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Por fora, um grande silo metálico; por dentro, uma bateria térmica capaz de guardar energia renovável por semanas, comprar eletricidade barata e manter uma cidade aquecida no inverno

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 01/07/2026 às 16:09 Atualizado em 01/07/2026 às 16:11
Bateria de areia em formato de silo metálico cercada por tubulações e prédios públicos em uma cidade finlandesa coberta de neve.
Estrutura térmica semelhante a um grande silo armazena calor renovável e abastece escolas, prédios públicos e outras instalações de Pornainen.
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Instalada na Finlândia, a bateria de areia reduziu emissões em 70%, eliminou o uso de óleo e armazenou calor renovável para abastecer prédios públicos

Para uma cidade que precisa atravessar o inverno com escolas, prédios públicos e residências aquecidos, guardar calor pode ser tão importante quanto produzir eletricidade. Essa lógica transformou um grande silo metálico, preenchido com 2 mil toneladas de pedra-sabão triturada, em uma bateria térmica capaz de armazenar energia renovável durante semanas.

A Polar Night Energy colocou o sistema em operação em junho de 2025, na cidade finlandesa de Pornainen. A instalação atende a rede de aquecimento administrada pela Loviisan Lämpö.

A empresa divulgou os resultados do primeiro ano em 11 de junho de 2026. Os números mostraram que a estrutura cumpriu as metas previstas e alcançou eficiência térmica superior a 85%.

A tecnologia não armazena eletricidade como uma bateria de celular ou de automóvel. O sistema transforma energia elétrica em calor, conserva essa energia no material granular e libera a temperatura quando a cidade precisa aquecer seus edifícios.

O que existe dentro da bateria de areia

A estrutura parece simples, mas funciona como um reservatório térmico de grandes proporções.

O equipamento possui aproximadamente 13 metros de altura e 15 metros de largura. Seu interior reúne cerca de 2 mil toneladas de pedra-sabão triturada, material escolhido para substituir a areia comum no projeto de Pornainen.

Resistências elétricas aquecem o granulado durante os períodos com maior disponibilidade de energia renovável. O isolamento térmico mantém o calor dentro do tanque até o momento do uso.

Essa reserva corresponde a aproximadamente um mês de aquecimento durante o verão. No inverno, quando o consumo aumenta, a capacidade garante cerca de uma semana de fornecimento térmico.

O princípio lembra o que ocorre quando a areia da praia permanece quente depois que o sol desaparece. A tecnologia, porém, aplica essa lógica em grande escala e controla todo o processo.

Grande tanque metálico da bateria de areia de Pornainen, projetado para armazenar energia térmica em pedra-sabão triturada.
Bateria de areia de Pornainen utiliza um grande tanque isolado para armazenar calor em cerca de 2 mil toneladas de pedra-sabão triturada.

Os números que mostram se a tecnologia funciona

O primeiro ano de operação revelou os principais resultados do projeto.

Segundo a Polar Night Energy, a bateria alcançou eficiência térmica superior a 85%. Na prática, o sistema recuperou como calor a maior parte da energia usada para aquecer o material.

A rede de aquecimento reduziu em 70% as emissões climáticas. A operação também eliminou o consumo de óleo e diminuiu em 60% o uso de biomassa.

Os principais resultados incluem:

  • 70% de redução nas emissões climáticas;
  • mais de 85% de eficiência térmica;
  • eliminação completa do consumo de óleo;
  • queda de 60% no uso de biomassa;
  • fornecimento contínuo de calor;
  • ampliação da capacidade da rede urbana.

O sistema manteve o fornecimento de energia térmica com elevado nível de confiabilidade. A bateria também ampliou a capacidade de atendimento da rede municipal.

Escolas, prefeitura e biblioteca passaram a receber calor

O calor armazenado não ficou restrito aos testes técnicos.

A bateria começou a atender grande parte dos edifícios públicos de Pornainen, incluindo uma escola, a prefeitura e a biblioteca. A rede também incorporou uma nova arena poliesportiva e uma escola reformada.

A estrutura integra o sistema municipal de aquecimento. Os operadores usam eletricidade nos momentos de maior oferta e menor preço. Depois, distribuem o calor quando a demanda aumenta.

O setor chama essa diferença entre compra e consumo de arbitragem energética. A estratégia reduz custos e diminui a dependência dos horários mais caros do mercado.

Eletricidade até 90% mais barata

A economia também apareceu no preço da eletricidade usada para carregar o sistema.

A operação comprou energia por valores entre 70% e 80% inferiores à média do mercado spot. Em alguns meses, a diferença superou 90%, segundo a Polar Night Energy.

A bateria aproveita períodos de excesso de energia eólica ou solar. Em vez de perder essa produção, o sistema transforma a eletricidade em calor e guarda a energia para outro momento.

Esse mecanismo reúne redução de emissões, estabilidade no fornecimento e menor exposição aos períodos mais caros do mercado energético.

Da cidade para as indústrias

O próximo passo pode levar a tecnologia para setores que utilizam grandes volumes de calor.

Indústrias de cimento, aço e alimentos dependem de temperaturas elevadas em seus processos produtivos. Muitas ainda usam combustíveis fósseis para atender essa demanda.

A bateria térmica pode substituir parte desses combustíveis por calor gerado com eletricidade renovável. As empresas poderiam carregar o sistema nos períodos de maior geração e menor custo.

Sauli Antila, sócio operacional da CapMan Infra, afirmou que os resultados do primeiro ano reduzem as incertezas para outras organizações interessadas na solução.

Liisa Naskali, diretora de operações da Polar Night Energy, classificou o projeto como um exemplo concreto da transição energética. Segundo ela, a proposta troca a combustão por eletricidade renovável armazenada.

Para quem observa de fora, a bateria parece apenas um grande tanque metálico. Por dentro, porém, toneladas de pedra triturada guardam calor suficiente para atender edifícios públicos durante semanas.

O projeto de Pornainen mostra que o armazenamento de energia renovável não depende necessariamente de lítio ou de sistemas eletroquímicos. Em algumas situações, materiais simples podem conservar calor até o momento do uso.

A bateria de areia reduziu emissões em 70%, eliminou o óleo, diminuiu o uso de biomassa e aproveitou eletricidade até 90% mais barata. O resultado transforma um silo cheio de pedra em uma peça relevante para o aquecimento urbano e para a descarbonização industrial.

E você, acredita que baterias térmicas como essa poderiam ajudar cidades e indústrias brasileiras a aproveitar melhor a energia solar e eólica? Conte nos comentários.

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Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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