1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Boias solares com ultrassom chegam ao Rio Tietê para tentar frear o avanço das algas, acompanhar a qualidade da água e proteger áreas usadas por turistas, pescadores e moradores
Localização SP Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Boias solares com ultrassom chegam ao Rio Tietê para tentar frear o avanço das algas, acompanhar a qualidade da água e proteger áreas usadas por turistas, pescadores e moradores

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/06/2026 às 16:33
Atualizado em 17/06/2026 às 16:35
Boias solares de monitoramento flutuam no Rio Tietê em área com manchas verdes de algas, ilustrando projeto da Cetesb com ultrassom para controle ambiental.
Boias inteligentes movidas a energia solar aparecem sobre trecho do Rio Tietê com manchas verdes de algas, em referência ao projeto-piloto da Cetesb para monitorar a água e reduzir florações sem produtos químicos.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Projeto-piloto em Sabino prevê 14 equipamentos solares, monitoramento em tempo real e análise contínua da qualidade da água em área equivalente a 130 campos de futebol

A Cetesb vai implantar, em agosto de 2026, um sistema de boias inteligentes com ondas ultrassônicas para reduzir a proliferação de algas no Rio Tietê, no interior de São Paulo. O projeto-piloto será instalado no Córrego do Esgotão, em Sabino, município localizado a 472 km da capital paulista, em uma área marcada pela formação de manchas esverdeadas conhecidas como “natas verdes”.

A medida integra o Programa IntegraTietê e mira um problema que afeta turismo, pesca, lazer e navegação em trechos do rio. Conforme informações da Cetesb, da Agência SP e da Agência Estado, a região entre Barra Bonita e Sabino registra episódios intensos de algas e aguapés durante períodos de baixa vazão.

Boias inteligentes chegam ao Tietê com tecnologia solar e ultrassom

O projeto prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar a água de forma contínua. Além disso, os equipamentos funcionarão com energia solar e baterias de lítio, sem aplicação de produtos químicos.

Boia solar flutuando em rio, com painel fotovoltaico e sensores, representando sistema de monitoramento da água e controle de algas no Rio Tietê.
Boia solar usada para monitoramento da água ilustra a tecnologia prevista pela Cetesb no Rio Tietê para acompanhar algas e qualidade ambiental – Foto: LG Sonic

A tecnologia foi desenvolvida na Holanda e já opera em mais de 60 países, segundo a Cetesb. Portanto, a escolha busca combinar atuação em grandes áreas, baixo impacto ambiental e resposta técnica ao avanço das florações.

Com investimento estimado em R$ 9 milhões, o sistema deve apresentar os primeiros resultados em até 90 dias após o início da operação. A área monitorada equivale a 130 campos de futebol, com volume suficiente para encher 2.800 piscinas olímpicas.

Como o ultrassom pretende reduzir a formação das algas

As boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes frequências para interferir na flutuação das algas. Com isso, os organismos têm mais dificuldade para permanecer na superfície da água.

Na superfície, as algas recebem luz solar e realizam fotossíntese. Portanto, ao migrarem para camadas mais profundas, elas perdem condições favoráveis para continuar se multiplicando.

Cada boia terá alcance aproximado de 500 metros de diâmetro. Dessa forma, cada equipamento cobrirá área semelhante a 28 campos de futebol.

Além disso, algoritmos ajustarão automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições observadas no ambiente aquático.

Sabino foi escolhida por histórico de florações e relevância turística

A cidade de Sabino recebeu o projeto-piloto porque reúne características consideradas adequadas pela Cetesb. A região tem histórico de florações, base consistente de dados ambientais e importância para atividades de lazer, turismo e pesca.

Segundo o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, esses fatores permitem avaliar os resultados ambientais e os benefícios percebidos pela população. Assim, o teste poderá medir a eficiência da tecnologia em uma situação real.

Sensores vão acompanhar oxigênio, pH, turbidez e temperatura

As boias também atuarão como estações automáticas de monitoramento. Os sensores acompanharão indicadores como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina.

Além disso, o projeto contará com uma estação meteorológica para cruzar dados de chuva, vento e temperatura. Dessa maneira, os técnicos poderão identificar condições favoráveis ao surgimento das florações.

Excesso de nutrientes causa a chamada “nata verde”

A formação das manchas esverdeadas está ligada ao excesso de nutrientes na água, processo conhecido como eutrofização. Além disso, calor e maior incidência de luz solar favorecem a multiplicação acelerada de algas e cianobactérias.

Esse fenômeno prejudica o aspecto visual do rio e pode afetar a qualidade da água. Consequentemente, pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer também podem sofrer impactos.

Rio Tietê com manchas verdes de algas na água e vegetação aquática nas margens, próximo a ponte, em imagem relacionada ao controle ambiental da Cetesb.
Trecho do Rio Tietê com água esverdeada e vegetação aquática nas margens ilustra o avanço das algas que motivou o projeto da Cetesb com boias solares e ondas ultrassônicas – Imagem: Reprodução/Facebook

Prainhas do Tietê terão dados por satélite e inteligência artificial

Além do controle das algas, a Cetesb anunciou uma ferramenta para consultar a balneabilidade das prainhas do Rio Tietê. A iniciativa usará imagens de satélite e inteligência artificial para acompanhar praias públicas em rios e reservatórios.

Os resultados serão divulgados semanalmente em painel aberto à população. Inicialmente, o sistema acompanhará oito praias em três reservatórios.

Em Barra Bonita, entram as praias de Anhembi e Rio Bonito, em Botucatu. Em Ibitinga, serão monitoradas áreas em Arealva e Iacanga. Já em Promissão, a tecnologia acompanhará praias em Mendonça, Sales, Ubarana e Sabino.

Com isso, o projeto une controle ambiental, monitoramento em tempo real e informação pública em uma tentativa de reduzir os impactos das algas no Tietê.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x