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Dois quenianos de só 17 anos usam cascas de coco, espigas de milho e reciclados e criam filtro de escapamento que reduz 93,3% das partículas poluentes e vence prêmio ambiental na África

Publicado em 04/06/2026 às 11:36
Atualizado em 04/06/2026 às 11:41
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Imagem: Ilustração artística
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Feito com cascas de coco, espigas de milho, algas e materiais reciclados, o filtro HewaSafi reduziu 93,3% das partículas PM2,5 em testes com matatus no Quênia e venceu prêmio ambiental regional

Dois estudantes de 17 anos do condado de Kiambu, no Quênia, venceram em 12 de maio o Prêmio Terra da região da África com o HewaSafi, um filtro de escapamento de baixo custo feito com cascas de coco, espigas de milho e outros materiais locais. O sistema reduziu 93,3% das partículas PM2,5 em testes com matatus em Nairóbi.

Jovens do Quênia inovam com invenção incrível
Imagem do protótipo 3D do HewaSafi. Imagem cedida por Fredrick Njoroge Kariuki e Miron Onsarigo.

Filtro de escapamento nasceu de uma experiência pessoal com a poluição

Fredrick Njoroge Kariuki e Miron Onsarigo, alunos da M-PESA Foundation Academy, desenvolveram o HewaSafi, nome que significa “ar limpo” em suaíli, depois de presenciarem doenças ligadas à poluição do ar entre familiares e amigos.

Kariuki cresceu em uma área industrializada do condado de Nakuru e desenvolveu uma doença pulmonar crônica aos 10 anos.

A condição ainda exige medicação semanal. Onsarigo, criado no oeste do Quênia, viu mortes e casos graves associados à poluição atmosférica.

O problema da poluição atmosférica era algo muito pessoal para nós, e foi por isso que começamos a pensar em encontrar uma solução”, disse Kariuki à Mongabay. “Era uma paixão antes de se tornar um projeto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição atmosférica causa 4,4 milhões de mortes prematuras por ano no mundo.

Os gases de escape de veículos estão entre as principais fontes de poluição em áreas urbanas.

Sistema usa resíduos agrícolas, algas e materiais reciclados

O HewaSafi foi criado como um sistema de filtragem de gases de escape baseado em materiais acessíveis localmente. A estrutura usa cascas de coco, espigas de milho, malha de aço, cobre e materiais reciclados de baterias antigas.

O projeto também inclui um componente feito com algas espirulina vivas, usado como forma de biorremediação.

O funcionamento divide o fluxo dos gases de escape em cinco compartimentos, cada um voltado à filtragem de diferentes poluentes.

A combinação de materiais simples e divisão por etapas foi um dos pontos destacados pelo júri do Prêmio Terra.

Para Agustín Ocaña Escobar, presidente do júri, a força do projeto esteve em apresentar não apenas uma ideia, mas um caminho técnico tangível.

Segundo ele, o uso de materiais acessíveis, resíduos agrícolas e algas mostrou realismo, experimentação e potencial impacto na comunidade. Escobar afirmou ainda estar ansioso para ver o desenvolvimento do projeto no próximo ano.

Jovens do Quênia inovam com invenção incrível
Fredrick Njoroge Kariuki, à esquerda, e Miron Onsarigo, os inovadores da HewaSafi. Imagem cedida por Lemmuel Agina/M-PESA Foundation Academy.

Testes com o filtro de escapamento em matatus registraram redução de 93,3% nas partículas PM2,5

A equipe realizou testes piloto em parceria com uma associação local de matatus, os micro-ônibus particulares usados como táxis compartilhados no Quênia. Os filtros foram instalados em cinco veículos que circulam pelo corredor da Thika Road, em Nairóbi.

Durante os testes, sensores registraram leituras a cada seis horas em condições reais de uso. Os resultados superaram as metas do projeto, com redução de 93,3% nas emissões de partículas PM2,5.

Essas partículas finas podem se alojar nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, o que as torna prejudiciais à saúde humana. O sistema também apresentou redução de 42% no monóxido de carbono e absorção de 21,4% de CO₂.

Todos sabemos que os gases de efeito estufa são uma das principais causas das mudanças climáticas. No momento em que formos capazes de filtrar o dióxido de carbono, conseguiremos reduzir a quantidade desses gases que entram na atmosfera”, afirmou Kariuki.

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Custo menor e plano para produzir 1.200 unidades

A diferença de preço é outro ponto central do HewaSafi. De acordo com a equipe, filtros existentes custam 50.000 xelins, quase US$ 390. O protótipo desenvolvido pelos estudantes custa 16.288 xelins, cerca de US$ 126.

Apesar do reconhecimento, os jovens ainda enfrentam dificuldades para financiar o projeto. A escola apoiou a equipe com orientação, matéria-prima, equipamentos eletrônicos, acesso à internet e até um advogado para ajudar no processo de patenteamento.

O Prêmio Terra, concedido pela Fundação Terra, com sede na Suíça, reconhece jovens de 13 a 19 anos que trabalham em soluções para desafios ambientais. A edição atual é a quinta do prêmio.

A HewaSafi foi escolhida como vencedora regional da África e agora concorre ao prêmio global. A votação pública começa em 18 de maio e termina em 27 de maio. O vencedor internacional será anunciado em 29 de maio.

Cada vencedor regional receberá US$ 12.500 para implementar seus planos, além de acesso à mentoria. Os sete vencedores regionais representam América do Norte, África, Ásia, América Central e do Sul, Oceania e Sudeste Asiático, Europa e Oriente Médio.

Os adolescentes planejam produzir 1.200 filtros de escapamento em parceria com artesãos locais do setor informal de manufatura. Também pretendem firmar acordo com uma associação de proprietários de matatus, que representa cerca de 8.000 motoristas, para testar os filtros em 200 veículos.

Eu não gostaria de ver nenhuma outra criança sofrendo de uma doença pulmonar crônica como a que eu tenho”, disse Kariuki. “É isso que me mantém em movimento.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Mongabay, Fundação Terra, Organização Mundial da Saúde e declarações de Fredrick Njoroge Kariuki e Agustín Ocaña Escobar, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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