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Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 2 comentários

Austrália instala estruturas gigantes de concreto no fundo do mar a 800 metros da praia para criar tomada oceânica de dessalinização que vai puxar água salgada e produzir 30 milhões de litros de água potável por dia

Escrito por Carla Teles
Publicado em 14/05/2026 às 19:11
Atualizado em 14/05/2026 às 19:16
Assista o vídeoAustrália instala estruturas gigantes de concreto no fundo do mar a 800 metros da praia para criar tomada oceânica de dessalinização que vai puxar água salgada (4)
Dessalinização usa tomada oceânica no fundo do mar perto da Nine Mile Beach para transformar água salgada em água potável.
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Dessalinização em Belmont avança com tomada oceânica no fundo do mar, caixões pré-moldados a 800 metros da Nine Mile Beach, túnel sob praia e leito marinho e meta de transformar água salgada em água potável para o Lower Hunter, entregando 30 megalitros por dia a partir de 2028.

A dessalinização em Belmont, na Austrália, entrou em uma etapa decisiva em 2026, com o avanço das obras marítimas que vão instalar uma tomada oceânica no fundo do mar, a cerca de 800 metros da Nine Mile Beach. O sistema vai captar água salgada e levá-la até uma usina em terra para produzir água potável.

De acordo com as informações quando concluída, em 2028, a planta de $530 milhões deve produzir até 30 megalitros de água potável por dia, o equivalente a 30 milhões de litros diários. Esse volume representa cerca de 15% da demanda média diária do Lower Hunter, reduzindo a dependência de chuvas e barragens.

Estruturas de concreto serão instaladas no fundo do mar

Dessalinização usa tomada oceânica no fundo do mar perto da Nine Mile Beach para transformar água salgada em água potável.
Imagem: Hunter Water

A obra offshore inclui a instalação de uma estrutura de captação direta no oceano. Para isso, serão usados caixões pré-moldados, peças de concreto posicionadas no leito marinho para formar parte do sistema que vai puxar a água salgada.

Essa tomada oceânica é o ponto inicial da cadeia de dessalinização. A água do mar será captada fora da praia, conduzida por uma tubulação em túnel e enviada para a unidade de tratamento em terra.

A tomada oceânica será uma das peças centrais da dessalinização em Belmont, porque é por ela que a água salgada começará sua jornada até a usina. Instalada no fundo do mar, perto da Nine Mile Beach, a estrutura foi pensada para captar o volume necessário e permitir a produção de água potável para o Lower Hunter.

A plataforma marítima do tipo jack-up barge já foi posicionada a aproximadamente 800 metros da Nine Mile Beach e do local da planta de Belmont. Essa estrutura permite executar as obras marítimas com mais estabilidade.

O ponto mais delicado é que a operação acontece em uma área compartilhada por praia, mar, navegação, lazer e vida marinha. Por isso, a Hunter Water afirma que a etapa será feita com foco em segurança e menor interferência possível.

Túnel vai ligar a tomada oceânica à usina em terra

Dessalinização usa tomada oceânica no fundo do mar perto da Nine Mile Beach para transformar água salgada em água potável.
Imagem: Hunter Water/Linkedin

Depois da instalação da estrutura de captação, o projeto prevê a construção de um túnel sob a Nine Mile Beach e sob o leito marinho. Esse túnel será responsável por conectar a tomada oceânica à planta de dessalinização em Belmont.

A solução evita uma intervenção mais direta sobre a superfície da praia e cria uma ligação subterrânea entre mar e estação de tratamento. Na prática, a água salgada será captada no oceano e levada por baixo da areia e do fundo marinho até a usina.

A Hunter Water descreve essa fase como uma das mais complexas e técnicas do projeto. Não se trata apenas de cavar um túnel, mas de integrar obras marítimas, estrutura de captação, tubulação e tratamento de água potável.

É uma engenharia pesada para resolver um problema simples de entender: garantir água mesmo quando as chuvas falham. O sistema busca transformar o oceano em uma fonte complementar de abastecimento para a região.

Usina promete 30 milhões de litros de água por dia

Austrália instala estruturas gigantes de concreto no fundo do mar a 800 metros da praia para criar tomada oceânica de dessalinização que vai puxar água salgada (3)
Imagem: Hunter Water/Linkedin

A planta de Belmont foi projetada para fornecer até 30 megalitros por dia quando estiver concluída em 2028. Convertido, esse volume chega a 30 milhões de litros de água potável diariamente.

Segundo a Hunter Water, essa produção deve representar cerca de 15% da demanda média diária do Lower Hunter. A ideia é complementar o sistema atual e reduzir a dependência de reservatórios, barragens e regimes de chuva.

A dessalinização aparece como proteção contra seca e variabilidade climática. Em regiões costeiras, esse tipo de solução pode ganhar espaço quando as fontes tradicionais passam a enfrentar maior pressão.

Ainda assim, a usina não elimina a necessidade de planejamento hídrico. Ela funciona como mais uma fonte no sistema, somando-se à gestão de consumo, preservação de mananciais e uso eficiente da água.

Belmont foi escolhida pela proximidade com o oceano

Dessalinização usa tomada oceânica no fundo do mar perto da Nine Mile Beach para transformar água salgada em água potável.
Imagem: Hunter Water

A Hunter Water afirma que Belmont foi escolhida por oferecer boa integração com a rede de água existente e proximidade com o mar. O fato de o terreno já pertencer à empresa também pesou na escolha.

Essa combinação reduz entraves para uma obra desse porte. Uma usina de dessalinização precisa estar próxima do oceano, mas também conectada à rede capaz de distribuir a água tratada para a população.

A empresa também afirma que o local deve causar impactos mínimos à comunidade e ao ambiente ao redor. Esse ponto é importante porque obras costeiras costumam gerar preocupação entre moradores, usuários da praia e grupos ligados ao mar.

A escolha do terreno mostra que uma usina desse tipo não depende apenas de tecnologia. Ela exige localização estratégica, integração com infraestrutura existente e cuidado com o ambiente costeiro.

Captação terá baixa velocidade para proteger animais marinhos

A estrutura de captação foi projetada com baixa velocidade, segundo a Hunter Water. O objetivo é permitir que criaturas marinhas evitem ser puxadas para dentro do sistema.

Esse cuidado é central em projetos de dessalinização, porque a captação direta no oceano precisa equilibrar segurança hídrica e proteção ambiental. Quanto menor o impacto sobre a vida marinha, maior a chance de aceitação da obra.

Outro ponto citado é o destino da salmoura, o resíduo mais concentrado que sobra após o processo de retirada do sal. No projeto de Belmont, ela será devolvida ao mar pelo emissário oceânico já existente na estação de tratamento de águas residuais próxima.

A promessa de água potável sem depender da chuva vem acompanhada de uma exigência ambiental clara: captar, tratar e devolver resíduos de forma controlada, sem transformar a solução hídrica em um novo problema costeiro.

Comunidade será avisada sobre zonas de exclusão e embarcações

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Com a plataforma marítima em operação, a Hunter Water afirma que continuará informando a comunidade sobre atividades offshore. Isso inclui zonas de exclusão, movimentação de embarcações e trabalhos no mar.

A empresa diz trabalhar com a parceira John Holland para concluir a fase com segurança e mínima interrupção para usuários da praia e vida marinha. A comunicação com grupos de navegação, recreação e uso costeiro faz parte dessa etapa.

Esse diálogo é necessário porque a obra ocorre em uma área onde diferentes interesses se cruzam. Há banhistas, pescadores, embarcações, usuários recreativos e moradores atentos ao impacto da intervenção.

Em obras marítimas, a engenharia não acontece isolada da comunidade. Cada movimentação no mar pode alterar rotinas locais, ainda que temporariamente.

Dessalinização entra na estratégia contra seca e clima variável

A usina de Belmont é apresentada como forma de diversificar as fontes de abastecimento do Lower Hunter. A região busca reduzir a exposição a períodos de seca e às mudanças no comportamento das chuvas.

Nesse contexto, a dessalinização ganha força por produzir água potável a partir do mar. É uma fonte que não depende diretamente do volume de reservatórios ou da regularidade das precipitações.

O projeto, porém, exige alto investimento, obra complexa e operação ambientalmente monitorada. Por isso, a decisão de avançar com uma usina desse porte envolve engenharia, custo, segurança hídrica e aceitação pública.

No fim, a Austrália aposta em estruturas de concreto no fundo do mar, túnel sob a praia e tecnologia de dessalinização para transformar água salgada em abastecimento.

Você acha que regiões costeiras com risco de seca deveriam investir mais em usinas desse tipo, ou o custo e os impactos ainda pedem cautela? Comente sua opinião.

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Caixeta
Caixeta
16/05/2026 12:17

Lembrando q a água do mar n e infinita,imaginem se todos os países resolver fazer essa captacao

Rubilar
Rubilar
16/05/2026 12:13

Trabalho na área de saneamento básico e esse projeto magnífico poderia aproveitar o sal da salmoura devolvida ao mar até porque essa salmoura pode aumentar a sanalidade do local da praia aonde é descartado esse resíduo industrial no ecossistema ou biota marina alterando a Fauna Marina.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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