Descoberta rara no Canadá revela bisão da era glacial com tecidos, pelos e órgãos preservados por 30 mil anos, oferecendo novos dados sobre o Pleistoceno.
Um bisão da era glacial, com aproximadamente 30.000 anos, foi descoberto no território de Yukon, no Canadá.
A descoberta surpreendeu os cientistas pela rara integridade do animal, que foi encontrado com tecidos moles, pelos e até órgãos internos praticamente intactos.
O espécime, classificado como Bison priscus, oferece novos dados sobre o período do Pleistoceno na América do Norte.
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Animal quase intacto
Diferente da maioria dos achados pré-históricos, que geralmente estão em estado fragmentado, o bisão manteve sua estrutura quase completa.
Medindo cerca de 2,13 metros de comprimento e com 1,83 metros de altura no ombro, o animal ainda apresenta pelagem marrom-avermelhada preservada em partes do corpo.
Os chifres, com quase 90 centímetros, também estão em excelente estado.
Além dos ossos, o que mais impressiona são os tecidos moles, que permitem uma análise detalhada dos órgãos e do sistema interno do bisão.
A conservação em tão alto nível é rara mesmo em ambientes congelados.
Congelamento natural preservou o animal
A condição de preservação do bisão se deve a uma combinação única de fatores naturais.
Após sua morte, ele foi rapidamente coberto por um deslizamento de terra durante o degelo da primavera.
Em seguida, uma queda brusca na temperatura fez com que o corpo congelasse completamente.
O solo gelado do permafrost, pobre em oxigênio e com temperaturas abaixo de zero, impediu a ação de bactérias decompositoras.
Além disso, os minerais presentes no solo ao redor dificultaram ainda mais qualquer processo de degradação. Isso resultou em uma espécie de “mumificação” natural.
Esse processo foi essencial para conservar não apenas os ossos, mas também os órgãos e tecidos.
Graças a essa condição, os cientistas conseguiram extrair DNA de altíssima qualidade do animal.
Avanços genéticos e ambientais
A análise genética revelou que o espécime pertence à espécie Bison priscus, o bisão das estepes, que é o ancestral direto do bisão-americano moderno (Bison bison) e do bisão europeu (Bison bonasus).
A conservação dos tecidos permitiu aos pesquisadores montar o perfil genético mais completo já feito de um bisão da era glacial.
Estudos do conteúdo digestivo indicaram que sua alimentação era baseada em gramíneas, juncos e outras plantas típicas da primavera.
Já a análise isotópica de seus dentes e pelos sugerem que o animal participava de migrações sazonais, percorrendo grandes distâncias em busca de alimento.
Parceria com comunidades indígenas
A escavação foi realizada em colaboração com comunidades indígenas do Yukon, que vivem na região há gerações.
Esses grupos participaram de todas as etapas da operação, compartilhando conhecimentos e ajudando os cientistas a entender melhor o contexto da descoberta.
A parceria criou um modelo de cooperação entre ciência e tradição.
O trabalho foi feito com cuidado, seguindo protocolos rígidos para garantir que o espécime fosse retirado com segurança e transportado sem danos.
Última informação relevante
O bisão foi levado em contêineres refrigerados para laboratórios especializados, onde continuará sendo estudado.
A expectativa dos pesquisadores é que o espécime ainda revele mais informações sobre os ecossistemas antigos e sobre a adaptação dos animais ao clima do Pleistoceno.
