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Barragem colossal no Brasil finalmente sai do papel após 17 anos, consumindo R$ 365,7 milhões e beneficiando mais de 100 mil pessoas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 25/03/2026 às 18:19
Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação.
Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação.
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Obra bilionária no interior do Rio Grande do Sul altera cenário hídrico e agrícola da Campanha após quase duas décadas de atrasos, retomadas e investimentos públicos, com impacto direto sobre produção rural, abastecimento urbano e controle de cheias em municípios estratégicos.

Após 17 anos de obras, interrupções e retomadas, a barragem do arroio Jaguari foi concluída na região da Campanha, entre Lavras do Sul, Rosário do Sul e São Gabriel.

O empreendimento recebeu R$ 365,7 milhões dos governos estadual e federal e, segundo o governo gaúcho, deve reforçar o abastecimento de água em períodos de estiagem, reduzir os efeitos das cheias e dar suporte direto à produção agropecuária local.

A entrega encerra uma espera iniciada em 2009, quando a obra começou, mas perdeu ritmo ao longo dos anos e passou por paralisações antes de ser retomada por novas licitações.

A estrutura é tratada pelo Estado como uma das principais intervenções hídricas da Campanha por reunir duas funções sensíveis para a região: reservar água em momentos de seca e ajudar a regular o curso do rio em fases de chuva intensa.

Na prática, o reservatório foi desenhado para atender uma área em que a oscilação climática pesa sobre o cotidiano urbano e o desempenho do campo.

Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação.
Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação. Foto: Governo RS

O governo estadual afirma que mais de 100 mil pessoas serão beneficiadas diretamente pelo sistema, com impacto esperado sobre o abastecimento e sobre atividades econômicas que dependem de oferta estável de água ao longo do ano.

Importância da barragem para a Campanha gaúcha

A relevância da barragem vai além da engenharia.

Em uma faixa do Rio Grande do Sul acostumada a conviver com estiagens sucessivas e com episódios de excesso de chuva, a capacidade de armazenar água se transformou em ativo estratégico para municípios cuja economia tem forte ligação com a produção primária e com a segurança hídrica.

O projeto prevê impacto direto sobre 65 mil hectares de lavouras de arroz e soja, além da pecuária, com fornecimento de água estimado a partir da safra 2027/28.

Em São Gabriel, essas culturas concentram parcela dominante da área agrícola, o que ajuda a explicar por que a conclusão da obra foi tratada como marco regional tanto para o campo quanto para o planejamento de longo prazo.

Dados divulgados pela prefeitura de São Gabriel mostram uma dimensão semelhante dessa dependência produtiva.

O município informa cerca de 32 mil hectares de soja e 30 mil hectares de arroz, patamar que confirma o peso dessas cadeias no território e reforça o efeito potencial de uma infraestrutura voltada à regularização da oferta de água para lavouras e rebanhos.

Ainda assim, o benefício esperado não se limita à irrigação.

A barragem também entra no debate sobre adaptação climática, tema que ganhou força no Estado depois de uma sequência de eventos extremos.

Ao ampliar a capacidade de retenção e manejo da água, a estrutura passa a integrar o conjunto de respostas buscadas pelo poder público para reduzir vulnerabilidades históricas da região.

Histórico da obra e evolução dos custos

Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação.
Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação. Foto: Governo RS

A trajetória do empreendimento foi marcada por demora e revisão de custos.

Em agosto de 2025, o governo do Estado informava previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026 e estimava o investimento total da barragem do Jaguari em R$ 330 milhões, sendo R$ 213,3 milhões do Estado e R$ 116,7 milhões da União.

Na conclusão anunciada em 24 de março de 2026, o valor divulgado passou para R$ 365,7 milhões, com R$ 249 milhões atribuídos ao Estado e manutenção da parcela federal em R$ 116,7 milhões.

Essa diferença evidencia como o custo final foi sendo redefinido ao longo da execução, num processo atravessado por paralisações, recontratações e ajustes.

O próprio governo gaúcho reconheceu, em material oficial, que a obra precisou de novas licitações para seguir adiante.

Em outro momento, a administração estadual também associou o atraso ao abandono de empresas responsáveis e à necessidade de alterar o projeto.

Mesmo com esse histórico, a barragem chega pronta com dimensões expressivas.

Segundo as informações divulgadas sobre a estrutura, são mais de 1 quilômetro de extensão, altura máxima de 25 metros, base com 100 metros de largura e topo com oito metros, formando um lago artificial cuja área máxima de inundação alcança 1.798 hectares.

A construção foi feita com argila compactada, camada interna de proteção, filtro de areia e sistema de drenagem.

De um lado, o talude recebeu revestimento de pedras para conter erosão provocada pelas ondas; do outro, a cobertura vegetal foi empregada como apoio à estabilidade da estrutura, em um desenho típico de barragem de terra voltado à contenção e à durabilidade.

Impactos no agronegócio e abastecimento de água

Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação. Foto: Governo RS
Barragem do arroio Jaguari é concluída após 17 anos, com R$ 365,7 milhões, beneficiando mais de 100 mil pessoas e impulsionando a irrigação. Foto: Governo RS

O peso econômico do agronegócio ajuda a dimensionar por que a conclusão da barragem mobilizou atenção regional.

São Gabriel está entre os polos agrícolas da Campanha, e a combinação entre arroz, soja e pecuária torna a disponibilidade de água um fator diretamente ligado à produtividade, ao planejamento das safras e à redução de perdas em períodos de clima adverso.

No caso das lavouras, a regularidade hídrica pode influenciar desde o calendário produtivo até a capacidade de reação dos produtores diante de estiagens recorrentes.

Já para os municípios beneficiados, a obra é apresentada como uma garantia adicional de segurança no abastecimento, sobretudo em uma bacia onde a oscilação entre seca e cheia já impôs custos sociais e econômicos em diferentes momentos.

A barragem do Jaguari também se insere em um sistema mais amplo pensado para a região, ao lado da barragem do Taquarembó, em Dom Pedrito.

Em agosto de 2025, o governo estadual projetava que as duas estruturas, juntas, atenderiam cerca de 235 mil habitantes em seis municípios e permitiriam irrigação de aproximadamente 117 mil hectares.

Com Jaguari concluída, a expectativa oficial é que parte relevante desse sistema comece a ganhar efetividade conforme avancem as etapas operacionais e a oferta de água para as lavouras.

A conclusão, portanto, fecha uma etapa de construção civil, mas abre outra, ligada à operação, ao uso agrícola e à resposta concreta que a barragem poderá oferecer em um território acostumado a medir o impacto do clima em cada safra e em cada período de estiagem ou cheia.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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