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Portugal testa um grafeno tão discreto que pode fazer um caça F-16 parecer apenas um pássaro no radar e agora quer transformar o material em tinta para drones e aeronaves militares

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 01/07/2026 às 15:15 Atualizado em 01/07/2026 às 15:18
Caça militar e drone sobrevoam uma estação de radar em ilustração sobre grafeno português capaz de reduzir assinaturas de detecção.
Ilustração mostra um caça, um drone e uma estação de radar, representando o uso de grafeno português em revestimentos para reduzir a detecção de aeronaves militares.
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Tecnologia criada pela GTechPlasma permite ajustar materiais em escala atômica e poderá originar revestimentos destinados à aviação militar e à blindagem eletromagnética

Portugal desenvolve um material à base de grafeno capaz de absorver ondas de radar e outras radiações eletromagnéticas.

A solução poderá, consequentemente, reduzir a assinatura de drones e aeronaves militares nos sistemas de detecção.

A equipe responsável, no entanto, ainda trata os resultados como estimativas. O material continua avançando em direção à industrialização e às aplicações finais.

A GTechPlasma, empresa derivada do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, lidera o projeto.

Bruno Soares Gonçalves, cofundador da empresa, afirma que a pesquisa concentra esforços em coberturas destinadas à absorção de radar e à blindagem eletromagnética.

A Euronews apresentou a tecnologia em 30 de junho de 2026, durante uma reportagem sobre o desenvolvimento português.

Material pode diminuir a assinatura de radar de aeronaves

Os pesquisadores desenvolveram o revestimento para absorver parte da radiação eletromagnética que alcança determinada superfície.

A superfície refletiria, dessa forma, uma quantidade menor de ondas em direção ao radar, dificultando a identificação do objeto.

As estimativas da GTechPlasma indicam que um F-16 com o material poderia apresentar uma assinatura semelhante à de um pássaro.

A comparação, contudo, não significa invisibilidade absoluta. Na prática, os radares poderiam detectar a aeronave mais tarde ou com maior dificuldade.

A redução da assinatura proporcionaria, desse modo, uma vantagem estratégica durante missões militares.

Bruno Soares Gonçalves também afirma que poucos países dominam soluções comparáveis e mantêm fortes restrições internacionais.

O pesquisador acrescenta que os Estados Unidos proíbem a exportação do material utilizado nos caças F-35.

Aeronave em ambiente de testes ilustra o uso de materiais capazes de absorver radiação eletromagnética e dificultar a detecção por radar.
Modelo de aeronave furtiva em câmara de testes com painéis absorventes, representando a análise da redução da assinatura de radar.

Como o grafeno português é produzido

O grafeno corresponde, tecnicamente, a uma camada de átomos de carbono com apenas um átomo de espessura.

A equipe utiliza tecnologia de plasma e precursores como álcool etílico e metano durante a produção.

Os principais elementos citados no processo incluem:

  • álcool etílico;
  • metano;
  • outros compostos definidos conforme a aplicação desejada.

O equipamento permite, sobretudo, controlar todo o processo em nível atômico.

A equipe consegue, por consequência, alterar a receita e ajustar as propriedades do material para diferentes finalidades.

A empresa mantém a proteção patentária do dispositivo nos Estados Unidos, no Japão e na Europa.

A equipe apresentou amostras produzidas com essa tecnologia em 3 de fevereiro de 2026, durante o Técnico Innovation Summit.

O evento também exibiu materiais ultraleves voltados à blindagem eletromagnética.

Produção será ampliada em Vila Viçosa

Os dispositivos da GTechPlasma produzem atualmente 40 miligramas de grafeno de alta qualidade por minuto.

A empresa pretende ampliar essa capacidade por meio de uma parceria industrial.

A Plasmaphene, instalada em Vila Viçosa e apoiada pelo Compete 2030, assumirá a industrialização da máquina de produção.

A futura estrutura deverá reunir vários dispositivos em funcionamento.

Esses equipamentos poderão fabricar diferentes materiais simultaneamente, enquanto a redundância reduzirá possíveis interrupções na produção.

Empresa já forneceu grafeno para fabricante de drones

A GTechPlasma já entregou 260 gramas do material absorvedor de radar para um fabricante português de drones.

O produto apresenta, por enquanto, a forma de um pó preto e extremamente leve.

A empresa pretende transformar esse composto em soluções mais próximas da utilização comercial.

As possibilidades previstas incluem:

  • tintas para drones;
  • revestimentos para aeronaves;
  • materiais destinados à blindagem eletromagnética;
  • soluções para armazenamento de hidrogênio;
  • materiais para separação de terras raras e urânio.

A iniciativa poderá fortalecer a participação portuguesa no desenvolvimento europeu de materiais avançados.

A aplicação operacional dependerá, todavia, da ampliação da produção e da transformação do pó em revestimentos prontos para uso.

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Caio Aviz

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