Dessalinização em Belmont avança com tomada oceânica no fundo do mar, caixões pré-moldados a 800 metros da Nine Mile Beach, túnel sob praia e leito marinho e meta de transformar água salgada em água potável para o Lower Hunter, entregando 30 megalitros por dia a partir de 2028.
A dessalinização em Belmont, na Austrália, entrou em uma etapa decisiva em 2026, com o avanço das obras marítimas que vão instalar uma tomada oceânica no fundo do mar, a cerca de 800 metros da Nine Mile Beach. O sistema vai captar água salgada e levá-la até uma usina em terra para produzir água potável.
De acordo com as informações quando concluída, em 2028, a planta de $530 milhões deve produzir até 30 megalitros de água potável por dia, o equivalente a 30 milhões de litros diários. Esse volume representa cerca de 15% da demanda média diária do Lower Hunter, reduzindo a dependência de chuvas e barragens.
Estruturas de concreto serão instaladas no fundo do mar

A obra offshore inclui a instalação de uma estrutura de captação direta no oceano. Para isso, serão usados caixões pré-moldados, peças de concreto posicionadas no leito marinho para formar parte do sistema que vai puxar a água salgada.
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Essa tomada oceânica é o ponto inicial da cadeia de dessalinização. A água do mar será captada fora da praia, conduzida por uma tubulação em túnel e enviada para a unidade de tratamento em terra.
A tomada oceânica será uma das peças centrais da dessalinização em Belmont, porque é por ela que a água salgada começará sua jornada até a usina. Instalada no fundo do mar, perto da Nine Mile Beach, a estrutura foi pensada para captar o volume necessário e permitir a produção de água potável para o Lower Hunter.
A plataforma marítima do tipo jack-up barge já foi posicionada a aproximadamente 800 metros da Nine Mile Beach e do local da planta de Belmont. Essa estrutura permite executar as obras marítimas com mais estabilidade.
O ponto mais delicado é que a operação acontece em uma área compartilhada por praia, mar, navegação, lazer e vida marinha. Por isso, a Hunter Water afirma que a etapa será feita com foco em segurança e menor interferência possível.
Túnel vai ligar a tomada oceânica à usina em terra

Depois da instalação da estrutura de captação, o projeto prevê a construção de um túnel sob a Nine Mile Beach e sob o leito marinho. Esse túnel será responsável por conectar a tomada oceânica à planta de dessalinização em Belmont.
A solução evita uma intervenção mais direta sobre a superfície da praia e cria uma ligação subterrânea entre mar e estação de tratamento. Na prática, a água salgada será captada no oceano e levada por baixo da areia e do fundo marinho até a usina.
A Hunter Water descreve essa fase como uma das mais complexas e técnicas do projeto. Não se trata apenas de cavar um túnel, mas de integrar obras marítimas, estrutura de captação, tubulação e tratamento de água potável.
É uma engenharia pesada para resolver um problema simples de entender: garantir água mesmo quando as chuvas falham. O sistema busca transformar o oceano em uma fonte complementar de abastecimento para a região.
Usina promete 30 milhões de litros de água por dia

A planta de Belmont foi projetada para fornecer até 30 megalitros por dia quando estiver concluída em 2028. Convertido, esse volume chega a 30 milhões de litros de água potável diariamente.
Segundo a Hunter Water, essa produção deve representar cerca de 15% da demanda média diária do Lower Hunter. A ideia é complementar o sistema atual e reduzir a dependência de reservatórios, barragens e regimes de chuva.
A dessalinização aparece como proteção contra seca e variabilidade climática. Em regiões costeiras, esse tipo de solução pode ganhar espaço quando as fontes tradicionais passam a enfrentar maior pressão.
Ainda assim, a usina não elimina a necessidade de planejamento hídrico. Ela funciona como mais uma fonte no sistema, somando-se à gestão de consumo, preservação de mananciais e uso eficiente da água.
Belmont foi escolhida pela proximidade com o oceano

A Hunter Water afirma que Belmont foi escolhida por oferecer boa integração com a rede de água existente e proximidade com o mar. O fato de o terreno já pertencer à empresa também pesou na escolha.
Essa combinação reduz entraves para uma obra desse porte. Uma usina de dessalinização precisa estar próxima do oceano, mas também conectada à rede capaz de distribuir a água tratada para a população.
A empresa também afirma que o local deve causar impactos mínimos à comunidade e ao ambiente ao redor. Esse ponto é importante porque obras costeiras costumam gerar preocupação entre moradores, usuários da praia e grupos ligados ao mar.
A escolha do terreno mostra que uma usina desse tipo não depende apenas de tecnologia. Ela exige localização estratégica, integração com infraestrutura existente e cuidado com o ambiente costeiro.
Captação terá baixa velocidade para proteger animais marinhos
A estrutura de captação foi projetada com baixa velocidade, segundo a Hunter Water. O objetivo é permitir que criaturas marinhas evitem ser puxadas para dentro do sistema.
Esse cuidado é central em projetos de dessalinização, porque a captação direta no oceano precisa equilibrar segurança hídrica e proteção ambiental. Quanto menor o impacto sobre a vida marinha, maior a chance de aceitação da obra.
Outro ponto citado é o destino da salmoura, o resíduo mais concentrado que sobra após o processo de retirada do sal. No projeto de Belmont, ela será devolvida ao mar pelo emissário oceânico já existente na estação de tratamento de águas residuais próxima.
A promessa de água potável sem depender da chuva vem acompanhada de uma exigência ambiental clara: captar, tratar e devolver resíduos de forma controlada, sem transformar a solução hídrica em um novo problema costeiro.
Comunidade será avisada sobre zonas de exclusão e embarcações
Com a plataforma marítima em operação, a Hunter Water afirma que continuará informando a comunidade sobre atividades offshore. Isso inclui zonas de exclusão, movimentação de embarcações e trabalhos no mar.
A empresa diz trabalhar com a parceira John Holland para concluir a fase com segurança e mínima interrupção para usuários da praia e vida marinha. A comunicação com grupos de navegação, recreação e uso costeiro faz parte dessa etapa.
Esse diálogo é necessário porque a obra ocorre em uma área onde diferentes interesses se cruzam. Há banhistas, pescadores, embarcações, usuários recreativos e moradores atentos ao impacto da intervenção.
Em obras marítimas, a engenharia não acontece isolada da comunidade. Cada movimentação no mar pode alterar rotinas locais, ainda que temporariamente.
Dessalinização entra na estratégia contra seca e clima variável
A usina de Belmont é apresentada como forma de diversificar as fontes de abastecimento do Lower Hunter. A região busca reduzir a exposição a períodos de seca e às mudanças no comportamento das chuvas.
Nesse contexto, a dessalinização ganha força por produzir água potável a partir do mar. É uma fonte que não depende diretamente do volume de reservatórios ou da regularidade das precipitações.
O projeto, porém, exige alto investimento, obra complexa e operação ambientalmente monitorada. Por isso, a decisão de avançar com uma usina desse porte envolve engenharia, custo, segurança hídrica e aceitação pública.
No fim, a Austrália aposta em estruturas de concreto no fundo do mar, túnel sob a praia e tecnologia de dessalinização para transformar água salgada em abastecimento.
Você acha que regiões costeiras com risco de seca deveriam investir mais em usinas desse tipo, ou o custo e os impactos ainda pedem cautela? Comente sua opinião.


Lembrando q a água do mar n e infinita,imaginem se todos os países resolver fazer essa captacao
Trabalho na área de saneamento básico e esse projeto magnífico poderia aproveitar o sal da salmoura devolvida ao mar até porque essa salmoura pode aumentar a sanalidade do local da praia aonde é descartado esse resíduo industrial no ecossistema ou biota marina alterando a Fauna Marina.