Cientistas desenvolvem bateria feita com comida que pode revolucionar o mercado. A nova tecnologia pode gerar 0,65V e novos protótipos estão sendo desenvolvidos.
Diversos cientistas já pensaram em resolver totalmente o problema da reciclagem das pilhas e baterias e, agora, uma alternativa será literalmente “comer os componentes” que não funcionam ou não recarregam mais. É uma possibilidade ainda remota mas que se mostrou efetiva graças ao trabalho de Ivan Ilic e seus colegas do Instituto Italiano de Tecnologia.
Nova tecnologia utiliza ingredientes presentes na cozinha
O pesquisador desenvolveu uma bateria recarregável totalmente comestível, utilizando apenas materiais que podem ser consumidos como parte de nossa alimentação no dia a dia. Apesar de não se esperar que o usuário possa comer a bateria feita de comida do seu celular caso haja fome repentina, esses componentes podem ser úteis em sensores para diagnósticos de saúde, robótica macia e monitoramento da qualidade dos alimentos. Já foram desenvolvidas baterias comestíveis anteriormente, entretanto nenhuma composta unicamente com ingredientes que podem ser encontrados na cozinha.
A equipe desenvolveu a tecnologia inspirada nas reações bioquímicas do tipo redox, que acontecem em todos os seres vivos, desenvolvendo uma bateria que utiliza a riboflavina (vitamina B2) como ânodo e a quercetina, um suplemento e ingrediente alimentar, presente nas alcaparras por exemplo, como cátodo.
-
Cometa 3I/ATLAS partiu, mas deixou um enigma químico para trás: James Webb encontrou metano, CO2 e vapor de água em proporções incomuns, reforçando que o visitante interestelar veio de um lugar muito distante do Sistema Solar
-
‘Antes só que mal acompanhada’: ciência chega a conclusão sobre a afirmação após acompanhar 12 mil pessoas durante anos; resultado desafia crenças populares sobre relacionamentos, felicidade, bem-estar emocional e revela diferenças marcantes entre homens e mulheres
-
Nasa desvenda mistérios do cometa interestelar 3I/Atlas e encontra pistas inesperadas em apenas o terceiro visitante vindo de fora do Sistema Solar, um objeto que viajou bilhões de anos e mobilizou James Webb, Hubble e ALMA
-
Camarão-gigante-da-Malásia invade o litoral brasileiro e acende alerta ecológico: espécie exótica já registrada em 68 áreas costeiras pode competir com nativos, espalhar patógenos e ameaçar berçários naturais de manguezais
O carvão ativado foi utilizado para ampliar a condutividade elétrica, tudo completado com um eletrólito à base de água. O separador necessário em todas as baterias para evitar curtos-circuitos foi desenvolvido com alga nori, do tipo encontrado no sushi. Logo depois, eletrodos foram encapsulados em cera de abelha, de onde saem dois contatos de ouro comestível em um suporte derivado de celulose.
A bateria feita de comida gera 0,65V, muito menor que as baterias comuns, entretanto é uma tensão baixa o suficiente para não gerar problemas ao corpo humano quando ingerida.
Uso futuro da nova tecnologia envolvendo a bateria feita de comida
O protótipo da tecnologia gerou uma corrente de 48 μA por 12 minutos, ou alguns microamperes por mais de uma hora, o suficiente para gerar eletricidade a pequenos dispositivos eletrônicos usados em exames médicos, ou mesmo para acender LEDs de baixa potência.
Segundo Mario Caironi, coordenador do projeto, os usos futuros vão desde circuitos comestíveis e sensores que podem fiscalizar as condições de saúde até o suprimento de energia para sensores para monitorar as condições de armazenamento de alimentos.
Além disso, dado o nível de segurança dessas baterias, estas poderiam ser utilizadas em brinquedos infantis, onde há um alto risco de ingestão. Na verdade, os cientistas já estão desenvolvendo uma bateria feita de comida com maiores capacidades e reduzindo o tamanho total. Esses desenvolvimentos serão testados futuramente também para alimentação de robôs macios comestíveis.
Projeto de bateria feita de comida começou em 2019
O projeto começou há 4 anos, quando a equipe recebeu um financiamento do Conselho de Pesquisas Europeu para fabricar eletrônicos comestíveis, não exatamente para substituir a comida tradicional, mas porque dispositivos feitos a partir de comida nascem já para uso no corpo humano.
A eletrônica comestível é um campo de crescimento recente pelo grande impacto potencial no diagnóstico e tratamento de doenças do trato gastrointestinal, assim como no monitoramento da qualidade dos alimentos.
Um dos desafios mais interessantes no avanço de futuros sistemas eletrônicos ingeríveis estava no desenvolvimento das fontes de eletricidade, que também devem seguir o mesmo critério, de utilizar apenas matérias-primas comestíveis.
Segundo Ilic, esta nova tecnologia também é interessante para a comunidade de armazenamento de eletricidade. Desenvolver baterias mais seguras, sem utilizar materiais tóxicos, é um desafio que enfrenta à medida que a demanda por baterias se expande.

Seja o primeiro a reagir!