinadas ou verticais visíveis na superfície.

Microterremotos revelam estrutura escondida no subsolo

A identificação do fragmento foi possível a partir da análise de microterremotos e de tremores de baixa frequência.

Esses eventos sísmicos têm pequena magnitude e não são percebidos pela população.

Ainda assim, fornecem informações relevantes sobre a dinâmica das placas em profundidade quando registrados por instrumentos de alta sensibilidade.

Ao mapear a distribuição desses tremores, a equipe conseguiu reconstruir limites entre blocos tectônicos e inferir movimentos relativos que não aparecem em levantamentos convencionais.

Segundo os autores, padrões repetidos desses sinais indicam zonas de atrito ativo entre diferentes porções da litosfera.

O estudo também descreve que partes associadas à antiga placa de Gorda teriam sido raspadas e reincorporadas ao sistema ao longo do tempo.

Esse processo contribui para uma configuração geológica fragmentada, que dificulta a definição de limites claros entre as placas envolvidas.

Terremotos no norte da Califórnia entram no debate científico

Os pesquisadores apontam que essa geometria complexa pode ajudar a entender características de terremotos já registrados no norte da Califórnia.

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Um dos exemplos citados é o terremoto de Cape Mendocino, ocorrido em 1992.

Nesse caso, a origem do abalo foi estimada em profundidade menor do que a esperada para aquele setor.

Segundo o estudo, a presença de fragmentos tectônicos e superfícies de contato rasas pode ter influenciado a localização da ruptura naquele evento.

Ainda assim, os autores ressaltam que o trabalho não permite estabelecer uma relação direta ou causal entre o Pioneer Fragment e terremotos específicos.

Também não há, de acordo com o artigo, evidências suficientes para afirmar que o contato identificado funcione como uma nova falha capaz de gerar grandes terremotos de forma independente.

A principal contribuição do estudo, segundo os cientistas, é indicar que existem estruturas relevantes ainda pouco consideradas nos modelos atuais.

Implicações para o entendimento do risco sísmico

Pesquisas anteriores já discutiam a possibilidade de que grandes terremotos na zona de Cascadia pudessem influenciar a atividade sísmica ao longo do prolongamento norte da Falha de San Andreas.

A nova análise sugere que a área de interação entre esses sistemas pode ser maior e mais complexa do que se supunha.

De acordo com os autores, compreender essa arquitetura em detalhes é essencial para aprimorar modelos de risco.

O estudo, no entanto, não tem como objetivo prever quando ocorrerá um próximo grande terremoto.

Os pesquisadores destacam que avanços na instrumentação sísmica têm permitido observar processos antes invisíveis.

Mesmo assim, transformar esses dados em estimativas mais precisas de risco segue como um desafio científico.

À medida que novas informações sobre o subsolo da costa do Pacífico são incorporadas, especialistas indicam que mapas e modelos podem precisar ser atualizados para refletir essa complexidade.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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