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Baratas-d’água gigantes dominam lagoas, pântanos e surpreendem cientistas ao caçar patinhos, tartarugas e até cobras venenosas em ecossistemas de água doce

Publicado em 30/01/2026 às 18:38
Baratas-d’água gigantes ocupam o topo da cadeia alimentar e utilizam técnicas silenciosas para capturar presas maiores, segundo estudos científicos.
Baratas-d’água gigantes ocupam o topo da cadeia alimentar e utilizam técnicas silenciosas para capturar presas maiores, segundo estudos científicos. Foto: © Kim, Hyun-tae/iNaturalist
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Baratas-d’água gigantes ocupam o topo da cadeia alimentar e utilizam técnicas silenciosas para capturar presas maiores, segundo estudos científicos.

As baratas-d’água gigantes estão entre os insetos mais impressionantes da fauna aquática mundial. Um estudo científico que reuniu décadas de pesquisas revelou que esses predadores não apenas sobrevivem em ambientes alagados, como também dominam a cadeia alimentar ao capturar presas muito maiores, incluindo patinhos, tartarugas e até cobras venenosas.

A pesquisa foi conduzida por especialistas internacionais, publicada na revista Entomological Science e ajuda a explicar por que esses insetos exercem papel central nos ecossistemas de água doce.

Encontradas em lagoas, pântanos e áreas agrícolas alagadas, as baratas-d’água gigantes atuam como predadoras de emboscada.

Essa estratégia, aliada ao porte avantajado, garante vantagem sobre outras espécies que compartilham o mesmo ambiente.

Baratas-d’água gigantes: Distribuição global e tamanho impressionante

As baratas-d’água gigantes pertencem a um grupo com cerca de 150 espécies conhecidas.

Elas estão presentes em quase todos os continentes, adaptadas a diferentes climas e tipos de água doce.

Algumas das maiores espécies vivem na América do Sul, como Lethocerus grandis e Lethocerus maximus, que podem ultrapassar dez centímetros de comprimento.

Esse tamanho coloca esses insetos entre os maiores predadores invertebrados de ambientes aquáticos rasos.

Como funciona a caça das baratas-d’água gigantes

Ao contrário de caçadores ativos, as baratas-d’água gigantes adotam uma postura imóvel. Presas à vegetação submersa, elas aguardam pacientemente que um animal se aproxime.

Charles Swart, professor da Trinity College, em Connecticut, descreve esse comportamento:

Foto de Shin-ya Ohba

“Elas ficam posicionadas, segurando-se em uma planta na água e pegam tudo que se move à sua frente, tentando devorá-los”.

Essa estratégia reduz o gasto de energia e aumenta a taxa de sucesso durante a captura.

Armas naturais e método de alimentação

Quando a presa entra no campo de ataque, o inseto age rapidamente. As patas dianteiras se fecham como um alicate, enquanto as demais garantem a imobilização do animal.

Em seguida, um probóscide afiado perfura a vítima, permitindo a liberação de enzimas digestivas que dissolvem os tecidos internamente.

“Decompõem o tecido e, em seguida, o sugam”, explica Swart, acrescentando que em presas maiores o processo pode levar horas e que o animal atacado pode permanecer vivo durante parte desse período.

Ainda não há consenso científico sobre a presença de veneno propriamente dito, mas os efeitos são suficientes para neutralizar presas de porte considerável.

Foto: © Kim, Hyun-tae/iNaturalist

Registros raros revelam ataques extremos

Ao revisar publicações científicas anteriores, o entomologista Shin-ya Ohba, professor adjunto da Universidade de Nagasaki, encontrou relatos surpreendentes sobre o comportamento das baratas-d’água gigantes.

Em um dos episódios mais emblemáticos, documentado em 2011, uma espécie foi observada capturando e se alimentando de uma tartaruga, um evento considerado raro até então.

Ohba destaca que esses insetos demonstram pouca hesitação diante de presas grandes, o que reforça seu status de predadores dominantes.

Comportamento reprodutivo fora do comum

Além da habilidade de caça, as baratas-d’água gigantes chamam atenção pela reprodução.

Diferentemente da maioria dos insetos, em várias espécies os machos assumem a responsabilidade pelo cuidado dos ovos.

Eles podem proteger até cinco postas simultaneamente ou carregar os ovos fixados ao corpo até a eclosão. A disputa entre fêmeas, porém, pode ser intensa.

“Ao destruir os ovos da concorrente, uma fêmea pode copular com o parceiro da outra e se certificar de que o macho tome conta de seus ovos”, explica Ohba.

Desde jovens, a sobrevivência depende da coragem

O ciclo de vida das baratas-d’água gigantes dura cerca de 60 dias. Logo após a eclosão, as ninfas já precisam caçar para sobreviver.

Como muitas vezes surgem em períodos de escassez de presas pequenas, elas recorrem a animais aparentemente desproporcionais, como girinos e peixes jovens.

Segundo Ohba, as patas dianteiras curvas funcionam como ferramentas essenciais para esse tipo de ataque.

Importância ecológica das baratas-d’água gigantes

Apesar da aparência intimidadora, as baratas-d’água gigantes exercem um papel fundamental no equilíbrio ambiental.

Como predadoras do topo da cadeia alimentar, ajudam a regular populações de outros organismos aquáticos.

No entanto, poluição da água e a introdução de espécies invasoras representam riscos significativos.

Para os pesquisadores, preservar ambientes de água doce é essencial para garantir a sobrevivência desses insetos e a estabilidade dos ecossistemas onde vivem.

Com informações da National Geographic Brasil

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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