Areia será depositada pela Boskalis ao redor de um quebra-mar submarino em Benin para conter erosão costeira, proteger casas e atividades de praia em Avlékété e formar uma plataforma mais larga, capaz de acalmar ondas do Atlântico Sul com mais de 3,5 milhões de m³ de sedimentos.
A areia voltou ao centro de uma grande obra costeira em Benin. Em 8 de julho de 2025, a Boskalis anunciou seu retorno ao país da África Ocidental para despejar mais de 3,5 milhões de m³ de areia ao redor de um quebra-mar submarino já instalado no litoral.
De acordo com informações da dredgingtoday, a intervenção busca conter a erosão costeira em Avlékété, onde a ausência de defesas naturais e os ventos livres vindos do Atlântico Sul tornam a linha de costa vulnerável. A ideia é transformar uma estrutura submersa estreita em uma plataforma de areia mais larga, capaz de reduzir a força das ondas antes que elas cheguem à praia.
Areia será usada para reforçar quebra-mar submarino

O novo trabalho da Boskalis em Benin envolve uma draga de sucção do tipo trailing suction hopper dredger. Esse equipamento será usado para depositar mais de 3,5 milhões de m³ de areia ao redor de um quebra-mar submarino instalado anteriormente.
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O quebra-mar tem 5 km de extensão e corre paralelo à costa beninense. Sua função é quebrar a energia das ondas antes que elas atinjam a praia, ajudando a reduzir a erosão e a proteger casas e atividades costeiras.
Em Benin, a areia será usada como uma camada de reforço ao redor do quebra-mar submarino, criando uma plataforma mais ampla contra a erosão costeira. A intervenção busca proteger Avlékété, onde casas e atividades de praia ficam mais expostas à força das ondas do Atlântico Sul.
A obra não parte do zero. A estrutura submersa já existe, mas, segundo a avaliação apresentada, ela não é suficiente sozinha para proteger totalmente a costa. Por isso, a areia entra como camada de reforço e ampliação da defesa costeira.
Na prática, o projeto tenta mudar o comportamento das ondas. Em vez de baterem com força em uma costa exposta, elas devem encontrar uma plataforma mais ampla, perder energia e chegar de forma mais suave à praia de Avlékété.
Plataforma de areia deve ampliar a proteção da costa

Imagem: Boskalis
A Boskalis afirma que o depósito de areia ao redor do quebra-mar vai transformar uma espécie de dique submarino íngreme em uma plataforma mais larga. Essa mudança é importante porque altera a forma como a energia das ondas se distribui.
Quando a onda encontra uma estrutura muito abrupta, parte da força pode continuar chegando à praia com intensidade. Uma plataforma mais ampla permite uma dissipação gradual, reduzindo o impacto direto sobre a faixa costeira.
A areia funciona como uma defesa flexível, diferente de uma barreira rígida isolada. Ela pode ajudar a criar uma transição mais natural entre o mar aberto, o quebra-mar e a praia.
Esse tipo de solução é especialmente relevante em áreas onde o litoral sofre pressão contínua. Em Benin, a combinação entre pouca proteção natural e ventos do Atlântico Sul torna a erosão um risco persistente para comunidades próximas ao mar.
Benin já havia recebido projeto de 6,4 milhões de m³ em 2022
O retorno da Boskalis acontece cerca de dois anos após outro projeto relevante no país. Em 2022, a empresa construiu um chamado motor de areia com 6,4 milhões de m³ para proteger um trecho vulnerável da costa de Benin.
Esse histórico mostra que a defesa costeira no país não é uma ação isolada. O litoral beninense vem exigindo intervenções de grande escala para tentar conter a perda de praia e proteger áreas ocupadas.
A nova etapa mantém a mesma lógica: usar grandes volumes de areia como ferramenta de adaptação costeira. A diferença agora é que o material será colocado ao redor de um quebra-mar submarino já existente.
A estratégia combina engenharia marítima e recomposição artificial do perfil costeiro. Em vez de depender apenas de concreto ou rocha, o projeto usa sedimentos para ampliar a capacidade de absorção das ondas.
Erosão ameaça casas e atividades na praia
A erosão costeira não é apenas um problema ambiental. No caso de Avlékété, ela também ameaça casas, atividades de praia e a rotina da comunidade local.
Quando o mar avança sobre a faixa de areia, áreas antes usadas por moradores, visitantes e trabalhadores costeiros podem perder espaço. Com o tempo, estruturas próximas à praia ficam mais expostas à ação das ondas.
Por isso, o quebra-mar de 5 km foi projetado para reduzir o impacto do mar sobre a costa. No entanto, a fonte indica que a ausência de defesas naturais e a força dos ventos do Atlântico Sul tornaram necessário um reforço adicional.
A intervenção com areia busca proteger a comunidade antes que a erosão avance ainda mais. O objetivo não é apenas preservar a paisagem, mas manter condições mínimas de segurança para moradia e uso da praia.
Quebra-mar sozinho não foi considerado suficiente

O texto da Boskalis aponta que o quebra-mar existente se tornou insuficiente diante das condições locais. A costa de Benin não conta com defesas naturais robustas, e os ventos irrestritos vindos do Atlântico Sul aumentam a pressão sobre a faixa costeira.
Esse cenário ajuda a explicar por que a solução adotada não se limita a manter a estrutura submersa como está. O projeto propõe ampliar sua função por meio do depósito de areia, criando uma superfície mais eficiente para dissipar energia.
Em vez de enxergar o quebra-mar apenas como uma barreira, a obra passa a tratá-lo como base de uma plataforma costeira mais larga. A areia muda o papel da estrutura, tornando a defesa menos abrupta e mais integrada ao comportamento das ondas.
Essa lógica é comum em projetos de proteção costeira que tentam equilibrar obras de engenharia e dinâmica natural do litoral. Ainda assim, exige monitoramento, porque praias e sedimentos estão sempre em movimento.
Draga de sucção terá papel central na operação
Para movimentar mais de 3,5 milhões de m³ de areia, a Boskalis utilizará uma draga de sucção com cisterna. Esse tipo de embarcação retira sedimentos, transporta o material e deposita a carga em áreas definidas do projeto.
A escala da operação mostra a dimensão da intervenção. Não se trata de uma reposição pequena de praia, mas de um reforço volumoso ao redor de uma estrutura submarina de 5 km.
A precisão também será importante. A areia precisa ser colocada de forma a transformar o perfil do quebra-mar e formar uma plataforma mais ampla, sem apenas acumular material de maneira irregular.
O sucesso da obra depende de engenharia, batimetria, controle de volumes e leitura do comportamento das ondas. Em projetos costeiros, o local onde a areia é depositada pode ser tão importante quanto a quantidade usada.
Projeto tenta fazer ondas chegarem mais suaves à praia

Segundo a Boskalis, a plataforma de areia ao redor do quebra-mar deve acalmar as ondas e permitir que elas cheguem de forma mais suave à praia de Avlékété. Esse é o efeito desejado da intervenção.
Com menos energia chegando diretamente à costa, a tendência é reduzir a remoção de sedimentos da praia. Isso pode ajudar a preservar a faixa costeira e diminuir a exposição de casas e áreas de uso comunitário.
A obra não elimina a força do Atlântico, mas tenta reorganizar sua chegada à costa. É uma defesa baseada em dissipar energia antes que ela se transforme em dano.
Em regiões costeiras vulneráveis, esse tipo de projeto pode ser decisivo para ganhar tempo, proteger comunidades e manter atividades econômicas ligadas à praia.
Benin aposta em engenharia costeira contra avanço do mar
O projeto em Avlékété mostra como países costeiros estão recorrendo a soluções cada vez maiores para lidar com erosão. Em Benin, a combinação de quebra-mar submarino e milhões de metros cúbicos de areia revela uma tentativa de criar proteção em escala territorial.
A intervenção também mostra que a defesa costeira não depende de uma única estrutura. O quebra-mar de 5 km, isolado, não bastou. A plataforma de areia surge como complemento para melhorar o desempenho do sistema.
Esse tipo de obra envolve custos, logística marítima e planejamento contínuo. Como a dinâmica costeira muda com ventos, ondas e correntes, a manutenção e o acompanhamento técnico são parte essencial da solução.
No fim, Benin tenta transformar areia em infraestrutura de defesa contra a erosão no Atlântico.
Você acha que obras desse porte são o melhor caminho para proteger comunidades costeiras, ou os países deveriam investir mais em soluções naturais e recuo planejado das áreas de risco? Comente sua opinião.

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