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Sem estrada para levar os filhos à escola, vendedor pega picareta e abre sozinho uma rota de 8 km na montanha após ver crianças tropeçarem nas pedras

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 01/07/2026 às 17:08 Atualizado 01/07/2026 às 17:31
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Vendedor de legumes em região isolada da Índia transformou a dificuldade dos filhos em uma obra feita à mão, usando ferramentas simples para abrir caminho pela montanha e reduzir o percurso diário até a escola.

Jalandhar Nayak, vendedor de legumes de 45 anos, abriu sozinho uma estrada de cerca de 8 km em uma área montanhosa de Odisha, no leste da Índia, para facilitar o caminho dos três filhos até a escola.

A história veio a público em janeiro de 2018, quando a imprensa local mostrou o trabalho feito com ferramentas manuais entre a aldeia de Gumsahi e a região de Phulbani, no distrito de Kandhamal.

A rota não surgiu de uma obra pública planejada, nem de uma empresa contratada para abrir passagem no terreno, o que ampliou a repercussão do caso dentro e fora da Índia.

Segundo o The Guardian, Nayak usou cinzel, enxada e picareta para cortar parte da montanha, depois de ver os filhos enfrentarem diariamente um trajeto estreito, pedregoso e demorado para estudar.

Caminho até a escola exigia horas de caminhada

Antes da abertura da estrada, os três filhos de Nayak levavam cerca de três horas em cada sentido para chegar às aulas, em um percurso marcado por trechos rochosos e de difícil circulação.

Essa condição tornava a ida à escola mais cansativa e insegura para crianças que dependiam do deslocamento a pé, especialmente em uma área sem estrada adequada para ligar a aldeia aos serviços próximos.

Ao News World Odisha, citado pelo The Guardian, Nayak relatou que via os filhos tropeçando nas pedras durante o caminho, uma cena que passou a orientar sua decisão de agir diretamente na montanha.

Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.
Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.

Com o objetivo de tornar o deslocamento mais viável, ele começou a abrir uma passagem para que as crianças caminhassem com mais facilidade, sem depender de máquinas pesadas ou de uma equipe de trabalhadores.

A iniciativa nasceu de uma necessidade familiar, mas acabou expondo um problema maior de infraestrutura em comunidades isoladas, onde a falta de acesso interfere diretamente na rotina escolar e no contato com centros urbanos.

Em Gumsahi, a dificuldade não afetava apenas o trajeto até a escola, pois também limitava a ligação da família com serviços básicos e reforçava o isolamento de quem permanecia na região.

Aldeia isolada em Odisha ficou quase vazia

De acordo com o The Guardian, Nayak e a família eram os únicos moradores restantes de Gumsahi naquele período, depois que outros habitantes deixaram a aldeia em busca de locais com estradas melhores.

A saída dos moradores reforça o impacto da falta de conectividade sobre a permanência de famílias em áreas rurais, especialmente quando o acesso a serviços e transporte depende de caminhos longos e difíceis.

Também segundo o New Indian Express, a família de Nayak era a única residente da região, enquanto os demais moradores haviam se mudado por causa das dificuldades impostas pelo terreno montanhoso.

A publicação informou que a estrada construída por ele ligava Gumsahi à via principal em Phulbani, dentro do distrito de Kandhamal, ampliando a conexão entre a aldeia e áreas com mais estrutura.

Sem uma estrada adequada, atividades básicas se transformavam em deslocamentos longos e desgastantes, o que tornava a rotina familiar mais difícil e reduzia as alternativas de permanência naquele território rural.

Para os filhos de Nayak, a educação dependia não apenas da existência de uma escola, mas da possibilidade concreta de chegar até ela sem enfrentar diariamente uma rota de pedras e obstáculos naturais.

Estrada de 8 km foi aberta com ferramentas simples

Durante cerca de dois anos, Nayak dedicou parte da rotina à abertura da estrada, em um trabalho manual que exigia resistência física e continuidade para avançar sobre o terreno acidentado.

Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.
Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.

O New Indian Express informou que ele trabalhou por oito horas diárias nesse período, em um esforço para construir o trecho de 8 km entre a aldeia e Phulbani.

A dimensão do serviço chamou atenção porque o terreno montanhoso exigia quebrar pedras, alargar a passagem e nivelar partes do caminho sem equipamentos pesados, máquinas de obra ou apoio técnico constante.

Em vez de apenas limpar uma trilha já existente, o vendedor avançou sobre a encosta para criar uma rota utilizável, movido pela dificuldade enfrentada pelos filhos no percurso até a escola.

Na imprensa indiana, o caso passou a ser comparado a outras histórias de moradores que abriram caminhos por conta própria em regiões isoladas, sempre diante da ausência de infraestrutura pública suficiente.

Ainda assim, a motivação central de Nayak estava diretamente ligada à rotina escolar das crianças, com a intenção de reduzir o desgaste e tornar o deslocamento menos perigoso.

Governo local prometeu apoio após repercussão

Depois que a história foi exibida por uma mídia local, autoridades passaram a comentar o caso e reconheceram o tamanho do esforço individual realizado em uma área de difícil acesso.

O The Guardian informou que Brundha D, administradora local citada na reportagem, reconheceu o trabalho de Nayak e disse que ele seria compensado pelo tempo dedicado à abertura da estrada.

A continuidade da obra também entrou na pauta do poder público, já que Nayak ainda pretendia trabalhar por mais três anos para concluir cerca de 7 km restantes.

Conforme a reportagem do The Guardian, essa etapa posterior foi assumida pelo governo local depois da repercussão, enquanto o vendedor deixou de ser o único responsável pela tentativa de ligação da aldeia.

O New Indian Express registrou ainda que S. K. Jena, oficial de desenvolvimento do bloco administrativo local, afirmou que Nayak receberia apoio no contexto da repercussão sobre as condições da área.

Na mesma cobertura, a região onde a família vivia foi descrita pelo funcionário como quase inabitável, uma avaliação que reforçou a gravidade do isolamento enfrentado pela comunidade de Gumsahi.

Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.
Vendedor abriu estrada de 8 km na Índia para facilitar o caminho dos filhos até a escola em área montanhosa, rural e isolada de Odisha.

Falta de estrada afetava acesso à educação

A estrada aberta por Nayak tornou visível uma dificuldade que não se resume à distância entre casa e sala de aula, mas envolve segurança, transporte e presença mínima de infraestrutura.

Em áreas isoladas, a permanência de crianças na escola pode depender de caminhos seguros, serviços públicos e ligação com centros urbanos, fatores que influenciam diretamente a continuidade dos estudos.

Quando esses elementos faltam, a matrícula não garante por si só o acesso à educação, já que o deslocamento diário pode se tornar um obstáculo tão grande quanto a ausência de vaga.

O caso de Gumsahi mostrou que uma família chegou ao ponto de transformar uma necessidade diária em trabalho pesado na montanha, usando ferramentas simples para enfrentar uma falha básica de infraestrutura.

A repercussão também evidenciou como a falta de estradas pode contribuir para o esvaziamento de comunidades rurais, especialmente quando moradores não encontram acesso seguro a serviços essenciais.

À medida que famílias deixam suas casas por falta de deslocamento adequado, o isolamento se aprofunda para quem permanece, tornando ainda mais difícil manter vínculos com escola, comércio e atendimento público.

A rota de 8 km aberta por Nayak não substituiu uma obra pública estruturada, mas tornou concreta uma demanda que já fazia parte da rotina da família havia anos.

Quantas outras crianças ainda dependem de caminhos improvisados para chegar a uma sala de aula?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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