Com a bolsa em alta, Ibovespa fecha em máxima histórica, dólar recua em dia de aposta em corte de juros nos EUA e ações da CVC lideram ganhos do pregão
A bolsa brasileira renovou o recorde histórico nesta terça-feira (2), em um pregão marcado por otimismo externo e forte apetite a risco. Com o Ibovespa em alta de 1,56%, o principal índice da bolsa fechou aos 161.092,25 pontos e passou pela primeira vez do patamar de 161 mil pontos, enquanto o dólar à vista caiu 0,57%, para R$ 5,3303 na venda, em meio às apostas de corte de juros nos EUA ainda em dezembro. No campo corporativo, ações da CVC estiveram entre as maiores altas do dia.
O desempenho da bolsa foi sustentado por expectativas de flexibilização da política monetária americana e por um cenário de valorização generalizada dos ativos de risco. Investidores aumentaram a probabilidade de corte de juros nos EUA em 25 pontos-base na próxima reunião do Federal Reserve, ao mesmo tempo em que acompanharam o enfraquecimento do dólar frente a diversas moedas globais. Em meio a esse ambiente, ações da CVC avançaram com notícia de entrada de novos investidores de referência, contribuindo para o rali da bolsa no pregão.
Ibovespa renova máxima e consolida rali da bolsa
O Ibovespa avançou 1,56% e encerrou o dia aos 161.092,25 pontos, reconfirmando a tendência positiva da bolsa após um início de mês volátil. O movimento renovou tanto a máxima de fechamento quanto a máxima intradiária do índice.
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Segundo operadores, a alta do Ibovespa refletiu principalmente a combinação de fluxo externo, expectativa de corte de juros nos EUA e queda do dólar frente ao real, fatores que costumam favorecer mercados emergentes. Em um contexto de juros ainda elevados no Brasil, o desempenho da bolsa foi interpretado como ajuste à perspectiva de menor aperto monetário global.
Ao longo do dia, a bolsa oscilou em terreno positivo, acompanhando o tom mais construtivo das bolsas de Nova York. A sinalização de que a atividade industrial americana segue fraca reforçou a percepção de que o Fed pode ter espaço para um primeiro corte de juros nos EUA, o que tende a sustentar o rali do Ibovespa caso o cenário se confirme.
Dólar cai com cenário externo e foco em corte de juros nos EUA
O dólar à vista recuou 0,57% e fechou a R$ 5,3303 na venda, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana. A queda do dólar ocorreu em um dia em que as principais divisas globais também se valorizaram, diante da leitura de dados fracos da indústria dos Estados Unidos.
O índice ISM de manufatura apontou contração pelo nono mês consecutivo, com o PMI caindo de 48,7 em outubro para 48,2 em novembro. Esse resultado reforçou as apostas de corte de juros nos EUA, reduzindo a pressão altista sobre o dólar e contribuindo para o desempenho positivo da bolsa brasileira.
Nos modelos de probabilidade acompanhados pelo mercado, investidores passaram a precificar uma chance próxima de 87,6% de um corte de juros nos EUA de 25 pontos-base na reunião do Fed dos dias 9 e 10 de dezembro, de acordo com ferramenta de acompanhamento de mercado citada no relatório. Essa combinação de dólar mais fraco e juros globais potencialmente mais baixos criou um ambiente mais favorável para ativos de risco, incluindo a bolsa brasileira.
Bolsas em Nova York sobem e reforçam apetite por risco
Em Wall Street, os principais índices acionários encerraram o dia em leve alta, após um primeiro pregão de dezembro marcado por quedas. A sessão foi influenciada por oscilações em Treasuries e no mercado de criptomoedas, mas terminou com tom moderadamente positivo.
O quadro de atividade industrial fraca nos EUA e expectativa de corte de juros nos EUA ajudou a sustentar o apetite por risco. Para analistas, esse ambiente contribuiu diretamente para o desempenho da bolsa no Brasil e para o avanço do Ibovespa, ainda que a agenda externa siga carregada de incertezas em relação à trajetória de inflação e crescimento da economia americana.
Ações da CVC lideram ganhos em dia de bolsa forte
Entre os destaques corporativos do pregão, ações da CVC lideraram as altas após a divulgação de fato relevante informando que o Fundo Apex e outros investidores passaram a deter 10% do capital social da companhia.
Segundo comunicado, os novos acionistas adquiriram mais de 23 mil ações ordinárias e declararam que a participação tem caráter de investimento, com intenção de atuar como acionistas de referência, sem objetivo de alterar o controle ou a estrutura administrativa da empresa.
A notícia foi bem recebida pelo mercado e reforçou o movimento comprador em ações da CVC, que passaram a figurar entre os papéis mais negociados do dia. Em um cenário de bolsa em alta e de perspectiva de retomada gradual do setor de turismo, o papel acabou se destacando como um dos símbolos do rali do Ibovespa nesta terça-feira.
Vamos reage após recomendação e reforça rali da bolsa
As ações da Vamos também estiveram entre as maiores altas do Ibovespa. O movimento foi impulsionado por recomendação de compra do BTG Pactual, que indicou potencial de valorização próximo a 300% para o papel.
No relatório, os analistas destacaram melhora operacional da companhia, ainda que o curto prazo siga desafiador. O banco reafirmou preço-alvo de R$ 15, bem acima do nível de cerca de R$ 3,80 considerado como referência nas estimativas, o que ajudou a atrair fluxo para o papel em um dia já favorável à bolsa.
Ultrapar sobe com anúncio de dividendos bilionários
Outro destaque entre as ações do dia foi a Ultrapar. Os papéis da companhia subiram cerca de 3% após o anúncio de distribuição de dividendos intermediários no valor total de R$ 1,08 bilhão, equivalente a R$ 1,00 por ação ordinária, com pagamento previsto a partir de 16 de dezembro de 2025.
A sinalização de retorno relevante ao acionista agradou investidores e colaborou para o desempenho positivo das ações, em linha com o movimento geral da bolsa. Em um ambiente de juros elevados no Brasil, notícias de dividendos robustos tendem a ganhar ainda mais peso na precificação do mercado.
Vale projeta aumento de produção em 2026
No setor de mineração, a Vale manteve projeções de produção de minério de ferro e indicou possibilidade de aumento de até 3% em 2026 em relação ao previsto para este ano. A empresa também reiterou estimativa de atingir cerca de 360 milhões de toneladas em 2030.
As projeções foram divulgadas com a sinalização de que a companhia segue em processo de recuperação da capacidade produtiva perdida após o rompimento de barragem em Brumadinho, em 2019. O comportamento das ações da mineradora seguiu influenciado tanto por essas estimativas quanto pelo humor global em relação a commodities, em um contexto de bolsa forte e Ibovespa em máxima histórica.
Indústria brasileira ainda mostra fraqueza
Apesar do bom desempenho da bolsa, os dados da indústria brasileira divulgados pelo IBGE mostraram crescimento abaixo do esperado em outubro. A produção industrial avançou 0,1% em relação a setembro, abaixo da expectativa de alta de 0,4% em pesquisa da Reuters.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 0,5% da produção, contrariando projeção de alta de 0,2%. Com isso, a indústria permanece 14,8% abaixo do pico registrado em maio de 2011.
A atividade industrial segue pressionada por política monetária restritiva, com a taxa básica de juros em 15%, encarecendo o crédito e impactando decisões de investimento. O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para a última decisão de política monetária do ano, com expectativa majoritária de manutenção da Selic, cenário que segue no radar de quem acompanha a bolsa e o comportamento do Ibovespa.
Na sua opinião, a bolsa já refletiu totalmente o impacto de um possível corte de juros nos EUA ou ainda há espaço para novas máximas no Ibovespa?
