Especialistas alertam que destilados e bebidas alcoólicas elevam o risco de morte por Acidente Vascular Cerebral no Brasil.
O Acidente Vascular Cerebral, conhecido como AVC, tornou-se uma das principais causas de morte no país, superando inclusive o infarto, segundo dados recentes da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC).
Em 2023, a condição provocou 85.427 óbitos no Brasil, enquanto o infarto respondeu por 77.886 mortes.
O cenário preocupa especialistas, sobretudo diante de fatores evitáveis que elevam o risco de morte, como o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente os destilados.
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O alerta vem de médicos que acompanham diariamente pacientes com doenças vasculares cerebrais.
De acordo com o neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola, algumas bebidas são claramente mais prejudiciais.
“Determinados tipos de álcool estão entre os fatores que mais elevam o risco da doença”, afirma o especialista.
AVC no Brasil: por que os números continuam crescendo
O crescimento dos casos de AVC no Brasil está diretamente ligado ao envelhecimento da população, mas também ao estilo de vida.
Hipertensão, diabetes, sedentarismo e consumo excessivo de álcool aparecem entre os principais gatilhos da doença.
Além disso, muitos brasileiros ainda subestimam os riscos associados ao álcool.
Enquanto isso, estudos mostram que o impacto do AVC vai além da mortalidade, gerando incapacidades permanentes e altos custos para o sistema de saúde.
Bebidas alcoólicas e AVC: quais oferecem maior perigo
Entre todas as bebidas alcoólicas, os destilados são apontados como os mais nocivos para a saúde cerebral.
Vodca, uísque, cachaça e tequila concentram altos teores de álcool e provocam efeitos rápidos no organismo.
Segundo Victor Hugo Espíndola, pessoas que já tiveram AVC devem evitar totalmente esse tipo de bebida.
“Mesmo em pequenas quantidades, o padrão de consumo episódico (binges) é particularmente nocivo”, garante o médico.
O chamado binge drinking ocorre quando há ingestão elevada de álcool em curto período, prática comum em finais de semana e eventos sociais.
Como os destilados aumentam o risco de morte por AVC
O especialista explica que os destilados atuam no organismo por diferentes mecanismos que elevam o risco de morte por Acidente Vascular Cerebral:
Provocam picos rápidos de etanol no sangue, aumentando abruptamente a pressão arterial.
Elevam o risco de AVC isquêmico e hemorrágico, os dois principais tipos da doença.
Estão associados a arritmias cardíacas, especialmente a fibrilação atrial, que favorece o AVC cardioembólico.
Intensificam a desidratação e a viscosidade do sangue, facilitando a formação de trombos.
Apresentam maior relação com hemorragias cerebrais, devido à fragilidade dos vasos sanguíneos.
Esses efeitos tornam o consumo de álcool um fator de risco significativo, principalmente em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares.
Existe consumo seguro de álcool para quem tem risco de AVC?
Do ponto de vista neurológico, a resposta é clara. “Não existe bebida alcoólica ‘segura’ para quem tem probabilidade de ter AVC”, reforça Espíndola.
Segundo ele, o risco é dose-dependente e também relacionado ao padrão de consumo.
A recomendação médica, na prática clínica, é a redução significativa ou abstinência, especialmente em pacientes com fatores de risco prévios, como hipertensão, diabetes, fibrilação atrial, estenose carotídea ou AVC anterior.
Projeções globais indicam cenário ainda mais preocupante
Enquanto isso, o problema não se limita ao Brasil. Em 2023, a Organização Mundial do AVC divulgou um estudo alarmante: se nada mudar, o número de mortes pela doença poderá aumentar 50% até 2050, alcançando quase 10 milhões de óbitos por ano em todo o mundo.
Esse avanço reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da mudança de hábitos, especialmente no que diz respeito ao consumo de bebidas alcoólicas.
Prevenção do AVC passa por informação e escolhas conscientes
Diante desse cenário, médicos e entidades de saúde reforçam que combater o Acidente Vascular Cerebral exige mais do que tratamento hospitalar.
A prevenção começa no cotidiano, com controle da pressão arterial, alimentação equilibrada, prática de atividade física e, sobretudo, consumo responsável ou ausência de álcool.
Assim, compreender a relação entre destilados, AVC no Brasil e risco de morte pode ser decisivo para salvar vidas e reduzir o impacto de uma das doenças mais letais da atualidade.
