Peter Mberia é engenheiro elétrico e eletrônico, fundador da Volter Engineering Limited em Tika, no Quênia. Sua invenção, a ECU Volterant, transforma motores antigos dos anos 50 ao 90 em sistemas modernos. Um Land Rover que fazia 1,8 km por litro passou a fazer 8 km com o mesmo combustível.
Steven Bugwa é agricultor e apaixonado por viagens. Durante anos, seu veículo carburado o obrigou a gastar entre 11 mil e 13 mil xelins quenianos em combustível no mesmo período em que um veículo comum consumiria cerca de 5 mil. Ele trocou a cabine três vezes, contatou marcas, buscou soluções. Nenhuma funcionou. O carro ficou parado por quase um ano. Foi por meio de um amigo em comum que Steven conheceu Peter Mberia, o engenheiro queniano que se tornaria a solução que o mercado não tinha.
Peter não apareceu com uma peça importada nem com uma adaptação paliativa. Apareceu com uma tecnologia que ele mesmo projetou, patenteou e fabrica, batizada de Volterant SCU. Quando Steven viu os dados do motor em tempo real na tela do laptop de Peter, com a rotação subindo e os parâmetros de combustível respondendo com precisão, percebeu que estava diante de algo diferente. “Este carro está tão moderno quanto novo por dentro”, ele disse. “Pode não parecer nada diferente por fora.“
De 5 km por litro a 14 km: o que a ECU muda no motor

O caso de Steven não é isolado. Um Mercedes-Benz que fazia 5 km por litro passou a fazer 14 km com o mesmo litro após a instalação da ECU do engenheiro queniano Peter Mberia. Um Land Rover V8 3.9 que mal conseguia 1,8 km por litro foi para 6 a 8 km por litro. Para o dono do Land Rover, o retorno sobre o investimento, segundo Peter, deve acontecer em menos de um mês de uso diário.
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O mecanismo não é mágica. É precisão. A ECU Volterant calcula a quantidade exata de combustível que cada cilindro precisa em cada momento e determina o ângulo correto de ignição em tempo real. O motor para de desperdiçar combustível nos momentos em que não está sob carga, como quando o motorista solta o acelerador em velocidade de cruzeiro. O computador percebe que o motor não está mais carregado, corta o combustível e só retoma a injeção quando a rotação cai ao nível de marcha lenta. Esse nível de controle não existia nos sistemas dos anos 80 e 90.
O que Peter remove e o que ele instala no lugar
Os sistemas que Peter substitui são principalmente dois: o carburador, popular nas décadas de 80 e 90, que misturava combustível e ar de forma mecânica sem qualquer controle eletrônico, e o sistema Bosch Jetronic, uma solução eletromecânica intermediária entre o carburador e a injeção eletrônica moderna. Ambos foram eficientes no seu tempo. O problema é que as peças de reposição genuínas para esses sistemas são cada vez mais difíceis de encontrar. Quando falham no meio da estrada, o veículo vai para o reboque.
No lugar desses sistemas, Peter instala injetores de combustível, um regulador de combustível personalizado, bobinas de ignição individuais para cada vela e toda a fiação necessária para conectar tudo à ECU Volterant. A ECU assume o controle do motor com um conjunto mínimo de sensores: temperatura do motor, pressão absoluta do coletor de admissão, posição do eixo de comando e posição da borboleta de aceleração. Simples o suficiente para ser confiável. Preciso o suficiente para fazer motores de décadas atrás funcionarem como novos.
Quatro modos de condução num motor dos anos 60
Um dos diferenciais da ECU do engenheiro queniano é que ela entrega ao proprietário algo que os motores antigos nunca tiveram: escolha. A Volterant vem de fábrica com quatro modos de condução. O Eco Plus é o mais econômico, indicado para viagens longas. O modo Economia equilibra eficiência e desempenho, permitindo atingir 140 a 150 km/h com consumo controlado. O Conforto entrega mais potência na aceleração com um consumo marginalmente maior. O modo Sport extrai o máximo do motor.
Peter explica que, em termos práticos, um motor especificado pelo fabricante como tendo 120 cavalos de potência pode, com a dosagem precisa de combustível e o ponto de ignição correto, produzir entre 160 e 180 cavalos. Não é modificação estrutural. É aproveitar o potencial que o motor sempre teve mas que os sistemas antigos de controle não conseguiam liberar com precisão suficiente.
A jornada de quem começou com um motor de cobaia
Peter Mberia tem 34 anos, é natural de Tika, no Quênia, e se formou em engenharia elétrica e eletrônica. Sua motivação para criar a Volterant foi o próprio problema: ele possuía um Mercedes-Benz W201 de 1984 com motor M102 que havia revisado até o limite. Trocar de motor custaria 100 mil xelins quenianos, um valor que ele não tinha como justificar. A solução foi projetar a própria ECU.
Ele comprou um motor de cobaia para pesquisa e começou a desenvolver uma placa para controlar apenas o fornecimento de combustível. Uma coisa levou à outra: testou injetores Nissan, depois Toyota, chegou aos Mercedes-Benz. Estudou bobinas de ignição, tempos de permanência, voltagens. Projetou a ECU de acordo com o que aprendeu. Em abril de 2022, migrou o sistema do motor de teste para o próprio W201 e publicou um vídeo nas redes sociais. As pessoas que tinham acompanhado o processo de pesquisa e duvidado disseram: “Esse cara estava falando sério.” Os pedidos começaram a chegar.
Do Quênia para o mundo: Zâmbia, Canadá e Paquistão
A Volter Engineering Limited hoje recebe encomendas internacionais. Peter menciona Zâmbia, Canadá e Paquistão como destinos para onde os kits já foram enviados. O processo de venda é cuidadoso: antes de enviar qualquer coisa, Peter coleta a configuração exata do motor do cliente. Não existe kit genérico. Cada solução é compatível com o motor específico de quem comprou. Isso evita o pesadelo de receber um kit incompatível.
A visão de Peter vai além do desempenho. Motores mais eficientes emitem menos poluentes. Ele acredita que existem milhões de veículos antigos em circulação pelo mundo que poderiam funcionar dentro dos padrões modernos de emissão com a tecnologia que ele desenvolveu. O sonho declarado é alcançar o mercado global. E pelo ritmo das encomendas que chegam de três continentes diferentes para a oficina de um engenheiro queniano de 34 anos em Tika, esse sonho não parece distante.
O conteúdo é do canal Afrimax English, no YouTube.
Você tem ou já teve um carro antigo com problemas de consumo que nenhuma oficina conseguiu resolver? Acredita que tecnologia como a de Peter pode mudar o mercado automotivo nos países em desenvolvimento? Conta nos comentários.


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