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Enquanto escolas correm atrás de telas, aplicativos e inteligência artificial, engenheiro do ITA tentou salvar a concentração do filho com um instrumento milenar, transformou contas de madeira em ginástica mental validada pela USP e criou o Supera, rede que já treinou mais de 100 mil alunos, tem 250 unidades e faturou R$ 187 milhões

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Escrito por Ana Alice Publicado em 25/06/2026 às 21:13 Atualizado em 25/06/2026 às 21:23
Engenheiro do ITA transformou o ábaco japonês em método de estimulação cognitiva e franquia com mais de 250 unidades no Brasil em alta. (Imagem: Ilustrativa)
Engenheiro do ITA transformou o ábaco japonês em método de estimulação cognitiva e franquia com mais de 250 unidades no Brasil em alta. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma história familiar levou à criação de uma metodologia de estimulação cognitiva que usa o ábaco japonês e hoje movimenta uma rede educacional voltada a diferentes gerações no Brasil.

Antônio Carlos Perpétuo, 66, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, criou o Supera depois de buscar alternativas para ajudar o filho caçula, que apresentava dificuldades de concentração na escola.

O projeto nasceu em São José dos Campos (SP), adotou o ábaco japonês como uma das bases da metodologia de estimulação cognitiva e se tornou uma rede com mais de 250 unidades no país.

Em 2025, a empresa informou faturamento de R$ 187 milhões.

A rede atua com aulas presenciais, material didático próprio e atividades voltadas ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais.

A metodologia combina o soroban, nome dado ao ábaco japonês, com exercícios em apostilas, jogos de tabuleiro, dinâmicas de grupo e recursos digitais usados como apoio pedagógico.

Como funciona o método Supera com ábaco japonês

O Supera se define como um curso de estimulação cognitiva, e não como escola regular ou reforço escolar.

A proposta trabalha habilidades como memória, concentração, raciocínio lógico, foco, criatividade, autoestima, disciplina e coordenação motora, segundo informações institucionais da própria rede.

Em entrevista ao UOL, Perpétuo afirmou que o curso busca “criar bases para o aprendizado eficiente”.

A principal ferramenta pedagógica é o ábaco, usado em atividades que exigem atenção contínua, cálculo mental, coordenação e organização do raciocínio.

A metodologia também inclui exercícios cognitivos, jogos analógicos, dinâmicas em sala, plataforma on-line e práticas neuróbicas, como escrever com a mão não dominante ou realizar tarefas fora do padrão habitual.

As aulas são organizadas por faixa etária e ocorrem uma vez por semana, com duração de duas horas.

A rede informa que o curso é voltado a pessoas a partir dos 5 anos, sem limite máximo de idade.

Segundo o UOL, a empresa informou ter 28 mil alunos ativos e afirmou que os idosos representam 79,5% desse total.

A presença de idosos entre os alunos aparece em um momento de maior atenção pública ao envelhecimento ativo e à saúde cognitiva.

No entanto, a metodologia é apresentada pela empresa como atividade educacional de estimulação, não como tratamento médico para doenças neurológicas ou substituto de acompanhamento profissional.

Da dificuldade do filho à criação da franquia

A origem do Supera está ligada à busca de Perpétuo por ferramentas que ajudassem o filho Vinícius na rotina escolar.

Segundo o empresário, o menino tinha dificuldade para permanecer concentrado, não prestava atenção nas aulas e apresentava baixo desempenho nas notas.

Antes de chegar ao ábaco japonês, a família procurou alternativas mais comuns, como terapia, reforço escolar e um ambiente mais adequado para estudo.

De acordo com o relato do fundador, essas tentativas não produziram o resultado esperado, o que o levou a pesquisar outras ferramentas pedagógicas.

Ele notou que o filho tinha dificuldade de aprendizado e criou uma "ginástica para o cérebro". Hoje esse pai tem uma rede de escolas - Foto: divulgação
Ele notou que o filho tinha dificuldade de aprendizado e criou uma “ginástica para o cérebro”. Hoje esse pai tem uma rede de escolas – Foto: divulgação

O contato com o soroban ocorreu a partir de conversas com integrantes da comunidade japonesa.

Perpétuo diz ter buscado professores e pessoas familiarizadas com o uso do instrumento para compreender os possíveis benefícios da prática.

Como sua formação não era em educação, ele afirma ter procurado educadores das redes pública e privada de São José dos Campos para estruturar uma metodologia aplicável em sala.

A primeira unidade foi aberta em 2006, em São José dos Campos.

No ano seguinte, a empresa entrou no sistema de franquias.

Desde então, o Supera passou a comercializar um modelo de negócio baseado em aulas presenciais, material padronizado e treinamento de franqueados.

Pesquisa da USP sobre estimulação cognitiva em idosos

A metodologia foi objeto de estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo.

Um artigo publicado em 2025 na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria descreveu os métodos e os resultados iniciais de um ensaio clínico randomizado, controlado e cego com pessoas idosas sem comprometimento cognitivo.

A publicação informa que o estudo recebeu financiamento do Instituto Supera de Educação.

O trabalho reuniu pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e da Faculdade de Medicina da USP.

Entre os nomes envolvidos estão Thais Bento Lima da Silva, Sonia Maria Dozzi Brucki e Monica Sanches Yassuda.

A amostra inicial registrou 207 participantes, divididos em grupos de treinamento, controle ativo e controle passivo.

Em artigo publicado no Jornal da USP em 17 de março de 2026, Thais Bento Lima Silva afirmou que a pesquisa acompanhou idosos saudáveis por 24 meses.

Durante o estudo, um dos grupos participou do método Supera por 18 meses, enquanto os demais receberam informações sobre envelhecimento saudável ou apenas fizeram avaliações periódicas.

Segundo a pesquisadora, os participantes submetidos ao programa de estimulação cognitiva apresentaram benefícios em funções executivas, como planejamento, tomada de decisão e resolução de problemas.

O estudo também apontou melhora na percepção de qualidade de vida e redução de sintomas depressivos entre integrantes do grupo que participou da intervenção.

Thais Bento Lima Silva afirma ainda que atividades cognitivamente estimulantes podem contribuir para a chamada reserva cognitiva, conceito associado à capacidade do cérebro de lidar com alterações relacionadas ao envelhecimento.

A descrição do estudo, porém, delimita a intervenção como programa de estimulação cognitiva estruturada.

O ábaco é uma das principais ferramentas do Supera Imagem: Divulgação
O ábaco é uma das principais ferramentas do Supera Imagem: Divulgação

Investimento para abrir uma franquia Supera

O modelo de franquia tem valores diferentes conforme o porte da cidade e a estrutura da operação.

Em página oficial voltada a investidores, a rede informa investimento mínimo de R$ 159 mil, potencial de faturamento acima de R$ 500 mil por ano, payback estimado de 18 a 24 meses e lucratividade entre 15% e 25%.

Outra página oficial da marca, também voltada a interessados em abrir unidades, apresenta investimento mínimo de R$ 139 mil para cidades com menos de 100 mil habitantes e de R$ 199 mil para operações em cidades acima desse porte.

A mesma página informa potencial de faturamento anual acima de R$ 500 mil no primeiro modelo e acima de R$ 1 milhão no segundo.

Os dados disponíveis no Portal do Franchising e em páginas oficiais da rede apresentam diferenças conforme a data de publicação e o formato de operação consultado.

Por esse motivo, os valores devem ser lidos como estimativas comerciais divulgadas pela franqueadora e por plataformas do setor, e não como garantia de resultado financeiro individual.

Em 2025, o Supera faturou R$ 187 milhões, segundo dados divulgados pela empresa.

Para 2026, a rede projeta crescer 35% em receita e em número de unidades, com foco em capitais e cidades de médio porte.

Bárbara Perpétuo, vice-presidente da marca, afirmou ao Diário do Comércio que a empresa estava presente em 25 estados e pretendia chegar aos 27.

Segundo o UOL, a meta da empresa é chegar a 311 unidades em operação, com expansão em estados como Amapá, Roraima, Acre e São Paulo, além das regiões Norte e Centro-Oeste.

A empresa não divulga o lucro líquido de 2025.

Padronização do método em uma rede de franquias

Ao UOL, a consultora Claudia Mouro, do Sebrae-SP, avaliou que a trajetória do fundador reúne características comuns ao empreendedorismo, como identificação de uma demanda, busca por conhecimento e persistência até a consolidação do negócio.

A análise é atribuída à especialista e não altera os dados operacionais informados pela empresa.

A consultora também relaciona o crescimento do Supera ao envelhecimento da população e ao interesse de adultos e idosos por atividades ligadas à cognição e à qualidade de vida.

Segundo ela, esse cenário favorece negócios que consigam comunicar com clareza seus benefícios e manter consistência na entrega do serviço.

Para Claudia Mouro, a padronização é um ponto de atenção em uma rede com muitas unidades.

Na avaliação da consultora, franquias dependem de processos bem definidos, capacitação recorrente de franqueados e treinamento das equipes para reduzir diferenças na aplicação da metodologia.

A franqueadora informa que oferece acompanhamento na implantação e no funcionamento das unidades, além de capacitações presenciais e remotas ao longo do ano.

Esse suporte aparece como parte do modelo de franquia divulgado pela própria empresa para interessados em abrir uma unidade.

Método presencial em um setor cada vez mais digital

O Supera mantém uma proposta centrada em aulas presenciais e ferramentas analógicas, embora também utilize plataforma digital de apoio.

O próprio Perpétuo, em entrevista ao UOL, afirmou que a empresa apostou em uma metodologia “presencial e analógica” em um ambiente educacional marcado pelo avanço de recursos digitais.

A comparação com escolas, aplicativos e telas ajuda a contextualizar o posicionamento da marca, mas não elimina a necessidade de separar divulgação empresarial, resultados de pesquisa e experiência individual de alunos.

Os estudos citados avaliam um programa específico de estimulação cognitiva em idosos saudáveis e não autorizam generalizações sobre todos os públicos ou condições de saúde.

Ao apresentar o ábaco japonês como ferramenta de treino mental, a rede sustenta sua metodologia em atividades que exigem atenção, repetição e resolução de problemas.

A expansão da franquia, por sua vez, depende de fatores empresariais como demanda local, capacidade de gestão, treinamento das equipes e adesão dos alunos ao curso.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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