Tecnologia criada pela GTechPlasma permite ajustar materiais em escala atômica e poderá originar revestimentos destinados à aviação militar e à blindagem eletromagnética
Portugal desenvolve um material à base de grafeno capaz de absorver ondas de radar e outras radiações eletromagnéticas.
A solução poderá, consequentemente, reduzir a assinatura de drones e aeronaves militares nos sistemas de detecção.
A equipe responsável, no entanto, ainda trata os resultados como estimativas. O material continua avançando em direção à industrialização e às aplicações finais.
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A GTechPlasma, empresa derivada do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, lidera o projeto.
Bruno Soares Gonçalves, cofundador da empresa, afirma que a pesquisa concentra esforços em coberturas destinadas à absorção de radar e à blindagem eletromagnética.
A Euronews apresentou a tecnologia em 30 de junho de 2026, durante uma reportagem sobre o desenvolvimento português.
Material pode diminuir a assinatura de radar de aeronaves
Os pesquisadores desenvolveram o revestimento para absorver parte da radiação eletromagnética que alcança determinada superfície.
A superfície refletiria, dessa forma, uma quantidade menor de ondas em direção ao radar, dificultando a identificação do objeto.
As estimativas da GTechPlasma indicam que um F-16 com o material poderia apresentar uma assinatura semelhante à de um pássaro.
A comparação, contudo, não significa invisibilidade absoluta. Na prática, os radares poderiam detectar a aeronave mais tarde ou com maior dificuldade.
A redução da assinatura proporcionaria, desse modo, uma vantagem estratégica durante missões militares.
Bruno Soares Gonçalves também afirma que poucos países dominam soluções comparáveis e mantêm fortes restrições internacionais.
O pesquisador acrescenta que os Estados Unidos proíbem a exportação do material utilizado nos caças F-35.

Como o grafeno português é produzido
O grafeno corresponde, tecnicamente, a uma camada de átomos de carbono com apenas um átomo de espessura.
A equipe utiliza tecnologia de plasma e precursores como álcool etílico e metano durante a produção.
Os principais elementos citados no processo incluem:
- álcool etílico;
- metano;
- outros compostos definidos conforme a aplicação desejada.
O equipamento permite, sobretudo, controlar todo o processo em nível atômico.
A equipe consegue, por consequência, alterar a receita e ajustar as propriedades do material para diferentes finalidades.
A empresa mantém a proteção patentária do dispositivo nos Estados Unidos, no Japão e na Europa.
A equipe apresentou amostras produzidas com essa tecnologia em 3 de fevereiro de 2026, durante o Técnico Innovation Summit.
O evento também exibiu materiais ultraleves voltados à blindagem eletromagnética.
Produção será ampliada em Vila Viçosa
Os dispositivos da GTechPlasma produzem atualmente 40 miligramas de grafeno de alta qualidade por minuto.
A empresa pretende ampliar essa capacidade por meio de uma parceria industrial.
A Plasmaphene, instalada em Vila Viçosa e apoiada pelo Compete 2030, assumirá a industrialização da máquina de produção.
A futura estrutura deverá reunir vários dispositivos em funcionamento.
Esses equipamentos poderão fabricar diferentes materiais simultaneamente, enquanto a redundância reduzirá possíveis interrupções na produção.
Empresa já forneceu grafeno para fabricante de drones
A GTechPlasma já entregou 260 gramas do material absorvedor de radar para um fabricante português de drones.
O produto apresenta, por enquanto, a forma de um pó preto e extremamente leve.
A empresa pretende transformar esse composto em soluções mais próximas da utilização comercial.
As possibilidades previstas incluem:
- tintas para drones;
- revestimentos para aeronaves;
- materiais destinados à blindagem eletromagnética;
- soluções para armazenamento de hidrogênio;
- materiais para separação de terras raras e urânio.
A iniciativa poderá fortalecer a participação portuguesa no desenvolvimento europeu de materiais avançados.
A aplicação operacional dependerá, todavia, da ampliação da produção e da transformação do pó em revestimentos prontos para uso.
