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Bomba nuclear explode no deserto, derrete areia e cria um cristal raro que cientistas dizem não conseguir fabricar em laboratório comum

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 12/05/2026 às 09:29
Atualizado em 12/05/2026 às 12:48
Cristal raro criado pela primeira bomba nuclear intriga cientistas e revela materiais impossíveis de produzir em laboratório comum.
Cristal raro criado pela primeira bomba nuclear intriga cientistas e revela materiais impossíveis de produzir em laboratório comum.
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Pesquisadores encontraram nos destroços da primeira bomba nuclear um cristal raro formado em condições extremas de calor, pressão e resfriamento rápido, revelando uma estrutura impossível de reproduzir em laboratório convencional e ampliando estudos sobre física, mineralogia e ciência forense nuclear.

A primeira explosão de bomba nuclear pelos Estados Unidos em 1945 criou um cristal raro nunca reproduzido em laboratório convencional. O material foi identificado em vidro trinitita formado após o teste Trinity, realizado em 16 de julho no deserto.

Descoberta em destroços da bomba nuclear

Pesquisadores encontraram um clatrato de cálcio, cobre e silício incrustado nos destroços radioativos do teste Trinity. O cristal cúbico representa o primeiro clatrato confirmado produzido por uma explosão nuclear, conforme artigo publicado pela revista PNAS em 11 de maio.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Florença, responsáveis pela identificação cristalográfica do material. Os autores afirmaram que o clatrato tipo I de cálcio, cobre e silício era desconhecido até então e surgiu durante a detonação nuclear.

Os clatratos possuem estruturas microscópicas formadas por gaiolas atômicas que aprisionam outros átomos em seu interior. Nesse caso, a estrutura foi construída por silício e cobre, formando uma rede rígida responsável por aprisionar átomos de cálcio.

A estrutura do cristal apresenta formas geométricas semelhantes a dodecaedros com doze faces. O arranjo atômico gerou uma matéria estável considerada exótica, ausente em condições ambientais normais e impossível de ser reproduzida por métodos laboratoriais convencionais.

Condições extremas do teste Trinity

Segundo os pesquisadores, o cristal surgiu durante condições fora do equilíbrio registradas em 16 de julho de 1945. O ambiente reunia milhões de graus de calor, pressão atmosférica extrema e resfriamento rápido capaz de congelar átomos antes da reorganização natural.

Essas condições permitiram a formação de fases de não equilíbrio, caracterizadas por materiais impossíveis de produzir em síntese laboratorial tradicional. Para compreender os destroços da bomba nuclear, a equipe utilizou mapeamento atômico aliado a cálculos físicos de estabilidade.

Os pesquisadores afirmaram que a combinação entre caracterização cristalográfica e cálculos de primeiros princípios amplia estudos sobre ciência dos materiais, matéria condensada e ciência forense nuclear. O trabalho também demonstra como ambientes extremos moldam estruturas cristalinas longe do equilíbrio.

Estruturas raras e física extrema

O novo clatrato foi encontrado ao lado de um quasicristal icosaédrico identificado anteriormente em materiais do teste Trinity. Para os pesquisadores, essas estruturas funcionam como registros microscópicos de fenômenos físicos raramente observados diretamente pelos seres humanos.

Luca Bindi, pesquisador principal do estudo, afirmou que os cristais ajudam cientistas a compreender o comportamento da matéria durante eventos de alta energia. Entre os fenômenos citados estão raios, impactos de meteoritos e colisões planetárias observadas em condições extremas.

Como os clatratos surgem em faixas energéticas muito estreitas, eles funcionam como instantâneos da física e da química em limites absolutos. O estudo também poderá auxiliar futuras pesquisas sobre mineralogia, matéria condensada e reconstrução forense de eventos envolvendo bomba nuclear.

Os autores afirmaram que as novas descobertas podem aproximar estudos sobre explosões humanas e fenômenos cósmicos. A análise também poderá revelar novos arranjos atômicos para pesquisas futuras.

Além disso, o trabalho poderá ajudar investigações forenses ao reconstruir temperaturas e pressões registradas em eventos nucleares passados ou não identificados envolvendo resíduos gerados por bomba nuclear durante testes extremos em resíduos radioativos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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